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Acordo Mercosul-União Europeia amplia acesso do Brasil ao comércio mundial e fortalece indústria nacional, aponta CNI
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Brasil amplia presença no comércio global com o Acordo Mercosul–UE
O Acordo de Associação entre Mercosul e União Europeia, assinado no sábado (17) em Assunção, no Paraguai, representa um marco histórico na integração econômica do Brasil com o mundo.
Segundo um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o tratado amplia de 8% para 36% o alcance do Brasil no comércio global, considerando que a União Europeia foi responsável por 28% das trocas internacionais em 2024.
A análise mostra que a formalização do acordo é uma virada estratégica para a indústria brasileira, ampliando o acesso a novos mercados e fortalecendo a competitividade do país.
Mais produtos brasileiros terão acesso sem tarifas à União Europeia
De acordo com a CNI, 54,3% dos produtos exportados pelo Mercosul – o equivalente a mais de 5 mil itens – terão tarifas zeradas imediatamente após o início da vigência do acordo.
No sentido oposto, o Brasil e os demais países do bloco sul-americano terão entre 10 e 15 anos para reduzir as tarifas de 44,1% dos produtos importados (cerca de 4,4 mil itens), garantindo transição gradual e previsível.
Na média, o Brasil terá oito anos a mais que a União Europeia para se adaptar às reduções tarifárias, o que assegura tempo para ajustes na produção e na competitividade da indústria nacional.
Acordo representa marco histórico para a indústria brasileira
Após mais de 25 anos de negociações, o acordo é considerado o mais amplo e moderno já firmado pelo Mercosul, indo além da eliminação de tarifas.
O texto inclui regras de transparência, facilitação de investimentos, inovação e sustentabilidade, criando um ambiente mais seguro para negócios e geração de empregos.
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, a assinatura é um passo decisivo para reposicionar o Brasil no comércio internacional.
“O acordo é a decisão comercial mais importante para a indústria brasileira em décadas. Ele garante acesso imediato ao mercado europeu, tempo de adaptação para a indústria nacional e reposiciona o país em um cenário de diversificação de parceiros”, afirmou Alban.
Exportações ganham impulso e setor agroindustrial será beneficiado
Com base nos dados de 2024, 82,7% das exportações brasileiras para a União Europeia passarão a entrar no bloco sem tarifas assim que o acordo entrar em vigor.
Por outro lado, o Brasil zerará de imediato apenas 15,1% das importações europeias, o que demonstra vantagem competitiva para o país.
Além disso, apenas 0,9% das exportações nacionais terão que aguardar dez anos para atingir tarifa zero, enquanto 56,7% das importações europeias só serão isentas após uma década ou mais.
No agronegócio, as cotas negociadas foram consideradas altamente positivas. No caso da carne bovina, o volume concedido pela União Europeia é mais que o dobro do oferecido ao Canadá e quatro vezes maior que o destinado ao México. Já as cotas de arroz superam o volume atualmente exportado pelo Brasil ao bloco, ampliando o potencial de acesso do setor agrícola.
Acordo abre caminho para inovação e cooperação tecnológica
O tratado cria novas oportunidades de cooperação entre Brasil e Europa em áreas como sustentabilidade, descarbonização industrial e inovação tecnológica.
Entre as frentes de destaque estão:
- Captura e uso de carbono (CCUS);
- Eletrificação com hidrogênio de baixa emissão;
- Reciclagem de baterias e minerais críticos;
- Motores híbrido-flex;
- Desenvolvimento de bioinsumos agrícolas.
Essas iniciativas reforçam o compromisso com uma economia de baixo carbono e ajudam a modernizar o parque industrial brasileiro, tornando-o mais competitivo no cenário internacional.
Investimentos europeus devem impulsionar modernização industrial
Com o novo acordo, espera-se um aumento expressivo dos investimentos europeus no Brasil, principalmente nos setores industrial, químico, automotivo e de equipamentos.
Historicamente, países como Alemanha, França, Suécia e Itália foram fundamentais na consolidação da base industrial brasileira, e o novo tratado deve reativar essas parcerias após anos de estagnação.
A CNI acredita que a retomada do fluxo de capital e tecnologia pode gerar novas cadeias produtivas e impulsionar a produtividade nacional.
CNI teve papel decisivo nas negociações
Durante todo o processo de negociação, a Confederação Nacional da Indústria participou ativamente da construção de um consenso no setor produtivo, por meio da Coalizão Empresarial Brasileira (CEB).
A entidade lançou o Manual do Acordo de Parceria Mercosul–UE e a Cartilha sobre o Regime de Origem, materiais que explicam os compromissos firmados e orientam as empresas sobre como aproveitar os benefícios tarifários previstos no tratado.
Comércio bilateral reforça papel estratégico da União Europeia
Em 2024, a União Europeia foi o segundo maior parceiro comercial do Brasil, destino de US$ 48,2 bilhões em exportações – 14,3% do total. O bloco também respondeu por US$ 47,2 bilhões em importações, o equivalente a 17,9% do total brasileiro.
O comércio entre os blocos é fortemente industrializado:
- 98,4% das importações brasileiras vindas da UE foram de produtos da indústria de transformação;
- 46,3% das exportações do Brasil para o bloco foram de bens industriais.
