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Bolsas globais oscilam com tensões no Oriente Médio e expectativa de alívio no conflito
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Os mercados financeiros globais atravessam um período de forte volatilidade, influenciados principalmente pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio e seus reflexos sobre o preço do petróleo e a inflação mundial. Enquanto as bolsas norte-americanas conseguiram encerrar o pregão em alta após recuperação no fim da sessão, os mercados europeus fecharam em queda e as bolsas asiáticas apresentaram movimentos mistos, alternando perdas e recuperação.
O cenário internacional segue sendo acompanhado de perto por investidores, que também avaliam indicadores macroeconômicos, expectativas de crescimento global e decisões de política monetária das principais economias.
Wall Street recupera perdas e fecha em alta
Nos Estados Unidos, os principais índices de Wall Street conseguiram reverter o movimento negativo observado no início da sessão e terminaram o dia em território positivo. A recuperação ocorreu após declarações do presidente norte-americano Donald Trump indicando que o conflito no Oriente Médio poderia chegar ao fim em breve, o que reduziu parte das preocupações dos investidores.
No fechamento do pregão:
- Dow Jones registrou alta de 0,50%
- S&P 500 avançou 0,83%
- Nasdaq Composite subiu 1,38%
Apesar do desempenho positivo, o mercado permaneceu marcado por forte volatilidade, impulsionada pela recente disparada do petróleo no mercado internacional, que chegou a ultrapassar o patamar de US$ 100 por barril, alimentando preocupações sobre pressões inflacionárias e seus efeitos sobre a política monetária global.
Bolsas europeias recuam diante de temores inflacionários
Na Europa, o movimento foi de queda entre os principais índices acionários. A valorização do petróleo e as preocupações com a inflação pressionaram o desempenho das bolsas da região.
O índice STOXX 600, que reúne empresas de diversos países europeus, encerrou o pregão com queda de 0,63%.
Entre os principais mercados da região:
- CAC 40, de Paris, recuou 0,98%
- DAX, de Frankfurt, registrou baixa de 0,77%
Investidores seguem atentos ao impacto dos preços da energia sobre a inflação e às possíveis consequências para as decisões do Banco Central Europeu em relação à política de juros.
Ásia registra volatilidade com tensões geopolíticas
Os mercados asiáticos também foram impactados pelo aumento das tensões envolvendo o Irã. Em um primeiro momento, diversas bolsas da região registraram quedas expressivas, refletindo o aumento da aversão ao risco entre investidores.
Entre os resultados negativos observados anteriormente:
- Hang Seng, de Hong Kong, caiu 1,35%, aos 25.408 pontos
- SSEC, de Xangai, recuou 0,67%, aos 4.096 pontos
- CSI300, que reúne grandes empresas de Xangai e Shenzhen, perdeu 0,97%, aos 4.615 pontos
- Nikkei, de Tóquio, recuou 5,2%
- Kospi, da Coreia do Sul, caiu 5,96%
- Taiex, de Taiwan, registrou baixa de 4,43%
Parte dessas perdas foi reduzida posteriormente, com investidores aproveitando a queda das cotações para recompor posições.
China e Hong Kong lideram recuperação na região
Em um segundo momento, as bolsas chinesas e de Hong Kong apresentaram recuperação, impulsionadas por maior otimismo dos investidores diante da possibilidade de redução das tensões no Oriente Médio.
No fechamento mais recente:
- Índice de Xangai (SSEC) avançou 0,65%, aos 4.123 pontos
- CSI300 registrou alta de 1,28%, aos 4.674 pontos
- Hang Seng, de Hong Kong, subiu 2,17%, aos 25.959 pontos
O desempenho também foi apoiado por dados positivos do comércio exterior da China. As exportações chinesas registraram crescimento entre janeiro e fevereiro, reforçando a expectativa de que o país possa superar, em 2026, o recorde de superávit comercial de US$ 1,2 trilhão.
Entre os destaques, empresas de tecnologia listadas em Hong Kong avançaram cerca de 2,4%, com forte valorização de companhias ligadas ao setor de inteligência artificial.
