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Bolsas globais operam em leve alta e Ibovespa acompanha movimento com otimismo do mercado
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Os principais mercados financeiros internacionais iniciaram a quarta-feira (3) com tendência positiva, em meio ao otimismo dos investidores quanto aos próximos dados econômicos dos Estados Unidos e ao comportamento favorável das bolsas na Europa. No Brasil, o Ibovespa acompanha o cenário e segue em alta, impulsionado pelo apetite por risco e pelo bom humor dos investidores.
Mercados dos Estados Unidos aguardam decisão do Fed
Em Nova York, os índices futuros operam com leve valorização. Por volta das 8h (horário de Brasília), o Dow Jones Futuro subia 0,12%, o S&P 500 Futuro avançava 0,11% e o Nasdaq Futuro mantinha estabilidade, segundo informações da Reuters.
Os investidores aguardam a divulgação do relatório de empregos privados do ADP, que será um dos principais indicadores antes da próxima reunião do Federal Reserve (Fed). O dado pode influenciar a decisão sobre juros, prevista para a próxima semana, e ajudar a definir o ritmo de cortes ou manutenção da política monetária norte-americana.
Além disso, estão no radar os números de preços de importação e exportação e a produção industrial de novembro, que trarão novos sinais sobre o fôlego da economia dos EUA.
Europa mantém ritmo de recuperação com apoio de tecnologia e indústria
As bolsas europeias seguem em trajetória de recuperação nesta quarta-feira, acompanhando o desempenho positivo de Wall Street e da Ásia. O índice STOXX 600 avançava 0,23% no início da manhã, impulsionado por ações do setor de tecnologia e industrial.
O DAX da Alemanha subia 0,29%, e o FTSE MIB da Itália registrava alta de 0,66%. Já o CAC 40 da França e o FTSE 100 do Reino Unido operavam com variações discretas, próximas à estabilidade, de acordo com dados da Reuters.
O otimismo europeu também reflete as expectativas de divulgação dos índices de gerentes de compras (PMI) do bloco, que medem a atividade econômica e podem indicar uma retomada gradual no fim do ano.
Ásia apresenta resultados mistos com foco na desaceleração da China
Na Ásia, o cenário foi misto. O Nikkei 225 do Japão avançou 1,14%, impulsionado por papéis de tecnologia e exportadoras, enquanto o Kospi da Coreia do Sul subiu 1,04%. Em contrapartida, os mercados chineses apresentaram recuo diante de novos sinais de enfraquecimento econômico.
O Shanghai Composite caiu 0,51% e o Hang Seng, de Hong Kong, perdeu 1,28%. A queda reflete a desaceleração do setor de serviços da China, que cresceu no ritmo mais lento dos últimos cinco meses, e o agravamento da crise no setor imobiliário — especialmente após o rebaixamento da Vanke pela agência Fitch Ratings.
Em outras praças asiáticas, o Taiex de Taiwan subiu 0,83%, o Straits Times de Cingapura teve alta de 0,32% e o S&P/ASX 200 da Austrália registrou avanço de 0,18%.
Ibovespa mantém alta e ultrapassa os 160 mil pontos
No Brasil, o Ibovespa opera em terreno positivo e mantém trajetória de valorização, acompanhando o movimento global. Segundo dados da Investing.com, o índice avançava 1,56% no fim da manhã, ultrapassando a marca dos 160 mil pontos — resultado impulsionado por ações ligadas a commodities e pelo bom desempenho internacional.
O movimento reflete a confiança dos investidores na estabilidade macroeconômica brasileira, além da perspectiva de juros controlados e melhora gradual no ambiente de negócios.
Perspectivas para os próximos dias
Os mercados devem permanecer atentos aos próximos indicadores macroeconômicos. O relatório de emprego do ADP e os dados de inflação norte-americanos serão decisivos para as expectativas em torno da política monetária global.
Na China, os investidores observam de perto a evolução do setor imobiliário e o ritmo de recuperação econômica, fatores que podem afetar diretamente o comércio internacional e os preços de commodities — especialmente soja, milho e minério de ferro, de relevância para o agronegócio brasileiro.
O cenário global tende a seguir volátil, mas com viés positivo nas bolsas, sustentado pelo otimismo em torno de cortes de juros nos Estados Unidos e pela gradual recuperação dos mercados europeus.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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EUA ampliam exportações de etanol e acirram concorrência com o Brasil
Os Estados Unidos exportaram aproximadamente 5,34 bilhões de litros de etanol entre janeiro e julho de 2026, avanço de 13% sobre igual período do ano anterior, segundo a Renewable Fuels Association (RFA). O crescimento dos embarques amplia a concorrência para o Brasil e mostra a força de uma indústria sustentada por um mercado doméstico de grande escala, apesar de uma mistura menor do biocombustível na gasolina.