Além disso, a UE foi responsável por 31,6% do estoque de investimento estrangeiro no Brasil em 2023, somando US$ 321,4 bilhões. O Brasil, por sua vez, foi o maior investidor latino-americano no bloco europeu, com 63,9% dos investimentos externos brasileiros destinados à região.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Exportações do agronegócio de Minas Gerais alcançam US$ 5,8 bilhões e mantêm estado entre líderes nacionais
As exportações do agronegócio de Minas Gerais somaram US$ 5,8 bilhões entre janeiro e abril de 2026, consolidando o estado entre os três maiores exportadores do setor no Brasil. No período, foram embarcadas 4,8 milhões de toneladas de produtos agropecuários para mais de 160 países.
Apesar da retração de 11,9% no valor exportado e de 9,3% no volume em comparação ao mesmo período de 2025, Minas Gerais respondeu por 10,6% das exportações do agronegócio brasileiro, mantendo posição de destaque no comércio exterior nacional.
Segundo análise da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), a redução está concentrada em segmentos específicos de grande representatividade, especialmente café e complexo sucroalcooleiro, enquanto diversas outras cadeias produtivas apresentaram crescimento.
Diversificação fortalece desempenho do agro mineiro
De acordo com a assessora técnica da Seapa, Manoela Teixeira, o resultado evidencia o avanço da diversificação das exportações do estado.
Segmentos como carnes, sementes, algodão, papel, animais vivos, couros, frutas e bebidas registraram desempenho positivo, contribuindo para ampliar a presença de Minas Gerais em diferentes mercados internacionais.
O estado também mantém liderança em importantes cadeias exportadoras. No primeiro quadrimestre, Minas respondeu por:
- 71% das exportações brasileiras de café;
- 30,5% dos produtos apícolas;
- 20,4% dos lácteos;
- 12,8% das rações para animais;
- 11,9% dos produtos hortícolas, leguminosas, raízes e tubérculos.
Ao todo, mais de 500 produtos diferentes foram comercializados no mercado internacional durante o período.
Café continua liderando exportações
O café permaneceu como principal produto da pauta exportadora mineira, gerando receita de US$ 3,2 bilhões.
Foram embarcadas aproximadamente 7,4 milhões de sacas ao exterior, porém o segmento registrou retração de 17,5% em valor e de 26% em volume na comparação com o primeiro quadrimestre do ano anterior.
Mesmo com a queda, o produto continua sendo o principal responsável pelo desempenho do agronegócio estadual e pela forte presença mineira no comércio internacional.
Complexo soja mantém segunda posição
O complexo soja, formado por grãos, farelo e óleo, ocupou a segunda colocação entre os produtos mais exportados pelo estado.
As vendas externas totalizaram US$ 1,14 bilhão, com embarques de 2,71 milhões de toneladas.
Em relação ao mesmo período de 2025, houve redução de 2,8% na receita e de 8,9% no volume exportado.
Carnes lideram crescimento entre os principais setores
O grande destaque positivo do quadrimestre foi o segmento de carnes bovina, suína e de frango.
As exportações do setor alcançaram US$ 576,7 milhões e 160 mil toneladas, representando crescimento de 8,2% em valor e de 0,7% em volume.
A valorização da carne bovina no mercado internacional foi um dos principais fatores responsáveis pelo avanço da receita, reforçando a importância do segmento na pauta exportadora mineira.
Complexo sucroalcooleiro registra retração
As exportações do complexo sucroalcooleiro somaram US$ 268,7 milhões entre janeiro e abril.
O resultado representa queda de 22,9% na receita e recuo de 2,7% no volume embarcado em comparação ao mesmo período do ano passado.
A redução do valor médio da tonelada exportada foi um dos fatores que mais contribuíram para o desempenho negativo do setor.
União Europeia permanece principal destino
A União Europeia consolidou-se como o principal mercado para os produtos do agronegócio mineiro.
O bloco econômico importou US$ 1,7 bilhão em produtos do estado no primeiro quadrimestre, equivalente a 29,6% de toda a pauta exportadora do agro mineiro.
Na comparação anual, houve queda moderada de 2,9% no valor e de 2,5% no volume embarcado.
O café continua dominando as vendas para o mercado europeu, representando 94,4% do valor exportado ao bloco.
Por outro lado, alguns segmentos vêm ampliando sua participação. Os produtos florestais registraram crescimento de 42,8% na receita, enquanto as exportações de carnes mais que dobraram, indicando oportunidades de diversificação e agregação de valor.
Mercosul amplia volume importado
Os países do Mercosul — Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia — adquiriram US$ 82 milhões em produtos do agronegócio mineiro no período.
Embora a receita tenha recuado 2,1%, o volume exportado cresceu 10,1%, refletindo ajustes nos preços médios dos produtos comercializados.
A Argentina respondeu por 63,2% das compras do bloco, seguida por Uruguai, Paraguai e Bolívia.
Diferentemente da União Europeia, a pauta exportadora para o Mercosul apresenta maior diversidade. O café representa 38,3% das vendas, seguido por cacau e derivados, carnes, produtos vegetais, hortaliças, tubérculos, produtos florestais e alimentos processados.
Essa característica amplia as oportunidades para a indústria agroalimentar mineira, especialmente em segmentos de maior valor agregado, como bebidas, chocolates, lácteos e cafés especiais.
Perspectiva
Mesmo diante da retração observada no primeiro quadrimestre, Minas Gerais mantém posição estratégica no comércio exterior do agronegócio brasileiro. A força do café, o avanço das exportações de carnes e a crescente diversificação da pauta exportadora reforçam a competitividade do estado e ampliam as oportunidades de crescimento em mercados internacionais cada vez mais exigentes.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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