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Preço do frango vivo sobe no Brasil e setor monitora riscos nas exportações
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O mercado brasileiro de frango vivo segue operando com preços firmes e perspectiva de novos reajustes nas próximas semanas, sustentado por um cenário de maior equilíbrio entre oferta e demanda. Apesar do ambiente positivo no curto prazo, o setor avícola ainda convive com importantes fatores de risco no mercado internacional, incluindo os impactos da guerra no Oriente Médio, casos de Influenza Aviária na América do Sul e novas restrições impostas pela Europa às importações de produtos de origem animal do Brasil.
Segundo análise da Safras & Mercado, a estratégia de redução nos alojamentos de pintainhos de corte continua sendo considerada essencial para manter a sustentação dos preços e evitar excesso de oferta nos próximos meses.
Frango vivo registra alta nas principais regiões produtoras
De acordo com o analista Fernando Henrique Iglesias, os preços do frango vivo avançaram em importantes praças de comercialização do país.
Em São Paulo, o quilo do frango vivo subiu de R$ 4,90 para R$ 5,20. Em Minas Gerais, a cotação também alcançou R$ 5,20/kg.
Outras regiões também registraram valorização:
- Mato Grosso do Sul: de R$ 4,90 para R$ 5,10/kg;
- Goiás: de R$ 5,00 para R$ 5,20/kg;
- Distrito Federal: de R$ 4,95 para R$ 5,10/kg.
Já nas regiões integradas do Sul, os preços permaneceram estáveis:
- Rio Grande do Sul: R$ 4,75/kg;
- Santa Catarina: R$ 4,75/kg;
- Oeste do Paraná: R$ 4,60/kg.
No Nordeste e Norte, as cotações também seguiram firmes:
- Ceará: R$ 6,20/kg;
- Pernambuco: R$ 5,50/kg;
- Pará: R$ 6,40/kg.
Mercado atacadista mostra estabilidade e equilíbrio na oferta
No mercado atacadista paulista, os preços dos cortes congelados permaneceram estáveis durante a semana.
Os valores registrados foram:
- Cortes congelados no atacado
- Peito: R$ 8,50/kg;
- Coxa: R$ 6,80/kg;
- Asa: R$ 11,00/kg.
- Distribuição
- Peito: R$ 8,70/kg;
- Coxa: R$ 7,00/kg;
- Asa: R$ 11,30/kg.
Nos cortes resfriados, o comportamento também foi de estabilidade:
- Cortes resfriados no atacado
- Peito: R$ 8,60/kg;
- Coxa: R$ 6,90/kg;
- Asa: R$ 11,10/kg.
- Distribuição
- Peito: R$ 8,80/kg;
- Coxa: R$ 7,10/kg;
- Asa: R$ 11,40/kg.
Segundo Iglesias, o ambiente de negócios vem apresentando sinais de maior equilíbrio, especialmente diante da expectativa de redução nos alojamentos de aves nos próximos meses.
Influenza Aviária e guerra no Oriente Médio seguem no radar
Apesar da recuperação do mercado interno, o setor avícola brasileiro ainda acompanha com atenção fatores externos que podem impactar as exportações.
A Influenza Aviária permanece como um dos principais pontos de atenção, exigindo monitoramento constante e reforço dos protocolos sanitários.
Além disso, a guerra no Oriente Médio continua elevando os custos logísticos das exportações brasileiras. Embora o conflito ainda não tenha provocado redução significativa nos volumes embarcados, as operações estão mais caras devido ao aumento dos fretes marítimos e às dificuldades operacionais na região.
Outro fator de preocupação é a decisão da Europa de suspender, a partir de 3 de setembro, a compra de produtos brasileiros de origem animal. Mesmo assim, o mercado avalia que a medida pode ser revertida futuramente, considerando o déficit de proteínas animais enfrentado pelo continente europeu.
Exportações de carne de frango disparam em maio
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram forte avanço nas exportações brasileiras de carne de aves nos primeiros dias úteis de maio.
O Brasil exportou 149,825 mil toneladas de carne de aves e miudezas comestíveis frescas, refrigeradas ou congeladas nos cinco primeiros dias úteis do mês.
O faturamento somou US$ 278,296 milhões, com média diária de US$ 55,659 milhões.
O preço médio da tonelada exportada ficou em US$ 1.857,5.
Na comparação com maio de 2025, os resultados mostram forte crescimento:
- Alta de 80% na receita média diária;
- Avanço de 74,4% no volume médio diário embarcado;
- Valorização de 3,2% no preço médio da tonelada.
O desempenho reforça a competitividade da proteína avícola brasileira no mercado internacional, mesmo diante dos desafios geopolíticos e sanitários que seguem pressionando o setor globalmente.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas
A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.
Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.
“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.
“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.
Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.
A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.
O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.
A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.
O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.
As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.
A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.
O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.
Fonte: Pensar Agro