Nos EUA, a produção de etanol foi de aproximadamente 160 milhões de litros por dia, conforme dados da agência de energia americana, a EIA, publicados no dia 30 de setembro. O número representa o ritmo registrado naquela semana, sem equivaler a um balanço anual.
A aparente contradição está nas bombas. Enquanto a gasolina comum brasileira contém 32% de etanol, a mistura predominante no mercado americano é o E10, com 10%. O percentual menor, contudo, incide sobre uma quantidade muito maior de combustível comercializado.
Na mesma semana de setembro, o volume de gasolina fornecido ao mercado americano, usado pela EIA como referência de consumo, foi de aproximadamente 1,38 bilhão de litros por dia. Essa quantidade já inclui o etanol misturado ao combustível. É a dimensão desse abastecimento que permite absorver uma produção elevada do biocombustível.
Uma conta ilustrativa ajuda a entender: 10% de um mercado de 400 bilhões de litros representam 40 bilhões de litros de etanol. Já 32% de um mercado de 100 bilhões correspondem a 32 bilhões. A comparação dos percentuais, isoladamente, não mostra quantos litros chegam aos consumidores.
Enquanto ampliam as exportações, os EUA importaram menos de 1,9 milhão de litros de etanol entre janeiro e julho de 2026, segundo a RFA. O contraste reforça o peso da produção doméstica no abastecimento americano.
Esses números mostram que uma expansão do consumo nos EUA encontra uma indústria doméstica capaz de disputar o fornecimento. Para o exportador brasileiro, uma mistura maior abre oportunidades, mas os embarques dependem dos preços, dos custos de transporte, das condições de acesso e da disponibilidade do produto americano.
Os dois países também organizam o abastecimento de maneiras diferentes. No Brasil, a mistura obrigatória de 32% vale para a gasolina comum e a comum aditivada desde 1º de agosto de 2026. A medida tem duração inicial de 180 dias, com possibilidade de uma prorrogação por igual período. Na gasolina premium, o teor permanece em 25%.
Além disso, o motorista brasileiro dispõe do etanol hidratado para abastecer veículos flex. Esse mercado depende da relação entre o preço dos combustíveis e o rendimento do automóvel. A demanda nacional, portanto, reúne tanto o etanol adicionado à gasolina quanto o vendido diretamente ao consumidor.
Nos EUA, o E10 convive com o E15, de até 15%, e com misturas mais elevadas para veículos compatíveis. Os postos não são obrigados a oferecer E15. A ampliação das vendas envolve equipamentos adequados, disponibilidade de combustível e regras de comercialização.
Restrições relacionadas às emissões evaporativas afetam a venda de E15 durante o verão em partes do país. Em 2026, a agência ambiental americana, a EPA, concedeu uma autorização excepcional para permitir sua comercialização nessa estação. A previsibilidade das regras continua relevante para os investimentos na distribuição.
O Brasil deve produzir 41,88 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27, aumento de 11,7% sobre a temporada anterior, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A expansão reforça a importância de ampliar o consumo nas bombas e conquistar compradores externos. Nessa disputa, os Estados Unidos combinam uma indústria de grande escala com um mercado que absorve volumes elevados mesmo usando uma mistura menor de etanol na gasolina.
O levantamento brasileiro, divulgado em agosto, estima 29,98 bilhões de litros de etanol de cana e 11,91 bilhões de litros do combustível produzido a partir do milho. O crescimento previsto é de 9,7% e 17%, respectivamente. São projeções para a safra em andamento, que inclui parte de 2027.
A safra de cana está na segunda metade da colheita e da moagem no Centro-Sul, onde as chuvas de setembro reduziram o ritmo dos trabalhos. No Nordeste, a temporada começou mais recentemente. A fabricação de etanol de milho segue outro calendário, com usinas que operam ao longo do ano.
Para o campo brasileiro, o avanço do etanol tem efeitos distintos. A expansão das usinas de milho amplia as alternativas de venda do cereal. Uma demanda maior também pressiona o custo da matéria-prima para quem fabrica o combustível, conforme a oferta da safra e os estoques disponíveis.
O etanol de cana conta ainda com rotas de produção reconhecidas pela EPA na categoria de biocombustíveis avançados, sujeitas a requisitos ambientais. Esse enquadramento permite disputar mercados que valorizam a redução de emissões.
Com a oferta brasileira em crescimento, o resultado para a cadeia dependerá da capacidade de transformar produção em consumo. A mistura na gasolina, a escolha dos motoristas e as exportações precisam acompanhar os novos volumes para sustentar a remuneração das usinas e dos produtores de matéria-prima.
Fonte: Pensar Agro



