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Futuro do agro depende das pessoas e da qualificação profissional, destaca análise do Grupo J2M
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O futuro do agronegócio brasileiro está cada vez mais ligado às pessoas e à capacidade de formação profissional no campo. A avaliação é do produtor rural e presidente do Grupo J2M, Evandro Martins, que destaca que o setor já passou por uma profunda transformação estrutural e tecnológica, deixando para trás antigos estereótipos ligados exclusivamente ao trabalho manual.
Segundo ele, o campo se consolidou como um ambiente altamente estratégico, conectado a cadeias globais e impactado por fatores como mudanças climáticas, exigências de mercado, avanços regulatórios e a necessidade constante de aumento de eficiência produtiva.
Agro moderno é guiado por tecnologia, dados e decisões estratégicas
A rotina das propriedades rurais envolve, cada vez mais, o uso de tecnologias digitais, automação, inteligência artificial, agricultura de precisão, sensores e sistemas de monitoramento em tempo real. Essas ferramentas ampliaram a capacidade produtiva e reduziram desperdícios, mas também elevaram a complexidade da gestão no campo.
Apesar do avanço tecnológico, especialistas reforçam que nenhuma inovação gera resultados de forma isolada. O desempenho das ferramentas depende diretamente da interpretação humana e da capacidade de transformar dados em decisões práticas dentro da propriedade.
Formação profissional é desafio central para evolução do setor
De acordo com a análise, um dos principais gargalos do agro não está no acesso às tecnologias, mas na formação de profissionais preparados para utilizá-las de forma estratégica.
A demanda por mão de obra qualificada cresce em toda a cadeia produtiva, abrangendo funções técnicas, operacionais e de gestão. Há espaço para engenheiros agrônomos, técnicos, operadores especializados, analistas de dados, profissionais de tecnologia e gestores com visão integrada do negócio rural.
No entanto, o setor ainda enfrenta um descompasso entre as competências exigidas pelo novo ambiente produtivo e a formação disponível em parte do mercado de trabalho.
Novo perfil profissional exige visão ampla do negócio rural
O profissional do agro atual precisa ir além da execução técnica. Entre as competências essenciais estão análise de dados, tomada de decisão em cenários incertos, domínio de ferramentas digitais e compreensão integrada da cadeia produtiva, da produção à comercialização.
Em um setor marcado por variações climáticas, volatilidade de preços e aumento dos custos de produção, a capacidade de planejamento e interpretação de cenários se tornou fundamental para a competitividade das propriedades rurais.
Sucessão familiar depende de inovação e oportunidades no campo
O processo de sucessão rural também passa por transformação. Para especialistas, a permanência das novas gerações no campo não depende apenas de vínculos familiares, mas da oferta de um ambiente profissional moderno, inovador e economicamente atrativo.
A continuidade dos negócios rurais está diretamente ligada ao acesso à educação, conectividade, crédito, gestão eficiente e participação dos jovens nas decisões da propriedade. Quando há inclusão na gestão e espaço para inovação, aumenta a chance de permanência e fortalecimento das atividades familiares.
Tecnologia avança, mas decisão humana segue essencial
Embora a tecnologia tenha papel central na modernização do agro, seu impacto depende da capacidade humana de interpretação e aplicação estratégica. Dados, sensores e sistemas digitais só geram valor quando são convertidos em decisões operacionais eficientes.
Por isso, a formação de profissionais precisa evoluir para além da operação de máquinas, formando gestores com visão sistêmica, habilidades de liderança, comunicação e capacidade de adaptação.
Comunicação do agro também precisa evoluir
Outro ponto destacado é a necessidade de reposicionar a comunicação do setor com a sociedade. Ainda há uma percepção limitada que associa o trabalho rural apenas ao esforço físico e à tradição, deixando em segundo plano sua dimensão tecnológica e inovadora.
Segundo a análise, essa visão pode dificultar a atração de novos talentos, especialmente entre jovens que buscam ambientes conectados à inovação e ao desenvolvimento profissional.
Futuro do agro será cada vez mais digital e humano ao mesmo tempo
A tendência é de intensificação da digitalização no campo, com maior uso de dados, automação e conectividade. No entanto, o fator humano seguirá como elemento central.
