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Mato Grosso bate recorde histórico nas exportações de carne bovina em fevereiro
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O setor de pecuária em Mato Grosso começou 2026 registrando números históricos no comércio exterior. Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), em boletim publicado em 9 de março de 2026, o estado atingiu volumes e receitas recordes para o mês de fevereiro, impulsionado por forte demanda internacional e valorização da carne brasileira.
O cenário também está diretamente ligado ao ambiente macroeconômico brasileiro, com o Banco Central do Brasil monitorando câmbio, inflação e fluxos financeiros que afetam a competitividade do produto nacional no mercado global.
Exportações alcançam máximos históricos em volume e receita
Em fevereiro de 2026, Mato Grosso exportou 86,42 mil toneladas em equivalente carcaça (TEC), registrando crescimento de 4,04% em relação a janeiro e salto de 74,99% em comparação ao mesmo período de 2025.
O desempenho financeiro acompanhou o volume exportado:
- Receita total: US$ 380,03 milhões, recorde para fevereiro
- Crescimento financeiro: +6,62% em relação a janeiro e +99,61% na comparação anual
- Preço médio: US$ 4.397,65/TEC, máxima dos últimos três anos
O resultado reflete não apenas o aumento da demanda internacional, mas também a valorização da carne bovina brasileira frente aos principais mercados compradores.
Abate de bovinos apresenta leve recuo, mas mantém segundo maior volume histórico
Apesar do crescimento nas exportações, o volume total de abates em Mato Grosso caiu em fevereiro, somando 566,58 mil cabeças, recuo de 11,61% frente a janeiro, mas ainda o segundo maior registro histórico para o mês.
A composição do abate mostra mudanças na oferta de animais:
- Machos: 266,92 mil cabeças (47,11% do total), queda de 19,23%
- Fêmeas: 299,66 mil cabeças (52,89%), recuo de 3,51%
A menor disponibilidade de machos, somada à forte demanda externa, contribuiu para a valorização da arroba do boi gordo no mercado interno.
Mercado interno registra valorização da arroba e outros indicadores
O mercado interno refletiu a escassez de oferta com aumento nos principais indicadores:
- Boi gordo a prazo: R$ 334,14/@, alta semanal de 1,65%
- Escala de abate: média de 9,67 dias úteis, aumento de 3,22%
- Diferencial de Base MT-SP: -7,07%, avanço de 0,02 p.p.
- Novilha: R$ 343,49/@
- Boi magro: valorização de 2,43%
O fortalecimento dos preços evidencia o impacto da oferta restrita, especialmente de machos, e a pressão da demanda internacional sobre o mercado interno.
Atenção à logística e geopolítica internacional
Para março, o setor deve acompanhar de perto tensões no Oriente Médio, que podem afetar a logística das exportações de carne bovina. Instabilidades na região têm potencial para elevar custos de frete marítimo, impactando principalmente mercados próximos a zonas de conflito.
Analistas destacam que fatores externos, combinados com a oferta limitada de animais e a valorização do produto, seguem determinando a dinâmica de preços da carne bovina brasileira.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Uso de satélite para barrar crédito rural gera novo debate no setor
A nova regra que condiciona o acesso ao crédito rural ao monitoramento ambiental por satélite abriu uma frente de tensão entre produtores, Congresso e governo federal. Desde 1º de abril, bancos que operam recursos do Plano Safra passaram a consultar automaticamente dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes) antes da liberação dos financiamentos agropecuários.
O centro da discussão está nos chamados “falsos positivos”, situações em que alterações na cobertura vegetal identificadas pelo sistema acabam sendo interpretadas como desmatamento irregular, mesmo quando decorrem de atividades produtivas permitidas ou manejos regulares dentro da propriedade.
Segundo a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), produtores vêm relatando dificuldades para acessar crédito em casos envolvendo limpeza de pastagem, manejo agrícola, renovação de áreas produtivas e até colheita de florestas plantadas, como eucalipto.
A preocupação do setor é que o sistema utilizado para monitoramento identifica mudanças na vegetação, mas não consegue, sozinho, diferenciar imediatamente uma atividade legal de um desmatamento irregular.
Com isso, o bloqueio ao crédito pode ocorrer antes mesmo de qualquer análise individualizada do caso. Isso inverte o ônus da prova e obriga o produtor a comprovar posteriormente que a alteração apontada pelo satélite não configura infração ambiental. O processo pode envolver laudos técnicos, documentos fundiários, análises ambientais e procedimentos administrativos que levam semanas ou meses.
O problema ganha peso porque o crédito rural continua sendo peça central do financiamento agropecuário brasileiro, especialmente em um momento de juros elevados, aumento do endividamento e custos ainda pressionados.
Dados citados pela consultoria Datagro mostram que mais de 5,4 milhões de apontamentos positivos estavam registrados no sistema Prodes até outubro de 2025. Parte dessas ocorrências, segundo o setor, pode estar associada justamente a interpretações equivocadas do monitoramento remoto.
As novas exigências estão previstas nas Resoluções nº 5.193/2024 e nº 5.268/2025, do Conselho Monetário Nacional (CMN), dentro do processo de endurecimento das regras ambientais para concessão de crédito rural.
A justificativa oficial é impedir que propriedades com irregularidades ambientais tenham acesso a recursos públicos subsidiados.
O avanço das restrições provocou reação imediata no Congresso Nacional. Parlamentares ligados à Frente Parlamentar da Agropecuária protocolaram projetos para suspender os efeitos das resoluções até que sejam criados mecanismos considerados mais precisos de validação ambiental.
As propostas também tentam impedir embargos automáticos baseados exclusivamente em imagens de satélite e estabelecer critérios técnicos mais claros para restrições ao financiamento rural.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto), o principal problema está na automatização do processo sem análise técnica prévia. “O monitoramento ambiental é necessário e irreversível. O problema começa quando um apontamento preliminar feito por satélite passa a produzir efeito imediato sobre o crédito sem uma verificação individualizada da situação da propriedade”, afirma.
Segundo Rezende, a insegurança aumenta porque o produtor depende do financiamento para manter o calendário agrícola e não consegue esperar meses por uma solução administrativa. “O crédito rural não financia apenas expansão. Ele financia custeio, compra de insumos, operação da safra e fluxo de caixa da propriedade. Quando o recurso trava por causa de um possível falso positivo, o impacto econômico acontece imediatamente dentro da porteira”, diz.
Ele avalia que o avanço das exigências ambientais tende a se intensificar nos próximos anos, principalmente pela pressão de bancos, mercados importadores e sistemas internacionais de rastreabilidade.
“A questão ambiental passou a fazer parte da análise de risco do crédito rural. Isso já não é mais uma discussão apenas regulatória. O produtor vai precisar cada vez mais de documentação organizada, regularidade ambiental e segurança jurídica para acessar financiamento e mercado”, afirma.
O episódio evidencia uma mudança estrutural no agro brasileiro. Critérios ambientais deixaram de afetar apenas fiscalização e passaram a interferir diretamente na capacidade de financiar produção, renegociar dívidas e manter competitividade no mercado internacional.
Fonte: Pensar Agro
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