Demais bolsas asiáticas acompanham recuperação
Outros mercados da região também registraram ganhos no fechamento mais recente:
- Nikkei, de Tóquio, avançou 2,88%, aos 54.248 pontos
- Kospi, da Coreia do Sul, subiu 5,35%, aos 5.532 pontos
- Taiex, de Taiwan, teve alta de 2,06%, aos 32.771 pontos
- Straits Times, de Singapura, valorizou 2,19%, aos 4.860 pontos
- S&P/ASX 200, da Austrália, avançou 1,09%, aos 8.692 pontos
Cenário global segue no radar dos investidores
Analistas do mercado financeiro avaliam que os desdobramentos do conflito no Oriente Médio continuarão influenciando o comportamento dos mercados nas próximas semanas. A evolução dos preços do petróleo e de outras commodities permanece como um dos principais fatores de atenção para investidores e autoridades monetárias.
Caso os preços da energia permaneçam elevados por um período prolongado, o impacto pode ser sentido na inflação global e nas decisões de política monetária adotadas pelos principais bancos centrais.
Brasil acompanha cenário externo e política monetária
No Brasil, o ambiente internacional também influencia diretamente o desempenho do mercado financeiro. Investidores monitoram os reflexos das tensões geopolíticas sobre o câmbio, os preços das commodities e o comportamento do mercado acionário.
O Banco Central do Brasil segue acompanhando o cenário externo e os riscos inflacionários, fatores que podem influenciar a condução da política monetária e as expectativas em relação à trajetória da taxa Selic ao longo de 2026.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Plantio da soja começa no Brasil sob risco de El Niño muito forte
O plantio da soja 2026/27 começou de forma pontual no Brasil sob o risco de chuvas irregulares no Centro-Norte e excesso de umidade na Região Sul. Mato Grosso e Paraná já possuem áreas semeadas, enquanto os demais Estados entrarão gradualmente no campo entre setembro e dezembro, de acordo com o calendário estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
O início da safra coincide com o fortalecimento do El Niño. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) calcula em mais de 90% a probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte durante a primavera e o verão no Hemisfério Sul. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também aponta 90% de chance de intensidade muito forte entre setembro e novembro.
A previsão não significa que todo o país terá falta de chuva. O efeito esperado é diferente em cada região. No Centro-Oeste, no Matopiba e em parte do Norte e do Sudeste, a preocupação está na demora para a regularização das precipitações, nas temperaturas elevadas e na ocorrência de veranicos. No Sul, o principal risco é o excesso de chuva, que pode encharcar o solo, impedir a entrada das máquinas e favorecer doenças.
Mato Grosso abriu o calendário de semeadura em 7 de setembro. As primeiras áreas foram plantadas principalmente em Campo Novo dos Parecis, Diamantino, Brasnorte e outros municípios do oeste que receberam volumes mais expressivos de chuva. Também há trabalhos em áreas irrigadas.
O avanço ainda é inferior a 1% dos aproximadamente 13 milhões de hectares previstos pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A expectativa é de que a semeadura ganhe força somente na primeira quinzena de outubro, quando as chuvas deverão estar mais bem distribuídas.
O problema é que as precipitações registradas até agora são muito localizadas. Enquanto algumas propriedades receberam volume suficiente para acumular água, áreas situadas a poucos quilômetros continuaram secas. Plantar após uma chuva isolada, sem umidade adequada nas camadas mais profundas do solo, aumenta o risco de falhas na germinação, perda de sementes e necessidade de replantio.
A pressa em Mato Grosso está ligada à soja, mas também ao milho e ao algodão cultivados depois da oleaginosa. Quanto mais cedo a soja for colhida, maior será a possibilidade de instalar a segunda safra dentro da janela de menor risco climático. O produtor tenta evitar que o milho e o algodão atravessem o período reprodutivo quando as chuvas já estiverem diminuindo.
O Imea projeta produção próxima de 49 milhões de toneladas de soja em Mato Grosso. Apesar do pequeno aumento de área, a estimativa considera redução de 5,4% na produtividade média em relação à temporada anterior. O Estado também já comercializou antecipadamente cerca de 39% da nova safra, acima da média histórica de 30,55% para o período, o que aumenta a necessidade de compatibilizar contratos de venda com o volume que poderá ser efetivamente colhido.
No Paraná, o plantio começou no Norte, Noroeste e Oeste, onde a semeadura está autorizada desde 1º de setembro. Até o levantamento mais recente do Departamento de Economia Rural (Deral), aproximadamente 81 mil hectares haviam sido plantados, o equivalente a 1,4% dos 5,76 milhões de hectares previstos para o Estado.
O Sudoeste paranaense foi liberado para plantar em 11 de setembro. Nos municípios mais ao sul, a autorização começa em 20 de setembro. A umidade disponível pode favorecer a emergência da soja, mas chuvas persistentes aumentam o risco de interrupções, compactação, erosão, doenças fúngicas e replantio. O excesso de precipitação também pode atrasar a colheita do trigo e, consequentemente, a entrada da soja nas mesmas áreas.
Rondônia e Amazonas estão autorizados a plantar desde sexta-feira (11), embora ainda não tenham divulgado avanço significativo da semeadura. Em São Paulo, o calendário começou em 1º de setembro na primeira região produtiva, será aberto neste domingo (13) na segunda e chegará à terceira região no dia 16.
Mato Grosso do Sul poderá iniciar o plantio na quarta-feira (16). No mesmo dia, a semeadura será liberada no sul do Pará. O Acre entra no calendário em 21 de setembro, parte de Santa Catarina no dia 22, Goiás no dia 25 e o Rio de Janeiro no dia 29.
Em 30 de setembro, começa a primeira janela do Piauí. Distrito Federal, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Tocantins poderão plantar a partir de 1º de outubro. A mesma data vale para o sul do Maranhão, incluindo Balsas e outros importantes municípios produtores.
No oeste da Bahia, onde estão Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, Formosa do Rio Preto e São Desidério, o calendário começa em 8 de outubro. Outras regiões de Bahia, Maranhão, Pará, Piauí, Paraná, Santa Catarina e São Paulo possuem datas próprias, definidas conforme o clima e o histórico da ferrugem-asiática.
Alagoas, Amapá, Ceará e Roraima têm calendários mais tardios, com início da semeadura somente em 2027. Por isso, essas áreas não participam da atual largada da safra nacional.
As datas indicam apenas quando a semeadura é permitida do ponto de vista fitossanitário. Elas não significam que o solo já tenha umidade suficiente nem substituem as orientações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). A decisão de plantar depende das condições de cada propriedade e da previsão de continuidade das chuvas.
No Centro-Oeste, Sudeste e Matopiba, o maior perigo é uma precipitação antecipada estimular a semeadura e ser seguida por vários dias de calor e tempo seco. Além de prejudicar a formação inicial da lavoura, um veranico pode obrigar o produtor a repetir operações e elevar os gastos com sementes, combustível, máquinas e mão de obra.
Caso as chuvas demorem a se regularizar, o problema será transferido para a segunda safra. O atraso na colheita da soja reduz o tempo disponível para o milho e o algodão, enquanto uma interrupção antecipada das chuvas pode atingir essas culturas durante fases de maior necessidade de água.
No Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do Paraná, o El Niño tende a aumentar a disponibilidade hídrica, mas chuvas frequentes podem produzir o efeito contrário ao desejado. Solo saturado, dificuldade de pulverização, menor luminosidade e aumento da pressão de doenças podem limitar o potencial das lavouras mesmo sem falta de água.
Uma simulação apresentada pelo economista Alexandre Mendonça de Barros, da consultoria EY, calcula que um cenário de estresse climático semelhante ao de 2015 poderia retirar até 12 milhões de toneladas da safra brasileira. O número representa cerca de 6,5% das 186 milhões de toneladas projetadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos para o país.
A estimativa de perda não é uma previsão consolidada, mas uma simulação de risco. O resultado final dependerá da distribuição das chuvas, das temperaturas, da duração dos veranicos e do manejo adotado em cada região. Em uma safra marcada por extremos opostos, o principal desafio não será apenas saber quanto vai chover, mas onde, quando e com que regularidade essa chuva chegará.
Fonte: Pensar Agro



