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Cafés especiais do Brasil podem gerar US$ 252 milhões em negócios na Europa e ampliam presença no mercado internacional

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O setor brasileiro de cafés especiais ampliou sua presença no mercado europeu e projeta resultados expressivos para as exportações. As ações promovidas pelo projeto “Brazil. The Coffee Nation”, desenvolvido pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), devem movimentar aproximadamente US$ 252 milhões em negócios, consolidando a Europa como um dos principais destinos da produção nacional de cafés de alta qualidade.

As iniciativas reuniram 77 empresários brasileiros em missões comerciais na Inglaterra e na Bélgica, além da participação na World of Coffee Brussels, uma das maiores feiras internacionais do segmento. Durante a agenda, foram realizados 1.145 contatos comerciais, dos quais 649 com novos clientes, resultando em US$ 33,1 milhões em negócios fechados durante o evento e expectativa de mais US$ 218,9 milhões em contratos ao longo dos próximos 12 meses.

Missões comerciais fortalecem exportações brasileiras

As missões comerciais contaram com a participação de 25 empresários brasileiros, incluindo nove produtoras integrantes do projeto “Produzido por Elas”, iniciativa da BSCA em parceria com a International Women Coffee Alliance (IWCA), com apoio da ApexBrasil.

Em Londres, a programação incluiu visitas técnicas e comerciais às empresas Notes Coffee, Grind, Mercanta e Coffee Centre, proporcionando intercâmbio de experiências, prospecção de clientes e atualização sobre as tendências do mercado britânico.

Na Bélgica, os empresários participaram de encontros de negócios com empresas como Wide Awake, MOK e Café Capitale, além de um roteiro especializado em Antuérpia conduzido pelo mestre de torra Tom Jansen, cofundador da OR Coffee Roasters. A programação incluiu visitas a importantes cafeterias e torrefações reconhecidas pelo trabalho com cafés especiais e comércio direto com produtores.

World of Coffee impulsiona imagem do café brasileiro

Entre os dias 26 e 28 de junho, a delegação brasileira participou da World of Coffee Brussels, considerada um dos principais eventos globais da cadeia de cafés especiais.

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O Brasil contou com um estande estrategicamente localizado, reunindo espaço para rodadas de negócios, brew bar para degustação de cafés especiais de diversas regiões produtoras e uma sala exclusiva para sessões de cupping com cafés de associados da BSCA, incluindo amostras produzidas por mulheres participantes do projeto “Produzido por Elas”.

Segundo o diretor-executivo da BSCA, Vinicius Estrela, os resultados demonstram a relevância da estratégia brasileira de promoção comercial no continente europeu.

A Europa permanece como o principal parceiro comercial dos cafés especiais brasileiros e as ações desenvolvidas pelo projeto buscam ampliar negócios, fortalecer a presença nacional e consolidar a reputação do Brasil como fornecedor de cafés de alta qualidade.

Acordo com o Coffee Quality Institute amplia capacitação no Brasil

Além dos resultados comerciais, a missão internacional trouxe um avanço importante para a qualificação da cafeicultura brasileira.

A BSCA assinou um Memorando de Entendimento com o Coffee Quality Institute (CQI), tornando-se a representante exclusiva da instituição no Brasil para oferta dos programas educacionais da organização.

A parceria permitirá ampliar o acesso de produtores e profissionais brasileiros aos treinamentos, certificações e metodologias internacionais voltadas ao processamento e à qualidade dos cafés especiais.

Segundo o CEO do CQI, Michael Sheridan, o objetivo é expandir significativamente o acesso à educação especializada no Brasil, tornando os cursos mais acessíveis e formando um número maior de instrutores brasileiros para ministrar os treinamentos em português.

Para o presidente da BSCA, Luiz Roberto Saldanha, o acordo representa um marco para a cafeicultura nacional ao permitir que produtores de diferentes portes e regiões tenham acesso a conhecimentos considerados referência mundial em processamento de cafés especiais.

A expectativa é que a disseminação dessas tecnologias contribua para elevar ainda mais a qualidade, a consistência e a competitividade do café brasileiro no mercado internacional.

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Brasil também ganha destaque nos campeonatos mundiais

A participação brasileira na World of Coffee Brussels também foi marcada pelo desempenho em importantes competições internacionais promovidas durante o evento.

A gerente técnica da BSCA, Carolina Franco, atuou como juíza sensorial no Campeonato Mundial de Brewers Cup e, devido ao desempenho durante as etapas classificatórias, foi convidada para integrar o painel de jurados das finais da competição.

Na disputa entre os baristas, a brasileira Juliana Morgado representou o país levando aos jurados uma apresentação inspirada na diversidade da cafeicultura nacional e no protagonismo feminino na produção de cafés especiais, valorizando toda a cadeia produtiva brasileira.

O Brasil também esteve presente no Campeonato Mundial de Torra de Café com Fábio Milan, o mais jovem campeão brasileiro da modalidade, que apresentou técnicas e conhecimentos científicos sobre o processo de torra.

Já no Campeonato Mundial de Coffee in Good Spirits (CIGS), o barista Léo Oliva representou novamente o país com uma apresentação inspirada na cultura brasileira, utilizando sabores típicos das festas juninas para destacar a versatilidade dos cafés especiais nacionais.

Europa segue como mercado estratégico para os cafés especiais

Os resultados alcançados pelas missões comerciais reforçam a importância da Europa para as exportações brasileiras de cafés especiais. Além da abertura de novos mercados, as iniciativas ampliam o relacionamento com compradores internacionais, fortalecem a imagem do Brasil como referência em qualidade e agregam valor à produção nacional.

Com perspectivas de movimentar cerca de US$ 252 milhões em negócios e novos investimentos em capacitação técnica, o setor consolida sua estratégia de expansão internacional e amplia sua competitividade em um mercado cada vez mais exigente e voltado à qualidade do produto.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Reforma tributária aprovada em 2023 ainda cria incertezas sobre custo do frete

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O debate em torno da reforma tributária atingiu um ponto crítico para o setor logístico que atende o campo. De um lado, transportadoras projetam um aumento expressivo na carga de impostos com as novas regras; de outro, o governo federal sustenta que o novo sistema, baseado no Imposto sobre Valor Agregado (IVA), trará equilíbrio e simplificação. O que está em jogo é o custo final do frete que chega à porteira do produtor.

A questão é que apesar da Reforma Tributária tenha sido aprovada no final de 2023, ainda não está em vigor na sua totalidade. O Brasil vive atualmente a fase de regulamentação, onde o Congresso debate as leis complementares que vão definir, na prática, como o imposto será calculado e cobrado. É exatamente por isso que o setor logístico intensificou as discussões em Brasília agora: é nesta etapa final que as ‘regras do jogo’ — como alíquotas específicas e regimes de crédito — são definidas antes da implementação definitiva do novo sistema.

O ponto de tensão surgiu após a divulgação de um estudo da consultoria Rumo Brasil, que estima uma possível alta de 414,44% na carga tributária das empresas de transporte. O número, que vem sendo utilizado pelo setor em negociações em Brasília, baseia-se na preocupação com o fim de regimes de créditos tributários que as transportadoras utilizam hoje para abater custos operacionais. Segundo as empresas, sem esses créditos, o valor do imposto sobre a operação subiria drasticamente.

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O governo, por sua vez, contesta esse cenário de “explosão de custos”. A equipe econômica argumenta que o novo sistema tributário permite o aproveitamento de créditos sobre todos os insumos e serviços utilizados na operação logística, o que, em tese, eliminaria o efeito cascata do imposto atual. Para o Executivo, o aumento projetado por consultorias ignora a nova lógica de compensação, que visa tornar a carga mais transparente e uniforme.

O impacto na ponta

Para o agricultor e o pecuarista, a disputa técnica tem um impacto direto no bolso. A logística é um dos componentes principais na formação do preço das commodities: se o custo do frete sobe, o lucro do produtor é afetado. Isso ocorre de duas formas:

  1. Vendas FOB: Quando o produtor arca com o frete, qualquer aumento na tabela das transportadoras é uma redução imediata na margem de lucro da sua produção.

  2. Insumos: O frete também incide sobre o custo dos fertilizantes, sementes e rações que chegam à fazenda. Se a logística fica mais cara para o transportador, esse custo é repassado ao longo da cadeia.

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Ainda não há um consenso sobre como essas novas regras serão aplicadas na prática. Enquanto as transportadoras pressionam o Congresso por alíquotas diferenciadas ou regimes especiais para evitar o aumento do imposto, o governo tenta manter a estrutura central da reforma para garantir a prometida simplificação.

Para o produtor rural, o cenário atual é de espera e cautela. A definição de como ficará o custo tributário do frete será fundamental para o planejamento das próximas safras e para a manutenção da competitividade do produto brasileiro, que já enfrenta os desafios históricos de uma logística rodoviária de longas distâncias.

Fonte: Pensar Agro

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