AGRONEGOCIOS
Dólar forte, clima extremo e geopolítica devem definir mercado das commodities no segundo semestre, aponta StoneX
AGRONEGOCIOS
O mercado global de commodities deve enfrentar um segundo semestre marcado por alta volatilidade, dólar fortalecido, incertezas geopolíticas e riscos climáticos, segundo a nova edição do Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities da StoneX.
O estudo aponta que os principais vetores para os preços internacionais no terceiro trimestre de 2026 serão os desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio, a manutenção de políticas monetárias restritivas nas principais economias, o comportamento da moeda norte-americana e a possibilidade de ocorrência de um evento climático de grande intensidade associado ao fenômeno El Niño.
Elaborado pela equipe de Inteligência de Mercado da StoneX Brasil, em colaboração com especialistas internacionais da empresa, o relatório reúne projeções para os mercados de grãos e oleaginosas, fertilizantes, energia, soft commodities, metais e câmbio, oferecendo uma visão integrada dos fatores que podem afetar custos, margens e decisões estratégicas das cadeias produtivas.
Clima nos Estados Unidos será fator decisivo para preços agrícolas
No mercado de grãos e oleaginosas, a StoneX avalia que, apesar de um cenário confortável de oferta no curto prazo, as cotações devem permanecer altamente dependentes do desenvolvimento das lavouras norte-americanas.
O início do verão nos Estados Unidos, marcado por temperaturas elevadas em importantes regiões produtoras, aumentou a preocupação dos agentes do mercado sobre possíveis impactos na produtividade das culturas.
A atenção está concentrada principalmente sobre as condições das lavouras de soja e milho, já que qualquer redução no potencial produtivo da safra americana pode alterar o equilíbrio global de oferta e demanda.
Além do clima, os custos de produção continuam no radar dos produtores. A valorização dos fertilizantes e da energia pode influenciar decisões de plantio para a próxima temporada no Hemisfério Sul.
Fertilizantes devem encontrar novo equilíbrio com retomada da oferta
No segmento de fertilizantes, a StoneX aponta que a retomada das exportações chinesas de ureia e a redução das tensões no Oriente Médio podem contribuir para um ambiente mais favorável aos compradores.
Entretanto, a recuperação deverá ocorrer de maneira desigual entre os diferentes nutrientes.
Os fertilizantes nitrogenados devem continuar sustentados pela demanda internacional, principalmente de grandes consumidores como Brasil e Índia.
Já os fosfatados permanecem sob pressão devido às limitações na oferta de enxofre e aos custos ainda elevados de produção, mantendo o mercado atento aos movimentos internacionais.
Petróleo segue pressionado por conflitos e recuperação gradual da oferta
No setor energético, a guerra envolvendo o Irã continua como um dos principais fatores de risco para o mercado de petróleo.
Apesar da recente acomodação dos preços, a recuperação da oferta global ocorre em ritmo gradual, enquanto a demanda permanece apoiada pelo crescimento do consumo asiático e pela atividade elevada das refinarias norte-americanas.
Segundo a StoneX, esse equilíbrio mais apertado entre oferta e demanda pode manter o petróleo sujeito a oscilações importantes durante o segundo semestre.
Café, açúcar, algodão e cacau terão comportamentos diferentes
Entre as chamadas soft commodities, o relatório destaca cenários distintos para cada mercado.
No algodão, a combinação entre menor produção mundial e recuperação da demanda asiática pode oferecer suporte às cotações.
No café, a entrada da safra recorde brasileira tende a ampliar a disponibilidade global e pressionar os preços, mas estoques reduzidos, atrasos na colheita e riscos climáticos continuam funcionando como fatores de sustentação.
Para o açúcar, a StoneX aponta que a oferta confortável do Centro-Sul brasileiro deve limitar altas mais expressivas, enquanto o mercado de cacau começa a apresentar sinais de maior equilíbrio com a recuperação da produção na África Ocidental.
Mesmo assim, a volatilidade permanece como característica predominante nos mercados agrícolas.
Metais acompanham juros, dólar e transição energética
Nos metais preciosos, ouro e prata continuam sensíveis ao ambiente geopolítico e às decisões do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos.
A política monetária norte-americana seguirá sendo um dos principais elementos para determinar o fluxo de investimentos nesses ativos.
Já os metais industriais encontram suporte na expansão de setores ligados à inteligência artificial, transição energética e formação de estoques estratégicos.
Por outro lado, juros elevados, dólar valorizado e sinais de desaceleração da economia global podem limitar avanços mais fortes nos preços.
Dólar forte deve influenciar commodities e custos no Brasil
No mercado cambial, a StoneX avalia que o diferencial de juros entre Estados Unidos e Brasil continuará sendo um dos principais fatores de influência sobre o dólar.
A possibilidade de manutenção dos juros americanos em níveis elevados, combinada com expectativas de redução da taxa Selic brasileira, tende a favorecer a valorização da moeda norte-americana frente ao real.
Esse movimento pode impactar diretamente os mercados agrícolas brasileiros, influenciando custos de produção, preços de exportação e formação das cotações internas.
“O fortalecimento do dólar e a perspectiva climática para a safra 2026/27 são dois temas que merecem atenção especial neste trimestre, pois podem gerar impactos relevantes sobre custos, margens e formação de preços nas diferentes cadeias de commodities”, destacou Vitor Andrioli, gerente de Inteligência de Mercado da StoneX.
Commodities entram no segundo semestre com cenário de maior risco
Com mercados influenciados simultaneamente por clima, juros, câmbio e geopolítica, a expectativa é de um período de maior volatilidade para as commodities globais.
A StoneX reforça que empresas, produtores e participantes das cadeias produtivas precisarão acompanhar de perto os indicadores internacionais para identificar riscos e oportunidades em um ambiente de rápidas mudanças.
Publicado desde 2015, o Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities reúne análises da equipe de Inteligência de Mercado da StoneX Brasil com participação de especialistas dos Estados Unidos, China, Reino Unido, Argentina e Paraguai, oferecendo uma visão estratégica sobre os principais mercados globais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGOCIOS
Chocolates brasileiros conquistam espaço na Argentina e ampliam oportunidades para o cacau nacional
O Brasil deu mais um passo na estratégia de expansão das exportações de produtos agroindustriais de maior valor agregado ao participar da La Chocolaterie, principal feira do setor de chocolates da Argentina. Realizado nos dias 27 e 28 de junho, em Buenos Aires, o evento reuniu 15 empresas brasileiras interessadas em ampliar sua presença no mercado argentino por meio da promoção de chocolates, derivados de cacau e insumos destinados à indústria alimentícia.
A ação foi coordenada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), e integrou a política de promoção internacional do agronegócio brasileiro, voltada à abertura de mercados e ao fortalecimento das exportações com maior valor agregado.
Feira fortalece negócios entre Brasil e Argentina
Durante a La Chocolaterie, o estande brasileiro recebeu importadores, distribuidores, redes varejistas, fabricantes e profissionais do setor interessados em conhecer a diversidade da produção nacional.
As empresas participantes representaram todas as regiões do Brasil e apresentaram desde chocolates premium até derivados de cacau destinados à indústria alimentícia, ampliando as oportunidades de negócios com compradores argentinos.
A participação na feira reforça a estratégia brasileira de diversificar a pauta exportadora do agronegócio, agregando valor às matérias-primas produzidas no país.
Produtos destacam biodiversidade e inovação da indústria brasileira
Os visitantes tiveram acesso a uma ampla variedade de chocolates elaborados com ingredientes típicos da biodiversidade brasileira, evidenciando o potencial da indústria nacional em desenvolver produtos diferenciados.
Entre os destaques estiveram chocolates produzidos com cupuaçu, cumaru e baru, além de combinações inovadoras com capim-limão, laranja, baunilha, chás e queijo vegano com cacau.
A diversidade de sabores e ingredientes chamou a atenção dos compradores e reforçou a identidade dos produtos brasileiros no segmento de alimentos premium.
Rodada de negócios amplia contatos comerciais
Após a feira, a missão comercial foi concluída com uma rodada de negócios realizada em Buenos Aires, organizada pela adida agrícola do Brasil na Argentina, Juçara Duarte, e pela diretora de Promoção do Agronegócio da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais, Angela Peres, em parceria com o Setor Comercial da Embaixada do Brasil.
O encontro reuniu representantes de cafeterias, redes varejistas, distribuidores, importadores de chocolates finos e fabricantes argentinos interessados na aquisição de matérias-primas brasileiras, como pó e manteiga de cacau.
A agenda permitiu dar continuidade às negociações iniciadas durante a feira, aproximando empresas dos dois países e ampliando as perspectivas de novos contratos comerciais.
Argentina é mercado estratégico para o agronegócio brasileiro
A Argentina ocupa posição de destaque entre os principais destinos das exportações agropecuárias brasileiras na América Latina.
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, o país é o segundo maior importador de produtos do agronegócio brasileiro na região, atrás apenas do Chile. No último ano, as compras argentinas superaram US$ 2 bilhões, com destaque para produtos florestais, proteínas animais e derivados de cacau.
O desempenho reforça a importância do mercado argentino para empresas brasileiras que buscam ampliar sua atuação internacional.
Promoção internacional fortalece exportações de maior valor agregado
A participação brasileira na La Chocolaterie faz parte da estratégia do Governo Federal de incentivar a internacionalização da agroindústria nacional, promovendo produtos que vão além da exportação de commodities.
Ao apoiar empresas em feiras internacionais e rodadas de negócios, o Ministério da Agricultura e Pecuária busca ampliar a presença dos produtos brasileiros em mercados estratégicos, estimular a agregação de valor às exportações e fortalecer a competitividade da cadeia produtiva do cacau e do chocolate.
Com o aumento da demanda por alimentos diferenciados e produtos premium, a expectativa é que iniciativas como essa contribuam para consolidar o Brasil como fornecedor de chocolates e derivados de cacau de alta qualidade, ampliando oportunidades para a indústria e para os produtores ligados à cadeia cacaueira.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio


