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Atividade econômica recua 0,9% no terceiro trimestre e confirma desaceleração da economia brasileira

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O Banco Central divulgou nesta segunda-feira (17) que o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) — considerado a prévia do Produto Interno Bruto (PIB) — registrou queda de 0,9% no terceiro trimestre de 2025, na comparação com o trimestre anterior, após ajuste sazonal.

Essa é a primeira retração da economia brasileira em dois anos. A última havia ocorrido no terceiro trimestre de 2023, quando o indicador apresentou recuo de 0,5%.

A queda acontece em meio a um ambiente de juros elevados e redução gradual do consumo, refletindo a política monetária mais restritiva adotada pelo Banco Central para conter as pressões inflacionárias.

Agropecuária lidera retração entre os setores

O resultado negativo foi disseminado entre os principais setores da economia, com destaque para a forte queda da agropecuária, que registrou o pior desempenho do período.

Confira o desempenho setorial:

  • Agropecuária: -4,5%
  • Indústria: -1,0%
  • Serviços: -0,3%

O recuo no campo está relacionado à redução da produtividade de culturas importantes e aos custos elevados de produção, o que impactou diretamente a renda dos produtores e o volume de exportações agrícolas.

Setembro fecha com resultado negativo

No mês de setembro, o IBC-Br apresentou retração de 0,2% frente a agosto, também com ajuste sazonal.

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Em sentido contrário, na comparação com setembro de 2024, o indicador avançou 2%, e acumula crescimento de 2,6% nos nove primeiros meses do ano. Nos últimos 12 meses encerrados em setembro, a alta é de 3% — considerando o dado sem ajuste sazonal.

Esses números indicam que, embora o resultado anual ainda seja positivo, há sinais claros de perda de fôlego da atividade econômica no curto prazo.

Juros altos limitam expansão da economia

A taxa Selic permanece em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas. O Comitê de Política Monetária (Copom) tem mantido uma postura firme, priorizando o controle da inflação, cuja meta é 3% ao ano.

Segundo o Banco Central, há uma “moderação gradual da atividade” e “redução nas expectativas de inflação”, conforme apontou a ata da última reunião do Copom.

O mercado, no entanto, não espera cortes de juros antes de 2026, avaliando que a autoridade monetária deve aguardar uma desaceleração mais consistente dos preços antes de iniciar um novo ciclo de redução da Selic.

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Projeções e expectativas para o PIB

De acordo com o Boletim Focus, divulgado pelo próprio Banco Central, o mercado financeiro projeta crescimento de 2,16% para o PIB em 2025, abaixo dos 3,4% registrados no ano passado.

O resultado oficial do PIB referente ao terceiro trimestre será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 4 de dezembro.

O IBC-Br é um importante termômetro da economia, mas não substitui o PIB oficial, pois adota metodologia diferente, focada no lado da produção — sem considerar a demanda e os componentes de consumo e investimento.

Impactos para o agronegócio e perspectivas

O recuo expressivo da agropecuária reforça o alerta para o setor, que vem enfrentando desafios climáticos, custos elevados e juros altos que encarecem o crédito rural.

A desaceleração da economia como um todo também tende a afetar o consumo interno e os investimentos, fatores que influenciam diretamente o desempenho do agronegócio.

Mesmo com as adversidades, especialistas avaliam que o setor deve seguir como um dos pilares da economia brasileira, sustentado pelas exportações e pela demanda internacional por alimentos e biocombustíveis.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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