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Soja enfrenta pressão do câmbio enquanto mercado global aguarda relatório do USDA e avanço nas negociações entre EUA e China

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O mercado da soja vive uma semana decisiva tanto no Brasil quanto no cenário internacional. Enquanto os produtores brasileiros enfrentam crescente pressão sobre a rentabilidade diante da queda do dólar, os contratos futuros da oleaginosa operam em alta na Bolsa de Chicago, sustentados pela valorização do petróleo, expectativa de aumento da demanda chinesa e cautela antes da divulgação do novo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

No mercado interno, o câmbio se tornou o principal fator de preocupação para o produtor rural. Segundo Jeferson Souza, analista de inteligência de mercado, a desvalorização do dólar ampliou o descasamento entre os custos de produção e a receita esperada com a comercialização da safra 2025/26.

Os custos da atual temporada foram estruturados em um cenário de dólar entre R$ 5,40 e R$ 5,50, enquanto a receita passou a ser projetada com a moeda norte-americana próxima — ou abaixo — de R$ 5,00. Com isso, a margem do produtor ficou mais apertada.

O cenário ganha ainda mais relevância porque uma parcela expressiva da safra brasileira segue sem negociação. Estimativas indicam que cerca de 45% da produção nacional de soja 2025/26 ainda não foi comercializada. No Rio Grande do Sul, aproximadamente 70% da safra estimada em 20 milhões de toneladas permanece sem preço fixado.

Segundo o analista, o mercado já começa a discutir a safra 2026/27, mas ainda há grande volume da temporada atual pendente de comercialização. Como os insumos já foram adquiridos e a produtividade consolidada, o preço de venda tornou-se a principal variável capaz de definir a rentabilidade do produtor.

Apesar das dificuldades, Souza não vê, neste momento, perspectiva de redução significativa da área plantada de soja na próxima safra. A tendência observada é de menor investimento em tecnologia e possível estagnação da produtividade. Ele lembra que a última retração relevante de área ocorreu há cerca de duas décadas.

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Chicago sobe com expectativa pelo USDA e reunião entre Trump e Xi Jinping

No mercado internacional, os contratos futuros da soja registraram ganhos na Bolsa de Chicago nesta terça-feira (12), em meio à expectativa pela divulgação do relatório mensal de oferta e demanda do USDA.

Por volta das 7h40 (horário de Brasília), os contratos mais negociados subiam pouco mais de dois pontos, com o vencimento julho cotado a US$ 12,12 por bushel e agosto a US$ 12,10.

Os investidores acompanham os primeiros números oficiais da safra norte-americana 2026/27, além das projeções de estoques globais, demanda chinesa e estimativas iniciais para a produção sul-americana, especialmente no Brasil e na Argentina.

Analistas internacionais projetam que o USDA indique safra norte-americana de 4,450 bilhões de bushels em 2026/27, acima dos 4,262 bilhões registrados no ciclo anterior. Já os estoques finais dos EUA devem alcançar 353 milhões de bushels.

No cenário global, o mercado trabalha com expectativa de estoques finais de soja em 126,3 milhões de toneladas para 2026/27. Para a safra 2025/26, o USDA pode elevar sua estimativa de estoques globais de 124,8 milhões para 125,6 milhões de toneladas.

Para o Brasil, a expectativa é de leve revisão positiva da safra 2025/26, passando de 180 milhões para 180,4 milhões de toneladas. Já a produção da Argentina pode subir de 48 milhões para 48,5 milhões de toneladas.

Petróleo e biocombustíveis sustentam complexo soja

Outro fator de sustentação para o mercado da soja vem do petróleo. As tensões geopolíticas no Oriente Médio seguem impulsionando os preços da commodity energética, especialmente diante das dificuldades de acordo entre Estados Unidos e Irã.

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A valorização do petróleo fortalece diretamente o mercado de biocombustíveis, beneficiando o óleo de soja, importante matéria-prima para a produção de biodiesel. Na sessão desta terça-feira, os futuros do óleo de soja avançavam mais de 0,9%.

O farelo de soja também apresentou valorização, reforçando o suporte aos contratos do grão em Chicago.

Mercado monitora possível retomada das compras chinesas

As atenções do mercado também permanecem voltadas para a relação comercial entre Estados Unidos e China. A expectativa em torno do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping alimenta apostas de retomada mais forte das compras chinesas de soja norte-americana.

Segundo análises do mercado internacional, a China teria assumido compromisso de importar cerca de 25 milhões de toneladas anuais, fator que vem sustentando o chamado “efeito cúpula” nas negociações da CBOT.

Além da demanda chinesa, os traders acompanham o ritmo acelerado do plantio norte-americano, favorecido até o momento por condições climáticas positivas nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos.

Mercado físico brasileiro segue cauteloso

No Brasil, o mercado físico apresentou comportamento regionalizado. Em Paranaguá, os preços registraram valorização, com a saca alcançando R$ 128,00. Já em outras praças do Paraná, como Cascavel e Maringá, as cotações ficaram próximas de R$ 118,00.

Produtores seguem cautelosos nas negociações e monitoram principalmente o comportamento do dólar antes de avançarem nas vendas.

Em Mato Grosso do Sul, a colheita já alcançou 99,8%, mas o elevado déficit de armazenagem, superior a 11 milhões de toneladas, limita a capacidade de retenção da produção.

Em Mato Grosso, a colheita foi concluída, e o setor já avalia os riscos para a próxima temporada, incluindo custos elevados e possibilidade de influência do fenômeno El Niño sobre o clima.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

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A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

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“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

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O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

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