Mesmo em um ambiente altamente tecnológico, serão as pessoas responsáveis por interpretar informações, definir estratégias e conduzir a evolução do setor. O agronegócio do futuro será mais automatizado e conectado, mas continuará dependente da inteligência, da capacitação e da visão de seus profissionais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Mato Grosso acelera colheita do milho 2ª safra, mas custos da próxima temporada sobem até 15% e exigem cautela no planejamento
A colheita do milho segunda safra 2025/26 avança em ritmo acelerado em Mato Grosso, ao mesmo tempo em que o produtor rural já liga o sinal de atenção para o aumento dos custos de produção da próxima temporada. O cenário combina boa evolução no campo com pressão financeira para o ciclo 2026/27, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
Colheita do milho avança e se aproxima da média histórica
Na segunda semana de junho, a colheita do milho em Mato Grosso atingiu 11,29% da área estimada, conforme levantamento do Imea. O avanço representa mais de 5 pontos percentuais em relação à semana anterior e supera o desempenho do mesmo período da safra 2024/25, quando os trabalhos estavam em cerca de 7%.
O ritmo atual também se aproxima da média dos últimos cinco anos, indicando um comportamento alinhado ao histórico do estado, maior produtor de milho segunda safra do Brasil.
A área total destinada ao cereal foi mantida em 7,39 milhões de hectares. Com a revisão mais recente, a produtividade média está estimada em 120,28 sacas por hectare, com produção projetada de 53,35 milhões de toneladas.
Segundo a analista de agricultura do Imea, Milena Bezerra, o desempenho em campo pode ganhar ainda mais intensidade nas próximas semanas.
“O ritmo da colheita segue avançando, com desempenho superior ao da safra passada e próximo da média histórica. Caso o clima permaneça favorável, a tendência é de aceleração dos trabalhos e consolidação de um cenário de boa produtividade”, afirma.
Custos da safra 2026/27 sobem até 15% e pressionam planejamento
Enquanto a colheita da safra atual avança, o produtor já observa um cenário de aumento significativo nos custos para o próximo ciclo. De acordo com o Projeto Custo de Produção Agropecuário (CPA), desenvolvido pelo Senar-MT em parceria com o Imea, o custeio da safra 2026/27 foi estimado em R$ 3.799,42 por hectare em maio, alta de 14,46% em relação à safra 2025/26.
O Custo Operacional Efetivo (COE) também apresentou avanço relevante, projetado em R$ 5.528,49 por hectare, crescimento de 15,03% na comparação anual. Considerando a produtividade estimada de 120,28 sacas por hectare, o ponto de equilíbrio para cobrir o COE exige preço mínimo de R$ 45,96 por saca.
Já o Custo Total (CT) foi estimado em R$ 7.418,49 por hectare, aumento de 10,30% frente ao ciclo anterior, reforçando o desafio de rentabilidade no médio prazo.
El Niño entra no radar e pode afetar janela do milho
Além da pressão de custos, o planejamento da safra 2026/27 também exige atenção aos efeitos climáticos, especialmente em relação ao fenômeno El Niño.
Segundo o Imea, o impacto indireto sobre o milho ocorre principalmente via cultura da soja, já que alterações no regime de chuvas podem comprometer o calendário de plantio da oleaginosa e, consequentemente, reduzir a janela ideal para o milho segunda safra.
Para a especialista, o cenário exige estratégia mais cautelosa por parte dos produtores, especialmente no manejo de risco e no planejamento de compra de insumos.
Cenário combina boa safra atual e alerta para o próximo ciclo
O atual ciclo de milho em Mato Grosso confirma boa performance de campo, com produtividade projetada acima da média histórica e colheita em ritmo consistente. No entanto, o aumento dos custos de produção e as incertezas climáticas para 2026/27 reforçam um ambiente de maior atenção no planejamento agrícola.
A combinação entre custos elevados, dependência climática e necessidade de eficiência operacional deve marcar o próximo ciclo do milho no estado, exigindo maior profissionalização na gestão das propriedades rurais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio

