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Agro sustentável em foco: Abapa e Banco do Nordeste discutem financiamento, logística e preservação hídrica na Bahia Farm Show 2025
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Durante o painel “Construindo um Agro Sustentável“, promovido pelo Banco do Nordeste (BNB) no dia 11 de junho, terceiro dia da Bahia Farm Show 2025, a presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Alessandra Zanotto Costa, destacou a importância da sintonia entre produtores, financiadores e poder público para impulsionar os investimentos em práticas sustentáveis no setor agrícola.
Segundo Alessandra, os avanços na sustentabilidade exigem recursos para adequações tecnológicas e certificações, como o programa Algodão Brasileiro Responsável, que conta com mais de 100 critérios rigorosos. “Quando o agricultor busca crédito, ele já validou a viabilidade do negócio e, muitas vezes, já está investindo, confiando que o banco será parceiro nesse processo”, afirmou.
Banco do Nordeste concentra 92,6% do crédito rural da região Oeste da Bahia
Durante o evento, o Banco do Nordeste informou que, por meio de suas agências em Barreiras, Correntina e Luís Eduardo Magalhães, contratou R$ 2,31 bilhões no âmbito do Plano Safra 2024/2025. Esse montante representa 92,6% das operações de crédito rural na região, resultando na geração ou manutenção de 34 mil empregos, aumento de R$ 231 milhões na massa salarial, incremento de R$ 59,2 milhões na arrecadação tributária e elevação de R$ 1,4 bilhão no valor bruto da produção.
Foco em sustentabilidade e inovação: BNB amplia linhas de crédito para o agro
O presidente do Banco do Nordeste, Paulo Câmara, reforçou o papel estratégico da instituição no Cerrado baiano, com investimentos voltados à inovação, irrigação, agroindústria, agricultura de baixo carbono e infraestrutura de armazenagem.
Entre os anúncios feitos, destacam-se:
- Ampliação do limite do Cartão BNB de R$ 10 milhões para R$ 30 milhões;
- Criação de uma central exclusiva de análise de crédito para o agronegócio;
- Lançamento do Giro Flash Agro, linha de capital de giro com crédito pré-aprovado e contratação simplificada.
A expectativa da instituição é financiar mais de R$ 11 bilhões para a agricultura empresarial no Plano Safra 2025/2026 — um crescimento de 15% em relação ao ciclo anterior.
CTR-Oeste debate defesa fitossanitária e sustentabilidade no algodão
A Abapa também participou da Reunião Ordinária da Comissão Técnica Regional do Algodão (CTR-Oeste), dentro da programação da Bahia Farm Show 2025. No encontro, foi apresentada a minuta de uma nova portaria do Projeto Fitossanitário do Algodão, que propõe aprimorar normas de fiscalização e defesa vegetal.
Entre os pontos discutidos estão:
- Inclusão dos conceitos de risco fitossanitário e plantio isca;
- Criação da Região III, abrangendo municípios como Baianópolis, Wanderley e São Desidério;
- Proposta de campanha de conscientização sobre contaminação de gesso e calcário com caroço de algodão, visando reduzir a presença de tigueras e pragas.
A reunião contou com a presença do novo secretário da Agricultura da Bahia, Pablo Barrozo, que destacou o papel da cooperação institucional na promoção de uma produção mais eficiente e sustentável.
Exportação de algodão: Abapa e Porto do Pecém avançam em plano logístico
Durante a feira, a Abapa também se reuniu com representantes do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CE) para debater a viabilidade de um plano de trabalho que permita a estufagem de até 70 contêineres de algodão por semana. A ideia é consolidar o Porto do Pecém como alternativa logística à exportação da fibra produzida no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), especialmente para o mercado asiático.
A iniciativa inclui a utilização do frete de retorno com insumos, reduzindo custos e diminuindo a dependência do escoamento via o Porto de Santos (SP).
