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Alta na demanda e oferta restrita impulsionam preços do algodão no Brasil
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Mercado interno de algodão mostra reação nos preços
Os preços do algodão em pluma apresentaram reação no mercado doméstico, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP). A maior demanda de compradores e a oferta reduzida por parte dos vendedores sustentaram a valorização das cotações, mesmo diante do cenário externo menos favorável.
De acordo com o Cepea, os vendedores adotaram postura cautelosa, mantendo as pedidas firmes, o que limitou a liquidez das negociações. Já os compradores mostraram maior presença no mercado, buscando recompor estoques e garantir suprimento para o primeiro semestre.
Reação ocorre apesar da queda do dólar e de recuos internacionais
A recuperação dos preços internos ocorreu mesmo com o recuo das cotações internacionais e da taxa de câmbio, fatores que geralmente pressionam o mercado brasileiro. Esse movimento levou o algodão negociado no mercado físico nacional a operar acima da paridade de exportação, situação que não era observada há cerca de três meses.
Segundo o Cepea, o cenário reflete a competição entre indústrias e exportadores e a resistência dos produtores em negociar volumes maiores diante da incerteza sobre a rentabilidade e o custo de produção.
Produtores dividem atenção entre soja e semeadura da segunda safra
Nas regiões produtoras, os agricultores seguem focados nas atividades de campo, principalmente na colheita da soja e na semeadura do algodão de segunda safra. Essa dinâmica reduz temporariamente a oferta de produto disponível para comercialização, contribuindo para o atual movimento de alta.
Mesmo com o avanço das operações agrícolas, a liquidez segue restrita, refletindo uma verdadeira “queda de braço” entre compradores e vendedores — cenário típico de momentos de transição entre safras.
Nova York fecha em alta com dólar enfraquecido e commodities em recuperação
No mercado internacional, o algodão encerrou a sessão de terça-feira (27) com forte alta na Bolsa de Nova York (ICE Futures), acompanhando a valorização de outras commodities agrícolas e energéticas.
Os contratos de março/2026 subiram 1,4%, encerrando a 63,83 centavos de dólar por libra-peso, enquanto os de maio/2026 avançaram 1,2%, a 65,45 centavos.
O movimento foi impulsionado pela desvalorização do dólar frente a outras moedas e pela alta expressiva do petróleo, fatores que aumentaram o apetite ao risco e estimularam a busca por ativos ligados a commodities.
Perspectiva de curto prazo
Com o câmbio mais estável e o mercado externo em recuperação, analistas do Cepea avaliam que os preços internos do algodão podem continuar firmes nas próximas semanas. A expectativa é que a entrada gradual da nova safra e as decisões de política monetária no Brasil e nos EUA determinem o ritmo das próximas negociações.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Assistência técnica recupera pastagens e fortalece pequena pecuária
O acompanhamento técnico gratuito está ajudando 82 pequenos pecuaristas do sudoeste de Mato Grosso a melhorar o manejo do rebanho e aproveitar melhor as áreas já abertas. As propriedades atendidas somam cerca de 31 mil hectares de pastagens, dos quais 5 mil já receberam práticas de intensificação produtiva.
O trabalho está presente em 12 municípios e parte de um diagnóstico de cada propriedade. Técnicos avaliam o solo, o estado das pastagens, a disponibilidade de água, a alimentação do rebanho, o desempenho reprodutivo e a estrutura disponível. Com essas informações, produtor e equipe definem as mudanças prioritárias e os investimentos que cabem no orçamento.
A proposta é produzir mais na mesma área, evitando que o pecuarista precise ampliar a fazenda para aumentar a renda. O caminho pode envolver correção e adubação do solo, divisão de pastos, ajuste da lotação, melhoria da genética, organização da estação de monta e reserva de alimento para a seca.
Essa orientação ganha importância nas pequenas propriedades, onde um investimento feito no momento errado pode comprometer o caixa por vários meses. Em vez de recomendar um pacote igual para todos, o acompanhamento considera o tamanho do rebanho, a capacidade financeira da família e as condições de cada área.
O manejo das pastagens ocupa posição central. Quando o pasto perde capacidade de alimentar os animais, o gado demora mais para ganhar peso, a taxa de lotação diminui e o custo por cabeça aumenta. A recuperação gradual dessas áreas pode elevar a oferta de forragem e reduzir a necessidade de suplementação, sobretudo durante a estiagem.
A assistência também ajuda o produtor a planejar o uso da água e a alimentação do rebanho ao longo do ano. A definição antecipada de áreas para pastejo, produção de silagem ou formação de reserva reduz o risco de decisões emergenciais na seca, quando os alimentos normalmente ficam mais caros.
Além dos 5 mil hectares com manejo intensificado, as propriedades participantes mantêm mais de 22 mil hectares de vegetação nativa conservada. Os números foram divulgados pelo Programa Produção Sustentável de Bezerros, iniciado em 2019 e atualmente desenvolvido em Mato Grosso e no Pará.
A conservação não aparece separada da atividade econômica. A regularização ambiental, o controle da origem dos animais e a rastreabilidade podem ampliar o acesso dos pecuaristas a crédito e a compradores que exigem comprovação sobre a procedência do gado.
O programa também orienta os produtores na organização de documentos, no planejamento financeiro e na avaliação das linhas de financiamento. O objetivo é evitar que a propriedade aumente a produção sem calcular o custo das mudanças ou assumir dívidas incompatíveis com sua capacidade de pagamento.
Outra frente é a identificação dos animais desde a fase de cria. A rastreabilidade permite acompanhar o percurso do bezerro e comprovar que ele foi produzido em área regular. Esse controle tornou-se mais relevante com o aumento das exigências ambientais e sanitárias nos mercados compradores de carne bovina.
A iniciativa é conduzida pela Fundação IDH em parceria com a Mars, com atendimento de campo realizado pelo Instituto BioSistêmico (IBS). A orientação produtiva e gerencial é oferecida gratuitamente aos participantes. O programa já alcançou mais de mil pequenos pecuaristas desde sua criação.
Os dados divulgados até agora mostram a extensão atendida e as áreas submetidas a novas práticas, mas não apresentam uma média consolidada do aumento da produtividade ou da renda dos 82 participantes. Esses resultados dependerão do estágio de cada propriedade e do tempo necessário para que as mudanças no solo, nas pastagens e no rebanho apareçam nas contas.
A experiência, no entanto, mostra uma alternativa para melhorar a pecuária de cria sem avançar sobre novas áreas. Ao combinar conhecimento técnico, planejamento e conservação, o pequeno produtor passa a decidir com mais segurança onde investir e como extrair maior retorno da estrutura que já possui.
*Imagem: reprodução/broto.com.br
Fonte: Pensar Agro



