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Biodiesel busca avanço semelhante ao etanol, mas desafios técnicos travam aumento da mistura no diesel
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O avanço da mistura obrigatória de biodiesel no diesel voltou ao centro das discussões do setor energético brasileiro. A principal demanda da indústria é elevar o percentual atual de 15% para 16% — o chamado B16 — movimento que já recebeu sinalização favorável do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Apesar do apoio político e da criação da Lei do Combustível do Futuro, especialistas alertam que o crescimento do biodiesel enfrenta obstáculos técnicos e estruturais mais complexos do que aqueles observados na trajetória do etanol na gasolina.
B16 pode marcar novo ciclo para o biodiesel no Brasil
Caso seja aprovado, o aumento para B16 representará o 14º avanço no percentual de mistura desde a criação do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), em 2004.
A última reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que avaliaria o tema, acabou cancelada, mas o setor espera o início dos testes de viabilidade ainda em 2026.
Enquanto isso, o governo mantém o discurso favorável à ampliação dos biocombustíveis na matriz energética brasileira. A expectativa é de que o etanol anidro também avance dos atuais 30% para 32% na gasolina, fortalecendo a política de transição energética.
Diferença entre etanol e biodiesel vai além do tempo de mercado
Embora o etanol tenha quase quatro décadas de vantagem histórica em relação ao biodiesel, especialistas afirmam que a principal diferença está nas características químicas dos combustíveis.
Segundo Jaques Paes, professor do MBA de ESG e Sustentabilidade da FGV, o biodiesel exige adaptações mais profundas em motores, infraestrutura logística e sistemas de armazenamento.
“A questão não é apenas histórica. Existe uma diferença química, mecânica e sistêmica importante entre os combustíveis”, explica.
O especialista destaca que a gasolina possui maior tolerância à adição de etanol, enquanto o biodiesel altera o comportamento do diesel de forma mais sensível.
Limitações químicas desafiam expansão do biodiesel
Entre os principais entraves técnicos apontados estão a maior oxidação do biodiesel e sua capacidade elevada de absorver água, fatores que podem comprometer desempenho, estabilidade e durabilidade do combustível.
De acordo com Paes, elevar em apenas 1% a mistura exige mudanças em toda a cadeia produtiva.
“Um salto no teor do etanol envolve basicamente a mistura. Já no biodiesel, é necessário revisar infraestrutura, motores, armazenamento e operação logística”, afirma.
O pesquisador observa ainda que o etanol já passou por décadas de testes, adaptações e aprendizado tecnológico, o que facilitou sua expansão gradual no mercado brasileiro.
Mercado vê 2026 como ano decisivo para biocombustíveis
Consultorias internacionais avaliam que 2026 pode marcar uma aceleração relevante na indústria de biocombustíveis no Brasil e na América Latina.
A consultoria inglesa Argus destaca que o óleo de soja continua sendo a principal matéria-prima do biodiesel brasileiro, impulsionado pela demanda global por combustíveis sustentáveis.
Ao mesmo tempo, a produção de etanol também ganha competitividade diante das oscilações no mercado internacional de petróleo e dos impactos geopolíticos no Oriente Médio.
Conflitos internacionais reforçam debate sobre segurança energética
A escalada das tensões no Oriente Médio reacendeu as discussões sobre independência energética e ampliação do uso de fontes renováveis no Brasil.
Segundo Jaques Paes, momentos de instabilidade no mercado global de petróleo historicamente impulsionam políticas voltadas aos biocombustíveis.
“Quando há risco de abastecimento ou aumento forte do petróleo, o biodiesel volta ao centro das discussões estratégicas”, ressalta.
A avaliação é compartilhada pelo presidente-executivo da Abiove, André Nassar, que defende rapidez nos testes para permitir que o governo tenha liberdade de ampliar a mistura quando considerar adequado.
Setor cobra política de Estado para energia renovável
Especialistas do setor avaliam que o avanço sustentável dos biocombustíveis no Brasil depende de planejamento de longo prazo e maior estabilidade regulatória.
Para Jaques Paes, a política energética brasileira ainda sofre com mudanças frequentes de direcionamento conforme os ciclos políticos.
“Os biocombustíveis precisam ser tratados como política de Estado, e não apenas como política de governo”, conclui.
Brasil amplia protagonismo na transição energética
Com forte produção agrícola, liderança global em soja e tradição consolidada no etanol, o Brasil mantém posição estratégica na agenda mundial de energia renovável.
O desafio agora é transformar o potencial do biodiesel em expansão efetiva, equilibrando ganhos ambientais, segurança energética e capacidade técnica da cadeia produtiva.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Governo Federal retoma produção de fertilizantes na Bahia para fortalecer agronegócio e segurança alimentar
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, visitou, nesta quinta-feira (14), a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA), em Camaçari (BA). A retomada das operações da unidade integra a estratégia do Governo Federal de ampliar a produção nacional de fertilizantes, reduzir a dependência externa e fortalecer a segurança alimentar.
Com investimento de R$ 100 milhões, a Fafen-BA tem capacidade de produção de 1,3 mil toneladas diárias de ureia, volume equivalente a aproximadamente 5% da demanda nacional. A reativação da planta também permitirá a geração de 900 empregos diretos e 2,7 mil empregos indiretos.
Os fertilizantes são insumos essenciais para a manutenção e o aumento da produtividade agrícola nacional. A fábrica havia sido hibernada pela Petrobras em 2019, como parte do plano de desinvestimentos da companhia, e retomou as atividades em janeiro deste ano, no âmbito do processo de reativação das plantas de fertilizantes nitrogenados no país.
Durante a agenda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância estratégica do agronegócio para a economia brasileira e defendeu o fortalecimento da produção nacional de fertilizantes como medida fundamental para ampliar a autonomia do país.
“O Brasil é um país agrícola, é um dos maiores produtores de alimento do mundo e não pode importar 90% do fertilizante de que a nossa agricultura precisa. O Brasil precisa produzir os fertilizantes de que a agricultura brasileira necessita”, afirmou o presidente.
O ministro André de Paula ressaltou a relevância da retomada das operações para o fortalecimento do agro brasileiro e para a segurança alimentar. “Quando o presidente determinou a retomada dessas plantas, demonstrou visão estratégica e compromisso com a segurança alimentar”, afirmou.
Lula também destacou que os investimentos na indústria nacional fortalecem toda a cadeia produtiva do agronegócio, geram empregos e ampliam o desenvolvimento tecnológico do país. Segundo o presidente, produzir no Brasil significa estimular a geração de renda, a qualificação profissional e a competitividade nacional.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, ressaltou a importância da retomada das fábricas de fertilizantes para o fortalecimento do agronegócio brasileiro e da segurança alimentar. Segundo ela, ampliar a produção nacional de fertilizantes nitrogenados é estratégico para garantir maior autonomia ao país e apoiar o crescimento do setor agropecuário. “Com as fábricas do Mato Grosso do Sul, do Paraná, de Sergipe e da Bahia, vamos produzir 35% do fertilizante nitrogenado de que o Brasil precisa”, afirmou.
André de Paula destacou ainda que a retomada da produção nacional fortalece a capacidade produtiva do país e reduz a dependência externa. “O Brasil é o celeiro do planeta, e essa retomada é determinante não apenas para a segurança alimentar do Brasil, mas também para a segurança alimentar do mundo”, ressaltou.
RETOMADA DA PRODUÇÃO
Em março de 2018, no contexto do plano de desinvestimentos e da saída da Petrobras do setor de fertilizantes, foi anunciado o fechamento das Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia e de Sergipe. Em janeiro de 2019, as unidades foram hibernadas e, em 2020, arrendadas à Unigel.
As plantas foram operadas pela empresa até 2023, quando houve paralisação sob a justificativa de inviabilidade econômica associada ao preço do gás natural. A partir de 2023, a Petrobras decidiu retomar o segmento de fertilizantes. Em 2025, após acordo com a Unigel, reassumiu as Fafens. A Fafen-SE teve sua operação retomada em dezembro de 2025, e a Fafen-BA, em janeiro de 2026.
MERCADO INTERNO
Atualmente, o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que utiliza, o que reforça a importância de avançar na diversificação de fornecedores e no fortalecimento da produção nacional.
Com a Fafen-BA, a Fafen-SE e a Araucária Nitrogenados S.A. (ANSA) em operação comercial, a Petrobras projeta alcançar cerca de 20% do mercado interno de ureia. Com a entrada da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS), a expectativa é chegar a aproximadamente 35% do mercado nacional nos próximos anos.
PLANO NACIONAL DE FERTILIZANTES
Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em 2022, o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF) busca reduzir a dependência brasileira da importação do insumo, impulsionar a produção nacional e contribuir para a segurança alimentar.
O plano estabelece como meta atender entre 45% e 50% da demanda interna até 2050, por meio do desenvolvimento de tecnologias adaptadas às condições brasileiras, com ênfase na sustentabilidade, como o uso de nutrientes orgânicos e o reaproveitamento de resíduos.
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