Monitoramento hídrico: Abapa apoia ampliação da rede no Aquífero Urucuia
Outro destaque da atuação da Abapa na Bahia Farm Show 2025 foi a assinatura de um termo de cooperação entre a Aiba (Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia) e o Inema (Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos), com o objetivo de ampliar o monitoramento do Aquífero Urucuia.
O acordo prevê a instalação de cerca de 47 pontos de monitoramento subterrâneo e telemétrico no Oeste da Bahia, região que abriga cerca de 80% do aquífero. Os dados coletados serão fundamentais para a gestão hídrica e a conservação dos recursos naturais da área, conhecida como “Chapadão do Urucuia”.
A Abapa já havia apoiado, em 2024, o Projeto de Estudo do Potencial Hídrico da região, em parceria com universidades, incluindo a UFV (Universidade Federal de Viçosa), visando aprofundar o conhecimento sobre a dinâmica hidrogeológica do aquífero, essencial para a manutenção dos rios e nascentes da bacia do Rio São Francisco.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Mercado de sementes de R$ 47 bilhões abre congresso hoje
Um mercado estimado em R$ 47,3 bilhões e decisivo para a produtividade das lavouras estará no centro do 23º Congresso Brasileiro de Sementes, que começa nesta terça-feira (25.08), em Foz do Iguaçu (640 km da capital, Curitiba), no Paraná. O encontro prossegue até sexta-feira (28) com debates sobre custos, genética, biotecnologia, qualidade, armazenamento e combate à comercialização clandestina.
O congresso ocorre em um momento de margens apertadas nas principais culturas e de aumento da preocupação com o custo da implantação das lavouras. Para o produtor, a escolha da semente interfere no potencial produtivo, na população de plantas, na resistência a doenças, na adaptação climática e na eficiência dos investimentos realizados durante todo o ciclo.
Estimativas da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), elaboradas com base na safra 2024/25, mostram que o mercado nacional de sementes certificadas das principais culturas movimenta R$ 47,3 bilhões. A soja responde por R$ 27,6 bilhões, ou aproximadamente 58% desse total.
O milho ocupa a segunda posição, com R$ 14,5 bilhões. Na sequência aparecem algodão, com R$ 2,4 bilhões; trigo, com R$ 1,5 bilhão; sorgo, com R$ 600 milhões; feijão e arroz, com cerca de R$ 300 milhões cada.
O tamanho do mercado acompanha o avanço da área cultivada e a incorporação de tecnologias genéticas às sementes. Além do material utilizado para iniciar a lavoura, o preço inclui investimentos em pesquisa, desenvolvimento de cultivares, multiplicação, beneficiamento, controle de qualidade, tratamento, armazenamento e distribuição.
Parte desse potencial, entretanto, permanece fora do mercado certificado. O uso de sementes salvas e de material clandestino representa uma perda estimada de R$ 14,6 bilhões no faturamento potencial da cadeia.
A soja concentra R$ 10,7 bilhões desse valor. Aproximadamente 29% das sementes usadas na cultura não são certificadas. No algodão, o percentual chega a 35%; no arroz, a 38%; no trigo, a 25%; e no feijão, a 85%. Milho e sorgo apresentam taxas menores, próximas de 3%, devido às características dos híbridos e à necessidade de aquisição de novas sementes para preservar o desempenho produtivo.
Nem toda semente não certificada é ilegal. A legislação permite que o agricultor reserve parte da própria produção para uso na safra seguinte, desde que cumpra as regras aplicáveis, utilize o material exclusivamente na propriedade e faça as declarações exigidas. A venda desse produto a terceiros, porém, caracteriza comércio clandestino.
O material pirata não passa necessariamente pelos testes de germinação, vigor, pureza genética e sanidade exigidos das sementes certificadas. Também pode transportar plantas daninhas, fungos, bactérias e outros agentes capazes de comprometer o estabelecimento da lavoura.
