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Guerra no Oriente Médio eleva riscos para o agronegócio brasileiro e pode impactar preços do milho

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A intensificação das tensões entre Estados Unidos, Irã e Israel já provoca reflexos nos mercados globais e amplia o nível de risco para o agronegócio brasileiro. A alta do petróleo, a pressão sobre moedas emergentes e os possíveis impactos na logística internacional e no fornecimento de fertilizantes formam um cenário de incerteza para o planejamento da safra 2026/27.

Especialistas da Céleres Consultoria alertam que o milho brasileiro pode estar entre as commodities mais afetadas, principalmente devido à relevância do Irã como um dos principais compradores do cereal produzido no Brasil.

Instabilidade global aumenta volatilidade em mercados e no câmbio

A escalada do conflito no Oriente Médio já tem gerado oscilações nos mercados financeiros e nas bolsas internacionais, incluindo as de commodities agrícolas. Esse ambiente de incerteza tende a elevar a cautela entre investidores e agentes do setor produtivo.

De acordo com Enilson Nogueira, coordenador de Estudos Econômicos da Céleres Consultoria, o impacto geopolítico se reflete rapidamente na economia global.

Segundo o especialista, o aumento das tensões cria incertezas sobre produtos ligados à região e já repercute tanto nos mercados de commodities quanto no câmbio, afetando diretamente países exportadores de produtos agrícolas, como o Brasil.

Alta do petróleo pode aumentar custos para produtores rurais

Um dos primeiros efeitos da crise aparece no mercado internacional de petróleo. A valorização da commodity tende a pressionar os preços dos combustíveis e contribuir para a elevação da inflação global.

Para o agronegócio brasileiro, esse movimento pode resultar em aumento dos custos operacionais. Caso os reajustes sejam repassados ao mercado interno, produtores rurais poderão enfrentar despesas maiores com combustíveis durante a safra 2026/27.

Embora o Irã não seja um fornecedor relevante de diesel ao Brasil, os países do Oriente Médio representaram cerca de 10% do valor total importado pelo país em 2025, o que amplia a sensibilidade do mercado diante de qualquer instabilidade na região.

Outro reflexo já observado está no câmbio. Na última semana, o real passou de aproximadamente R$ 5,10 para cerca de R$ 5,30 por dólar. A desvalorização das moedas emergentes, por outro lado, pode sustentar no curto prazo a formação de preços das commodities brasileiras, especialmente do milho.

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Logística internacional e fertilizantes entram no centro das preocupações

A logística global também aparece como um dos pontos mais sensíveis diante da crise geopolítica. O Estreito de Ormuz é considerado uma rota estratégica para o transporte de petróleo e insumos agrícolas, e qualquer interrupção no fluxo pode provocar impactos relevantes nos custos globais.

Para Maria Luisa Franzotti, analista econômica e de geopolítica da Céleres Consultoria, o mercado de fertilizantes está entre os mais vulneráveis aos efeitos do conflito.

Segundo a especialista, o impacto tende a ser imediato, principalmente no segmento de fertilizantes nitrogenados. O Irã responde por aproximadamente 10% das exportações globais de ureia, enquanto o Oriente Médio concentra cerca de 25% da oferta mundial desse insumo.

No caso dos fosfatados, a dependência logística também é considerada elevada. Grande parte da produção é originária da Arábia Saudita e de países vizinhos, que dependem do Canal de Suez e do Estreito de Ormuz para escoamento. Uma eventual interrupção nessas rotas pode gerar gargalos logísticos e elevar os custos dos fertilizantes.

Para o Brasil, a dependência da região é significativa. Em 2025, Irã e países do Oriente Médio concentraram cerca de 35% das importações brasileiras de ureia, além de 17% dos fosfatados e 10% do cloreto de potássio.

Exportações de milho podem sofrer impacto direto

Além do aumento potencial nos custos de produção, o milho brasileiro também pode ser afetado pelo lado da demanda internacional.

Nos últimos anos, o Irã consolidou-se como um dos principais compradores do cereal brasileiro, liderando as importações em três dos últimos cinco anos. Em 2025, o país importou mais de 9 milhões de toneladas de milho produzido no Brasil.

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Segundo Nogueira, incertezas relacionadas à demanda e às condições logísticas de comércio com o Irã podem influenciar a formação de preços ainda em 2026.

Caso haja interrupções ou redução nos embarques para o país asiático, parte da produção poderá permanecer no mercado interno, elevando os estoques e pressionando as cotações do milho no Brasil.

A substituição dessa demanda no curto prazo também é considerada difícil, o que amplia o nível de atenção para toda a cadeia produtiva do cereal.

Impactos podem alcançar proteína animal e outras commodities

Os efeitos do conflito também podem atingir outros segmentos do agronegócio brasileiro. O Oriente Médio é um destino relevante para exportações de proteína animal.

A região respondeu por cerca de 26% das exportações brasileiras de carne de frango e por aproximadamente 6% das vendas externas de carne bovina. Uma eventual desaceleração na demanda pode reduzir o consumo de ração animal, afetando novamente o mercado de milho.

Outras cadeias com exposição relevante ao mercado do Oriente Médio incluem açúcar, soja, farelo de soja e celulose.

