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Açúcar sobe nas bolsas internacionais após revisão negativa da produção no Brasil

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Os contratos futuros do açúcar encerraram a sessão de quarta-feira (26) em alta nas bolsas internacionais, refletindo a nova projeção da StoneX, que revisou para baixo a estimativa de produção da commodity no Brasil — o maior produtor e exportador mundial.

De acordo com a consultoria, a safra 2026/27 deve alcançar 41,5 milhões de toneladas, volume inferior à projeção anterior de 42,1 milhões de toneladas. A perspectiva de menor oferta reforçou o movimento de recuperação nos preços internacionais, em um momento de maior atenção às condições climáticas no Centro-Sul do país.

Nova York e Londres registram altas em todos os contratos futuros

Na ICE Futures, de Nova York, o açúcar bruto teve valorização generalizada. O contrato março/26 subiu 23 pontos, negociado a 15,14 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o maio/26 avançou o mesmo percentual, cotado a 14,68 cts/lb. Os demais vencimentos apresentaram ganhos entre 7 e 24 pontos.

Na ICE Futures Europe, em Londres, o açúcar branco também teve alta em todos os vencimentos. O contrato março/26 foi cotado a US$ 433,60 por tonelada, avanço de US$ 5,70 em relação à véspera. Já o maio/26 encerrou a US$ 429,10 por tonelada, com ganho de US$ 5,60.

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Analistas indicam que o otimismo nos mercados internacionais reflete não apenas a revisão da StoneX, mas também preocupações com o clima seco no Brasil, que pode comprometer a próxima safra de cana-de-açúcar.

Condições climáticas preocupam e sustentam tendência de alta

Em entrevista ao Notícias Agrícolas, o analista da Safras & Mercado, Mauricio Muruci, destacou que a redução nas estimativas de produção brasileira é o principal fator de sustentação dos preços.

Segundo ele, há expectativa de chuvas abaixo da média nas áreas canavieiras do Centro-Sul durante a entressafra, especialmente em dezembro de 2025 e janeiro de 2026, quando o volume de precipitação pode ficar até 30% abaixo da média histórica.

“Quando essa informação ganhar mais força no noticiário nacional e internacional, poderemos observar um movimento ainda mais intenso de valorização nos preços do açúcar”, explicou Muruci.

A menor umidade do solo pode afetar o desenvolvimento dos canaviais e, consequentemente, reduzir o rendimento agrícola na próxima temporada.

Mercado interno: açúcar cristal reage e recupera parte das perdas

No mercado doméstico, o açúcar cristal interrompeu quatro dias consecutivos de queda e encerrou a quarta-feira (26) em alta, conforme o Indicador Cepea/Esalq (USP). A saca de 50 kg foi negociada pelas usinas a R$ 106,98, frente aos R$ 105,52 do dia anterior — uma valorização de 1,38%.

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Analistas apontam que a recuperação reflete o repasse das cotações externas e a maior demanda pontual de distribuidores e atacadistas em meio ao período de entressafra.

Etanol hidratado mantém tendência de queda em Paulínia

Enquanto o açúcar reagiu, o etanol hidratado seguiu em baixa no mercado paulista. Segundo o Indicador Diário Paulínia (Cepea/Esalq), o biocombustível foi negociado a R$ 2.956,50 por metro cúbico, frente aos R$ 2.963,50/m³ do dia anterior — uma queda de 0,24%.

O recuo reflete a maior oferta de etanol nas usinas e o menor consumo observado nas últimas semanas, além da influência dos preços internacionais do petróleo, que mantêm o mercado de combustíveis mais contido.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Alta do petróleo e avanço dos biocombustíveis elevam preços internacionais dos alimentos

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A nova alta dos preços internacionais dos alimentos acendeu um alerta, e também abriu oportunidades, para o agronegócio brasileiro. Relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) mostra que os alimentos voltaram a subir em abril, puxados principalmente pelos óleos vegetais, em um movimento diretamente ligado à tensão no Oriente Médio, ao petróleo mais caro e ao avanço global dos biocombustíveis.

O Índice de Preços de Alimentos da FAO subiu 1,6% em abril e atingiu o maior nível desde fevereiro de 2023. Para o produtor brasileiro, porém, o dado mais importante está no comportamento do óleo de soja e das commodities ligadas à energia.

Com o aumento das tensões envolvendo o Irã e os riscos sobre o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz, o mercado internacional passou a precificar possível alta nos combustíveis fósseis. Na prática, petróleo mais caro torna o biodiesel mais competitivo e aumenta a demanda por matérias-primas agrícolas usadas na produção de energia renovável.

É justamente aí que o Brasil ganha relevância. Maior produtor e exportador mundial de soja, o país também ampliou nos últimos anos sua indústria de biodiesel. Com a mistura obrigatória de biodiesel no diesel em níveis mais elevados, cresce a demanda interna por óleo de soja, fortalecendo toda a cadeia produtiva.

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O efeito tende a chegar dentro da porteira. Preços internacionais mais firmes para óleo vegetal ajudam a sustentar as cotações da soja, melhoram margens da indústria e podem aumentar a demanda pelo grão brasileiro nos próximos meses.

Além disso, o cenário fortalece a estratégia de agregação de valor do agro nacional. Em vez de depender apenas da exportação do grão bruto, o Brasil amplia espaço na produção de farelo, óleo e biocombustíveis, segmentos mais ligados à industrialização e geração de renda.

Os cereais também registraram leve alta internacional em abril. Segundo a FAO, preocupações climáticas e custos elevados de fertilizantes continuam influenciando o mercado global de trigo e milho.

Mesmo assim, os estoques mundiais seguem relativamente confortáveis, reduzindo o risco de uma disparada mais intensa nos preços dos grãos neste momento. Outro ponto que interessa diretamente ao produtor brasileiro está na carne bovina. O índice internacional das proteínas animais bateu recorde em abril, impulsionado principalmente pela menor oferta de bovinos prontos para abate no Brasil.

Isso ajuda a sustentar os preços internacionais da proteína brasileira e reforça a competitividade do país em um momento de demanda firme no mercado externo. Na direção oposta, o açúcar caiu quase 5% no mercado internacional diante da expectativa de aumento da oferta global, especialmente por causa da perspectiva de produção elevada no Brasil.

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A FAO também revisou para cima sua projeção para a safra mundial de cereais em 2025, estimada agora em 3,04 bilhões de toneladas — novo recorde histórico. O cenário mostra que o mercado global de alimentos continua abastecido, mas cada vez mais conectado ao comportamento da energia, da geopolítica e dos biocombustíveis. Para o agro brasileiro, isso significa que petróleo, conflitos internacionais e política energética passaram a influenciar diretamente o preço da soja, do milho, da carne e até a rentabilidade dentro da fazenda.

Fonte: Pensar Agro

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