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Apicultura familiar em Minas Gerais se destaca por produção sustentável e tradição

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Rogério Rodrigo de Freitas Gouvêa, de Três Marias, região Central de Minas Gerais, mantém a tradição familiar na apicultura. Apaixonado por abelhas desde a infância, Rogério acompanhava o avô e o pai na lida com os insetos, o que despertou nele o desejo de seguir os passos da família e estruturar seu próprio negócio.

“Observar meu avô era uma experiência gratificante e já nascia em mim uma vontade de dar continuidade ao negócio. Meu pai também trabalhava na atividade, mas nenhum dos dois teve a iniciativa de montar um entreposto de mel”, recorda o apicultor.

Entreposto próprio transforma sonho em realidade

Há 18 anos, Rogério iniciou a construção do entreposto Apis Bela Flor, com apoio da esposa. Hoje, o empreendimento tem marca registrada e consolidou sua presença no mercado local.

A Emater-MG auxiliou a família em todas as etapas, desde a rotulagem e comercialização até a gestão da agroindústria, instalada na propriedade para beneficiamento, envase e distribuição dos produtos. Segundo a extensionista Poliana Guimarães Ribeiro, a sustentabilidade da apicultura familiar é o principal diferencial do apiário, que atualmente conta com mais de 600 colmeias.

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Desafios e satisfação na apicultura sustentável

Apesar dos desafios, como escassez de mão de obra e uso inadequado de agrotóxicos em propriedades vizinhas, Rogério ressalta a gratificação de trabalhar em contato com a natureza.

“A vantagem da atividade é que estamos no campo, contribuindo para a preservação ambiental”, afirma.

Produção e mercado de mel em Três Marias

O apiário Apis Bela Flor produz anualmente cerca de 20 mil quilos de mel e 300 quilos de extrato de própolis e derivados. Os produtos são comercializados para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), farmácias e mercados locais e estaduais.

Rogério afirma que a apicultura tem mercado aquecido, com maior demanda nos períodos de outono e inverno. Poliana Guimarães destaca que o município produz aproximadamente 40 toneladas de mel por ano, evidenciando a tradição de Três Marias no setor. A Associação dos Apicultores de Andrequicé (APIS Minas) desempenha papel estratégico na promoção do empreendedorismo sustentável e geração de renda para os 16 apicultores da cidade.

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Orientações técnicas para o manejo de colmeias

O técnico agropecuário da Emater-MG, Magno Gomes da Rocha, orienta os apicultores sobre o manejo adequado do apiário. Ele recomenda instalar as colmeias em locais secos, arejados e protegidos de ventos, próximos a água limpa e plantas que forneçam néctar e pólen.

Além disso, é essencial manter o ambiente roçado para facilitar o manejo, reduzir riscos de fogo e evitar pragas. Magno Gomes ressalta que o apicultor não deve ter alergia ao veneno das abelhas e que as colmeias devem estar afastadas de residências e instalações para animais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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