Cenário exige maior gestão de risco para a safra 2026/27

Outro fator de incerteza envolve a possibilidade de restrições comerciais por parte dos Estados Unidos a países que mantêm relações com o Irã, hipótese mencionada pelo presidente Donald Trump no início do ano. Caso medidas desse tipo avancem, o comércio internacional poderá enfrentar novos episódios de tensão.

Na avaliação da Céleres Consultoria, a escalada do conflito aumenta o nível de imprevisibilidade justamente em um momento estratégico para o planejamento da safra 2026/27.

Diante desse cenário, variáveis como petróleo, fertilizantes, câmbio, logística e demanda externa passam a operar sob um ambiente de maior risco geopolítico. Para o setor produtivo, estratégias de gestão de risco, proteção de preços e planejamento financeiro tendem a ganhar ainda mais importância.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Soja brasileira caminha para safra recorde de 182 milhões de toneladas e reforça liderança global em 2026

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A soja brasileira segue consolidando sua posição como principal protagonista do agronegócio mundial. De acordo com o relatório AgroInfo Junho 2026, divulgado pelo Rabobank, o Brasil deverá colher uma safra histórica de 182 milhões de toneladas na temporada 2025/26, volume que representa um acréscimo de 10 milhões de toneladas em comparação ao ciclo anterior.

O resultado reflete a combinação entre expansão moderada da área cultivada e condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento das lavouras, fortalecendo ainda mais a competitividade do país no mercado internacional.

Produção recorde fortalece oferta brasileira

Segundo a análise do RaboResearch Food & Agribusiness, o desempenho da safra brasileira confirma o elevado potencial produtivo do setor, mesmo em um ambiente global marcado por incertezas geopolíticas e oscilações nos preços das commodities.

Além do crescimento da produção, a demanda pela oleaginosa continua apresentando sinais robustos, sustentando perspectivas positivas para toda a cadeia produtiva.

Exportações seguem em ritmo acelerado

As exportações brasileiras de soja mantêm forte desempenho em 2026. Dados compilados pelo Rabobank mostram que os embarques entre janeiro e maio registraram crescimento de 8% em relação ao mesmo período do ano passado.

A expectativa é que o Brasil exporte aproximadamente 113 milhões de toneladas ao longo do ano, estabelecendo um novo recorde e ampliando em cerca de 5 milhões de toneladas o volume embarcado em comparação a 2025.

Mesmo diante da valorização do real frente ao dólar e do aumento dos custos logísticos internos, a soja brasileira continua altamente competitiva no mercado global, especialmente em relação aos principais concorrentes internacionais.

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Mercado internacional influencia preços

Durante o primeiro semestre de 2026, os preços da soja foram fortemente impactados pelo cenário geopolítico internacional.

A expectativa de exportações expressivas dos Estados Unidos para a China ajudou a sustentar as cotações na Bolsa de Chicago (CBOT), enquanto o conflito envolvendo Estados Unidos e Irã impulsionou os preços do petróleo e dos óleos vegetais, incluindo o óleo de soja.

Esse movimento levou os contratos da oleaginosa a alcançarem níveis próximos de US$ 12,20 por bushel em março. Entretanto, a valorização observada em Chicago não se refletiu integralmente nos preços recebidos pelos produtores brasileiros.

A combinação entre prêmios mais baixos nos portos e a valorização do real limitou os ganhos no mercado interno, mantendo as cotações em reais relativamente estáveis ao longo do período.

Esmagamento cresce com margens mais atrativas

Outro destaque do relatório é o fortalecimento da indústria de processamento.

Mesmo com o adiamento do aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel, as margens de esmagamento foram beneficiadas pela valorização do óleo de soja.

No primeiro trimestre de 2026, o volume processado atingiu 14,3 milhões de toneladas, crescimento de 10% em relação ao mesmo período de 2025.

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A tendência é que a demanda por derivados continue sustentando o avanço do esmagamento ao longo do ano.

Clima nos Estados Unidos e El Niño entram no radar

Nas últimas semanas, os fundamentos de mercado voltaram a assumir protagonismo na formação dos preços globais.

O avanço do plantio e as boas condições das lavouras norte-americanas pressionaram as cotações da soja em Chicago, que registraram queda próxima de 5% durante junho.

Segundo o Rabobank, caso o clima continue favorável nos Estados Unidos, os preços poderão sofrer novas correções no curto prazo.

Por outro lado, após o início da colheita norte-americana, a atenção dos investidores deverá migrar para a América do Sul, especialmente para os possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre a safra brasileira 2026/27.

Perspectivas para o produtor

Apesar da volatilidade dos mercados internacionais e das incertezas climáticas para a próxima temporada, o cenário para a soja brasileira permanece amplamente favorável.

A combinação entre safra recorde, crescimento das exportações, aumento do esmagamento e forte demanda global reforça o papel estratégico da cultura para o agronegócio nacional.

No entanto, produtores devem acompanhar atentamente fatores como o comportamento do clima, a evolução da demanda chinesa, os custos logísticos e os movimentos do câmbio, que continuarão exercendo influência direta sobre a rentabilidade do setor nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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