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Alta do petróleo e dólar mais fraco impulsionam valorização do algodão em Nova York
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Algodão inicia a semana em alta nas bolsas internacionais
O mercado do algodão começou a semana com valorização na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), reagindo às fortes quedas registradas nos últimos pregões.
De acordo com dados do site Barchart, por volta das 10h42 (horário de Brasília) desta segunda-feira (9), a commodity era negociada a 61,38 centavos de dólar por libra-peso, com alta de 0,33%. No início do dia, os contratos chegaram a avançar entre 35 e 55 pontos, sinalizando um movimento de recuperação técnica após o desempenho negativo da semana anterior.
Mercado busca recuperação após perdas expressivas
Apesar da reação positiva, o mercado ainda sente o impacto das quedas acumuladas na semana passada.
Na sexta-feira (6), os contratos futuros do algodão encerraram o pregão em baixa, com recuos entre 40 e 70 pontos nos vencimentos mais próximos. O contrato de março, por exemplo, fechou a semana com queda acumulada de 211 pontos, refletindo a pressão dos fundos especulativos e a instabilidade no cenário global das commodities.
Fatores externos sustentam o avanço das cotações
O movimento de alta foi impulsionado por fatores externos relevantes. Os contratos futuros do petróleo bruto subiram US$ 2,10, sendo negociados a cerca de US$ 63,50 por barril, o que costuma dar suporte às commodities agrícolas, já que o algodão compete com fibras sintéticas derivadas do petróleo.
Além disso, o índice do dólar americano apresentou recuo de 0,141 ponto, chegando a 97,650, o que tende a favorecer as exportações dos Estados Unidos e torna as commodities denominadas em dólar mais atraentes para compradores internacionais.
Atuação dos fundos amplia volatilidade no mercado
O mercado financeiro também segue atento à posição dos fundos de investimento. Segundo o relatório da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC) referente à semana encerrada em 3 de fevereiro, os especuladores ampliaram suas posições líquidas vendidas em 6.717 contratos, totalizando 71.746 contratos vendidos em futuros e opções de algodão.
Esse movimento contribuiu para a pressão baixista observada nos últimos dias e mantém o mercado suscetível a ajustes técnicos e correções pontuais no curto prazo.
Perspectivas: volatilidade deve continuar no curto prazo
Com o cenário internacional ainda instável e a influência direta de variáveis externas — como oscilações do petróleo, dólar e movimentações de fundos especulativos —, analistas apontam que o mercado do algodão deve seguir volátil nas próximas sessões.
A expectativa é de que novas correções técnicas e oportunidades de compra surjam à medida que o mercado busca um equilíbrio após as recentes quedas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Exportação recorde não impede queda do frango vivo no mercado interno
O Brasil caminha para estabelecer um novo recorde nas exportações de carne de frango em 2026, mas o avanço das vendas externas ainda não foi suficiente para absorver o aumento da oferta. Com mais animais prontos para o abate, os preços do frango vivo recuaram em algumas das principais regiões produtoras, enquanto as cotações dos cortes permaneceram praticamente estáveis no atacado.
A pressão ocorre em uma cadeia que produziu 15,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 e faturou cerca de R$ 50 bilhões somente com exportações, considerando a receita de R$ 9,8 bilhões convertida pelo câmbio de R$ 5,10. O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais e lidera o comércio internacional da proteína.
No ano passado, o país exportou o volume recorde de 5,324 milhões de toneladas. Para 2026, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta embarques de até 5,5 milhões de toneladas, além de uma produção próxima de 15,6 milhões de toneladas. A disponibilidade no mercado interno pode alcançar 10,1 milhões de toneladas.
O avanço da oferta já aparece nos abates. No primeiro trimestre deste ano, o peso das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Paraná respondeu por 35% da produção, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.
A ampliação dos abates ajuda a explicar por que os preços não acompanham o desempenho das exportações. A demanda internacional segue aquecida, mas o mercado doméstico precisa absorver cerca de dois terços de toda a carne produzida no país. O consumo estimado para 2026 é de 47,3 quilos por habitante, um dos maiores do mundo, mas ainda insuficiente para provocar uma reação mais forte diante da oferta atual.
Levantamento mostra que o frango vivo foi negociado a R$ 5,20 por quilo em São Paulo. No oeste do Paraná, a referência ficou em R$ 4,60. Goiás e Mato Grosso do Sul registraram queda de R$ 4,65 para R$ 4,55, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal passaram de R$ 4,70 para R$ 4,60 por quilo.
No Sul, as referências ficaram em R$ 4,75 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os preços mais elevados continuam concentrados no Nordeste e no Norte, variando de R$ 6,80 no Ceará a R$ 7,20 no Pará. As diferenças refletem custos logísticos, disponibilidade regional de aves e características próprias de cada mercado.
No atacado paulista, o peito congelado permaneceu em R$ 8,50 por quilo, a coxa em R$ 6,90 e a asa em R$ 11. Os cortes resfriados foram negociados por R$ 8,60, R$ 7 e R$ 11,10, respectivamente. A estabilidade, porém, não representa recuperação, porque as indústrias encontram dificuldade para elevar os preços diante da quantidade de carne disponível.
O principal instrumento para ajustar o mercado é o controle dos alojamentos. O termo corresponde ao número de pintinhos de um dia colocados nas granjas para engorda. Como as aves chegam ao peso de abate em aproximadamente 40 a 45 dias, um alojamento elevado hoje se transforma em maior oferta de carne poucas semanas depois.
A redução dos lotes permite diminuir gradualmente a quantidade de animais disponíveis e recuperar o equilíbrio entre produção, consumo e exportações. O ajuste precisa ser planejado porque uma redução excessiva também pode provocar falta de produto e aumento repentino dos preços no futuro.
A pressão não alcança todos os avicultores da mesma maneira. No sistema de integração, predominante nas principais regiões produtoras, a indústria normalmente fornece pintinhos, ração, medicamentos e assistência técnica. O produtor entra com as instalações, mão de obra, energia e manejo, recebendo conforme o desempenho do lote e as condições estabelecidas em contrato.
Por isso, a cotação do frango vivo não corresponde diretamente ao valor recebido por todos os integrados. Ainda assim, o excesso de oferta reduz a rentabilidade geral da cadeia e pode afetar o ritmo dos alojamentos, a remuneração dos contratos e a capacidade das empresas de repassar custos. O impacto é mais direto sobre produtores independentes, que compram os insumos e comercializam os animais por conta própria.
A disponibilidade de milho e farelo de soja ajuda a conter parte da pressão. Os dois produtos formam a base da ração e representam a maior parcela do custo de produção. Com oferta elevada de grãos, a alimentação das aves está menos onerosa do que em períodos de escassez, evitando uma deterioração maior das margens.
No comércio exterior, os embarques continuam funcionando como principal sustentação do setor. Nos primeiros 13 dias úteis de julho, o Brasil exportou 299,2 mil toneladas de carne de aves e miudezas, com receita equivalente a R$ 2,73 bilhões. A média diária cresceu 41% em relação a julho de 2025, embora o preço médio tenha recuado 1,3%.
O cenário indica que a avicultura brasileira permanece competitiva e deve ampliar sua presença internacional. No curto prazo, porém, o recorde das exportações terá de ser acompanhado por um controle mais preciso dos alojamentos. Sem esse ajuste, a expansão da produção continuará chegando ao mercado antes que a demanda consiga absorvê-la, mantendo os preços do frango vivo sob pressão.
Fonte: Pensar Agro


