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China avança em estratégia de segurança alimentar e coloca soja e carne brasileira sob risco de queda na demanda

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O avanço da estratégia chinesa de segurança alimentar, prevista no 15º Plano Quinquenal (2026-2030), tem potencial para redesenhar o comércio global de commodities agrícolas e já acende um sinal de alerta no agronegócio brasileiro. A diretriz do governo de Pequim prioriza maior autossuficiência, redução gradual das importações e fortalecimento da produção interna, o que pode impactar diretamente as exportações do Brasil.

Segundo projeções do setor, o país asiático pode reduzir significativamente sua dependência de alimentos importados, o que colocaria sob risco bilhões de dólares em vendas brasileiras de soja, carne bovina, carne de frango e milho.

China pode reduzir bilhões em compras do agro brasileiro

De acordo com estimativas apresentadas por especialistas do setor, o Brasil exporta entre US$ 50 bilhões e US$ 60 bilhões por ano em produtos do agronegócio para a China.

A avaliação é de que eventuais ajustes na política de importações chinesa não ocorreriam de forma abrupta, mas sim gradual ao longo dos próximos anos. Ainda assim, o impacto potencial sobre o comércio internacional é considerado relevante.

“Não é uma perda imediata, mas a ordem de grandeza do impacto é expressiva e pode chegar a bilhões de dólares ao longo do tempo”, avalia a consultoria Systemiq.

Plano Quinquenal reforça autossuficiência e menor dependência externa

O 15º Plano Quinquenal chinês, aprovado em março, estabelece como prioridade a segurança alimentar, com foco na autossuficiência produtiva e na redução da dependência de fornecedores externos.

Entre os objetivos estão:

  • fortalecimento da produção doméstica de alimentos;
  • diversificação de fontes de suprimento;
  • contenção do crescimento das importações;
  • estímulo a novas tecnologias alimentares e proteínas alternativas.

O documento também indica mudanças estruturais no padrão de consumo e abastecimento, com maior protagonismo da produção interna e readequação das cadeias globais de fornecimento.

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Soja e carne bovina estão entre os produtos mais expostos

O Brasil, que figura entre os principais fornecedores do mercado chinês, pode ser diretamente impactado em diferentes cadeias do agronegócio.

A soja aparece como um dos produtos mais sensíveis, já que a China responde por cerca de 71% das exportações brasileiras do grão. No caso da carne bovina, o país asiático representa mais da metade das vendas externas brasileiras.

Na carne bovina, inclusive, a China já adota medidas de salvaguarda com quota de importação e tarifas diferenciadas, o que adiciona incertezas ao fluxo comercial.

Além disso, o relatório aponta que a competição com Estados Unidos e Argentina pode aumentar no mercado de soja, caso a China avance na substituição parcial das importações por produção doméstica.

Impacto pode chegar a US$ 20 bilhões ao ano em cenário conservador

Em um cenário mais conservador, especialistas estimam que o Brasil poderia deixar de exportar entre 10 milhões e 20 milhões de toneladas de soja para a China até o fim da década.

O impacto financeiro estimado varia entre US$ 5 bilhões e US$ 20 bilhões por ano, dependendo da reorganização do mercado global e da capacidade de absorção por outros países compradores.

Além da soja, a projeção inclui possíveis reduções nas importações chinesas de carne bovina, carne suína, lácteos e ovos, enquanto o milho poderia registrar crescimento moderado da demanda.

China segue como principal motor da demanda global do agro

Apesar das mudanças estruturais previstas, a China ainda desempenha papel central no comércio agrícola mundial. Nas últimas décadas, o país foi o principal motor da expansão da demanda global por commodities, especialmente soja e proteína animal.

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Hoje, o mercado chinês concentra:

  • cerca de 71% da soja exportada pelo Brasil;
  • mais da metade da carne bovina brasileira;
  • elevada participação em mercados como Argentina e Estados Unidos.
Tensões comerciais e reorganização do mercado global

O cenário também é influenciado por movimentos geopolíticos recentes. Negociações entre Estados Unidos e China voltaram ao centro das atenções após encontros entre líderes dos dois países, com sinalizações de retomada parcial de compras agrícolas americanas.

Além disso, avanços na habilitação de frigoríficos e acordos comerciais reforçam a disputa por espaço no mercado chinês.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta que a China seguirá importando volumes elevados de soja, mesmo com crescimento gradual da produção doméstica, mas em ritmo menor do que o observado nas últimas décadas.

Efeito dominó pode atingir preços, investimentos e cadeia produtiva

Para analistas do setor, o possível avanço da autossuficiência chinesa não deve afetar apenas o volume exportado, mas também toda a estrutura de preços e investimentos do agronegócio global.

Entre os efeitos esperados estão:

  • pressão sobre preços internacionais das commodities;
  • redução de margens ao longo da cadeia produtiva;
  • impacto sobre valor da terra agrícola;
  • revisão de investimentos em insumos e infraestrutura logística.

A avaliação é de que o setor agropecuário brasileiro precisará acompanhar de perto a implementação do plano chinês nos próximos 12 a 18 meses, período considerado decisivo para medir a velocidade dessas mudanças estruturais no maior importador mundial de alimentos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Abertura de mercados para produtos brasileiros em Antígua e Barbuda, Chile, Argélia, China e Paraguai

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As autoridades sanitárias e fitossanitárias de Antígua e Barbuda, Chile, Argélia, China e Paraguai comunicaram ao Brasil a abertura de mercados para novos produtos brasileiros.

Para Antígua e Barbuda, está autorizada a exportação de carnes, produtos cárneos e miúdos de aves, bovinos, suínos, caprinos e ovinos.

Para o Chile, foi autorizada a exportação brasileira de extrato de carne de ruminantes para consumo humano.

Para a Argélia, está autorizada a exportação de grãos secos de destilaria (DDG) de milho brasileiro.

A China, por sua vez, autorizou a exportação de miúdos internos, pele e ossos de suínos de origem brasileira.

O Paraguai, por fim, autorizou a exportação brasileira de fibra de coco (substrato).

Informações à imprensa
[email protected]

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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