O preço aparentemente menor pode transformar-se em prejuízo quando há falhas de emergência, necessidade de replantio ou formação desuniforme do estande. Como adubação, defensivos e operações mecanizadas são calculados para determinada população de plantas, uma semente de baixa qualidade reduz o retorno dos demais investimentos realizados pelo produtor.
A pirataria também diminui os recursos destinados ao desenvolvimento de novas cultivares. Estimativas apresentadas pelo setor indicam que a redução do comércio ilegal de sementes de soja poderia acrescentar quase R$ 10 bilhões à receita dos diferentes elos da cadeia.
Desse total, aproximadamente R$ 2,5 bilhões poderiam chegar aos produtores como resultado de ganhos de produtividade. A indústria de sementes teria aumento de R$ 4 bilhões na receita, enquanto as agroindústrias de farelo e óleo poderiam agregar R$ 1,2 bilhão. O efeito projetado inclui ainda R$ 1,5 bilhão em exportações, R$ 90 milhões adicionais em pesquisa e desenvolvimento e a criação de cerca de 1,5 mil empregos diretos.
O Brasil também ganha espaço como fornecedor internacional. Entre janeiro e outubro de 2025, foram exportadas 39,1 mil toneladas de sementes agrícolas, com a maior receita para o período em cinco anos. Sementes de milho e de espécies forrageiras responderam por 74% do faturamento, enquanto Paraguai, Colômbia e Argentina estiveram entre os principais destinos.
A posição de Foz do Iguaçu, próxima ao Paraguai e à Argentina, aproxima o congresso de uma região estratégica para o comércio e a produção de sementes no Mercosul. A expectativa é reunir mais de 1,5 mil participantes, provenientes de pelo menos 15 países.
Promovido pela Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes (Abrates), o encontro terá mais de 60 palestrantes e a apresentação de aproximadamente 600 trabalhos. O evento é realizado desde 1979 e chega à 23ª edição com o tema “Sementes: alicerces para ciência, tecnologia e produção”.
A programação começa com uma análise dos riscos e das oportunidades para a safra 2026/27. Ao longo dos quatro dias, serão discutidos secagem, beneficiamento, armazenamento, tratamento industrial, bioinsumos, propriedade intelectual, qualidade sanitária e formação dos preços.
O impacto das sementes sobre a margem das empresas e das propriedades aparece de forma direta nos painéis. Um dos debates discutirá quando erros no planejamento da produção e na escolha do portfólio se transformam em perda comercial. Outro tratará dos limites da tecnologia embarcada em sementes de milho de alta produtividade.
Também serão apresentadas ferramentas de inteligência artificial, análise de imagens e sensores capazes de identificar danos, impurezas e diferenças de qualidade com maior rapidez. Essas tecnologias procuram reduzir erros nas unidades de beneficiamento e aumentar a precisão da classificação dos lotes.
A aplicação de bioinsumos às sementes terá espaço próprio. O desafio é preservar germinação e vigor durante o tratamento e o armazenamento, assegurando que microrganismos e outros produtos biológicos cheguem ao solo em condições de desempenhar a função esperada.
Quatro encontros ocorrerão simultaneamente ao congresso: os simpósios brasileiros de sementes de espécies forrageiras, análise de sementes, patologia de sementes e tecnologia de sementes florestais. A programação inclui ainda um espaço para exposição de máquinas, equipamentos, insumos e sistemas de controle de qualidade.
Para o produtor, a discussão econômica vai além do preço do saco. A comparação precisa considerar germinação, vigor, adaptação da cultivar, população recomendada e risco de replantio. Uma semente mais barata deixa de representar economia quando não entrega o número de plantas necessário para sustentar a produtividade planejada.
Serviço
Evento: 23º Congresso Brasileiro de Sementes
Data: 25 a 28 de agosto de 2026
Local: Rafain Palace Hotel & Convention, Foz do Iguaçu (PR)
Público esperado: mais de 1,5 mil participantes
Fonte: Pensar Agro



