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Mercado externo absorve mais 6,3 milhões de toneladas de soja brasileira
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Os compradores internacionais absorveram 6,3 milhões de toneladas de soja brasileira a mais entre janeiro e setembro deste ano do que no mesmo período de 2025. Segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), os embarques passaram de 95,1 milhões para 101,4 milhões de toneladas, avanço de 6,6%. O resultado mantém a perspectiva de exportar 114 milhões de toneladas até dezembro.
A expansão das vendas encontra reforço nos produtos do processamento da oleaginosa. A programação portuária para outubro prevê o embarque de 2,09 milhões de toneladas de farelo de soja, utilizado na alimentação animal, volume 20,9% superior ao registrado um ano antes. Com essas cargas, o acumulado de janeiro a outubro poderá atingir 21,4 milhões de toneladas, crescimento de 11,9%.
Para a cadeia produtiva, a previsão indica espaço para ampliar as vendas do grão depois de seu processamento pela indústria. Enquanto a soja em grão tem na China seu principal comprador, com 70% dos embarques até setembro, o farelo encontra na Indonésia seu maior destino, responsável por 17% das compras. Países Baixos e Tailândia recebem outros 11% cada.
Dentro do Brasil, outra revisão favorece as perspectivas de escoamento da produção. A estimativa de consumo de milho em 2026 foi elevada de 95 milhões para 98,2 milhões de toneladas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), conforme os dados apresentados no informativo da Anec. A diferença acrescenta 3,2 milhões de toneladas à demanda anteriormente projetada.
Esse mercado ganha importância para o produtor diante de exportações de milho inferiores às de 2025. Para outubro, estão programadas 5,34 milhões de toneladas, praticamente o mesmo volume de setembro, mas 6,2% abaixo do embarcado em outubro do ano passado. A demanda doméstica mais elevada oferece uma frente adicional para a comercialização do cereal.
A oferta disponível já reflete o encerramento da colheita da segunda safra, que alcançou 99,9% da área. A estimativa de produção total de milho citada no documento é de 144 milhões de toneladas na temporada 2025/26.
Na soja, o ritmo acumulado permite ao país manter crescimento anual mesmo com a redução sazonal das cargas nesta etapa do calendário. Após embarcar 7,11 milhões de toneladas em setembro, o Brasil tem 6,18 milhões programadas para outubro. Se realizadas, essas operações levarão o total do ano a 107,58 milhões de toneladas, cerca de 6% acima do resultado dos dez primeiros meses de 2025.
A entrada da safra norte-americana amplia a concorrência, e as compras chinesas para entrega imediata seguem mais cautelosas. Os volumes previstos para outubro ainda dependem da execução do calendário de navios e das condições operacionais dos portos.
A comercialização, porém, começa a abrir espaço para a próxima colheita. Os negócios com soja brasileira para entrega em 2027 ganharam força, apoiados por condições mais favoráveis ao processamento futuro do grão pelos compradores. O movimento amplia as oportunidades de negociação para os produtores que iniciam o novo ciclo de plantio.
Fonte: Pensar Agro
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Missão do MPA com o Cefas, do Reino Unido, aproxima ciência e pesca ornamental na Amazônia
Entre os dias 5 e 8 de outubro, o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) recebeu no Amazonas uma comitiva do Centre for Environment, Fisheries and Aquaculture Science (Cefas), agência científica do governo do Reino Unido, com apoio da Embaixada Britânica. A missão buscou promover o intercâmbio de conhecimentos, apresentar a experiência brasileira na cadeia de peixes ornamentais amazônicos e identificar oportunidades de cooperação. O objetivo é fortalecer a gestão com foco no uso sustentável dos recursos e a cadeia produtiva da pesca ornamental.
A programação incluiu visitas a exportadores de organismos aquáticos ornamentais e ao laboratório da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), em Manaus. Os pesquisadores seguiram depois para Barcelos, no médio Rio Negro, para ver de perto o trabalho dos pescadores.
O secretário nacional de Pesca Industrial, Amadora e Esportiva do MPA, Carlos Mello, acompanhou a missão. Segundo ele, o tema é prioritário para o Ministério. “A pesca ornamental é um assunto extremamente importante para o nosso Ministério. Envolve não apenas o aspecto econômico, mas também o aspecto social: dar visibilidade, fazer conexões, levar o conhecimento local”, afirmou.
Mello explicou que a missão reuniu gestores, pesquisadores e representantes do setor produtivo. “O nosso objetivo principal é apresentar os avanços que temos realizado nesse segmento, identificar oportunidades de cooperação científica entre os nossos pesquisadores e os do Reino Unido e fazer um intercâmbio entre os saberes populares e os saberes acadêmicos”, disse. Ele destacou ainda que o conhecimento gerado em campo é essencial para as políticas públicas: “são dados fundamentais para subsidiar qualquer política pública”.
Ciência em campo
Para o professor Leopoldo Barreto, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e coordenador do Grupo Técnico-Científico do CPG Ornamentais, a vivência em Barcelos permite compreender a realidade dos pescadores. “Conhecer a realidade do campo se faz necessário para entender toda a dinâmica que o pescador vivencia no dia a dia. Estando aqui, podemos não só entender, mas também aprender com eles”, disse.
Ele ressaltou a importância da pesca sustentável para toda a cadeia: “Quando o pescador tem a possibilidade de pescar de forma sustentável e entregar o peixe ao distribuidor, os elos da cadeia se fecham.” Sobre a presença dos britânicos, afirmou que “receber esses cientistas abre portas para a troca de experiências, de expertise, de know-how”. Entre os integrantes da comitiva há especialistas em sustentabilidade e parasitologia, áreas ligadas à qualidade do peixe que sai do Amazonas para o mundo.
A professora Kedma Yamamoto, da UFAM, também destacou o encontro. “Foi um momento muito rico, muito importante para a gente trocar ideias, mostrar as nossas pesquisas e trazer esses pesquisadores para conhecerem a nossa realidade”, afirmou. Ela lembrou que se trata de “uma pesca familiar, que necessita de vários olhares”, e espera que o encontro gere “parcerias que venham a contribuir com o setor”.
Barcelos e a pesca artesanal
Conhecido como a “capital do peixe ornamental”, Barcelos concentra boa parte da atividade no Rio Negro. A pesca é feita por piabeiros, pescadores artesanais, e movimenta famílias, comércio e a cultura local, como o tradicional Festival do Peixe Ornamental. Estimativas apontam mais de 40 milhões de peixes exportados por ano pela região, destes 80% são da especie cardinal, com isto mais de mil famílias são envolvidas na pesca, no transporte e no comércio. Em todo o Amazonas, a Embrapa estima cerca de 2,3 mil famílias, quase 13 mil pessoas, ligadas à atividade.
Élen Gorski
Ministério da Pesca e Aquicultura
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