CUIABÁ
Pesquisar
Close this search box.

AGRONEGOCIOS

Brasil celebra 100 anos da soja e destaca protagonismo da pesquisa agropecuária

Publicados

AGRONEGOCIOS

A cadeia produtiva da soja se prepara para um marco histórico: a comemoração dos 100 anos do cultivo comercial da oleaginosa no Brasil e os 50 anos da criação da Embrapa Soja. Para celebrar essa trajetória e discutir os rumos da cultura para as próximas décadas, será realizada, de 21 a 24 deste mês, em Campinas (distante 100 km da capital, São Paulo), a 10ª edição do Congresso Brasileiro de Soja (CBSoja), que ocorrerá simultaneamente ao Mercosoja 2025. Os dois eventos, promovidos pela Embrapa, devem reunir cerca de 2 mil participantes, entre produtores, técnicos, pesquisadores e representantes de empresas do setor.

Com o tema central “100 anos da soja no Brasil: pilares para o amanhã”, o congresso se propõe a traçar uma visão de futuro baseada na inovação, sustentabilidade e segurança alimentar. A programação técnica contará com quatro grandes conferências e 15 painéis temáticos, com mais de 50 palestras voltadas a temas como biotecnologia, propriedade intelectual, práticas agrícolas sustentáveis e logística no Mercosul. Um dos diferenciais da edição será o espaço “Mãos à Obra”, voltado ao debate prático sobre cinco temas críticos no campo: fertilidade do solo, manejo de nematoides, plantas daninhas, bioinsumos e impedimentos ao desenvolvimento radicular.

Outro destaque é o workshop internacional “Soybean2035”, que reunirá especialistas do Brasil, China, Estados Unidos e Canadá para debater os próximos dez anos da biotecnologia voltada à soja. Além disso, os congressistas poderão conferir uma mostra científica com 328 trabalhos aprovados, distribuídos em nove áreas do conhecimento, incluindo fisiologia, entomologia, melhoramento genético e economia rural.

Leia Também:  ALFACE/CEPEA: Apesar da chuva em Mogi das Cruzes, preço cai no atacado

A história da soja no Brasil: ciência que rompeu barreiras

A presença da soja no Brasil remonta a 1882, quando foram realizados os primeiros testes com cultivares oriundas dos Estados Unidos, sem sucesso. O cultivo comercial só deslanchou a partir de 1924, no Rio Grande do Sul. No entanto, a limitação das variedades adaptadas apenas a climas subtropicais restringia o avanço da cultura pelo território nacional. Esse cenário começou a mudar com o surgimento da Embrapa Soja, criada em 1975, em Londrina (PR), com a missão de tropicalizar a cultura e viabilizar sua expansão em áreas de clima quente.

Graças a décadas de pesquisa pública, foi possível desenvolver cultivares adaptadas às condições tropicais de baixa latitude, permitindo o cultivo em áreas como o Cerrado e o Matopiba (região formada pelos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Além da genética, a instituição desenvolveu e transferiu tecnologias ligadas à correção e manejo de solos, controle de pragas, doenças e plantas daninhas, qualidade de sementes e práticas sustentáveis, tornando o Brasil líder global na produção da oleaginosa.

Leia Também:  Mercado de ovos fecha maio com baixa liquidez e queda nos preços em todo o país

Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), na safra 2024/25, o Brasil colheu aproximadamente 167 milhões de toneladas de soja, consolidando-se como o maior produtor mundial do grão. O sucesso da oleaginosa brasileira é resultado direto do esforço coordenado entre pesquisa científica, política agrícola e adesão massiva dos produtores à inovação no campo.

Soja: vetor de desenvolvimento e sustentabilidade

A soja ocupa papel central na economia agrícola brasileira. Gera divisas, empregos, fomenta o desenvolvimento regional e representa uma das principais fontes de proteína vegetal no mundo, seja para alimentação animal ou humana. Além disso, está cada vez mais associada a sistemas sustentáveis, como a integração lavoura-pecuária e a recuperação de áreas degradadas.

Nos últimos anos, a Embrapa Soja tem liderado redes de pesquisa voltadas à redução das emissões de gases de efeito estufa, aumento da eficiência do uso de recursos e melhorias na rentabilidade do produtor. O Congresso Brasileiro de Soja 2025 será uma oportunidade de reunir ciência e produção em torno de uma cultura que simboliza o potencial do agronegócio nacional e a capacidade da pesquisa brasileira de moldar o futuro da agricultura.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

AGRONEGOCIOS

Logística de grãos no Brasil enfrenta gargalos históricos e tecnologia surge como chave para destravar o escoamento

Publicados

em

O Brasil caminha para mais uma safra recorde de grãos, estimada em 332,9 milhões de toneladas no ciclo 2024/25, reforçando sua posição como potência agrícola global. No entanto, a evolução da produção não tem sido acompanhada pelo mesmo ritmo na logística, criando um descompasso que impacta custos, competitividade e eficiência no agronegócio.

Levantamento inédito da nstech, apresentado no relatório “Retrato da Logística de Grãos do Brasil”, detalha os principais gargalos estruturais do setor e aponta a tecnologia como principal vetor de transformação no curto prazo.

Dependência do modal rodoviário pressiona custos

A logística de grãos no país ainda é fortemente concentrada no transporte rodoviário, responsável por 69% do escoamento em 2023. Em comparação, as ferrovias respondem por 22% e as hidrovias por apenas 9%.

Esse desequilíbrio eleva o custo do frete, reduz a previsibilidade das operações e aumenta o impacto ambiental. Segundo o estudo, o sistema atual exige cerca de 70 mil caminhões a mais do que o necessário, reflexo direto de gargalos como filas em terminais e infraestrutura insuficiente.

Além disso, as longas distâncias entre as regiões produtoras e os portos ampliam a complexidade logística, exigindo maior eficiência operacional para manter a competitividade internacional do agro brasileiro.

Hidrovias e ferrovias ainda são subaproveitadas

Apesar de avanços pontuais, os modais alternativos seguem aquém do potencial. A participação das hidrovias cresceu nos últimos anos, mas ainda é limitada, mesmo com projetos relevantes nos rios Paraguai, Madeira, Tapajós e Tocantins.

As principais rotas hidroviárias incluem Tietê-Paraná, Araguaia-Tocantins e São Francisco, com potencial para reduzir custos e emissões no transporte de grãos.

No caso das ferrovias, a infraestrutura ainda é restrita: para cada quilômetro de trilho, existem mais de 21 km de rodovias pavimentadas no país. Apenas um terço da malha ferroviária está em operação, concentrada em poucas empresas, o que limita a concorrência e encarece o transporte.

Leia Também:  Com o Agro Show Solidário, modelo de cidadania, termina nesta sexta o Show Safra MT

Ainda assim, houve ganhos de eficiência. Corredores ferroviários ampliaram participação no escoamento, especialmente no Centro-Oeste, mas o crescimento relativo do modal segue lento diante da expansão da produção agrícola.

Arco Norte ganha protagonismo nas exportações

Entre os avanços estruturais, o Arco Norte se destaca como um dos principais vetores de transformação logística. A participação dos portos da região Norte nas exportações de grãos saltou de 12% em 2010 para 35% em 2024, impulsionada por investimentos privados e melhorias regulatórias.

A tendência é de expansão também no Arco Sul/Sudeste, com novos aportes em infraestrutura e aumento da capacidade de escoamento, especialmente em estados estratégicos para o agro.

O Porto de Santos segue como principal hub logístico, com capacidade para movimentar cerca de 70 milhões de toneladas de grãos por ano, mantendo papel central nas exportações brasileiras.

Cabotagem desponta como alternativa sustentável

A cabotagem — transporte marítimo entre portos nacionais — é apontada como uma alternativa promissora para ampliar a eficiência logística. No entanto, entraves regulatórios ainda limitam sua expansão, como restrições à entrada de novos operadores e exigências sobre construção de embarcações.

Com ajustes regulatórios, o modal pode ganhar relevância, especialmente em rotas que conectam grandes polos produtores aos principais portos, reduzindo custos e emissões.

Déficit de armazenagem agrava gargalos

Outro ponto crítico é a capacidade de armazenagem. Enquanto países como os Estados Unidos conseguem estocar até 150% da produção, o Brasil possui capacidade entre 60% e 70%.

Leia Também:  ALFACE/CEPEA: Apesar da chuva em Mogi das Cruzes, preço cai no atacado

Esse déficit pressiona o transporte durante a safra, aumenta os custos logísticos e reduz o poder de negociação do produtor rural.

Dados do setor mostram que a maioria dos agricultores não possui estrutura própria de armazenagem, o que reforça a dependência de soluções emergenciais, como o uso de silos bolsa — alternativa que cresce no campo, mas ainda com limitações para conservação de longo prazo.

Tecnologia acelera ganhos de eficiência no agro

Diante das limitações estruturais, a tecnologia surge como o principal fator de transformação imediata na logística do agronegócio.

Soluções digitais já demonstram impactos relevantes, como aumento de até 40% na capacidade de escoamento em terminais portuários. Entre as ferramentas estão sistemas de agendamento de cargas, gestão de pátio, rastreamento em tempo real, digitalização de documentos e uso de indicadores de desempenho.

A integração de dados ao longo da cadeia logística permite maior previsibilidade, redução de filas e otimização de recursos, sem depender exclusivamente de grandes obras de infraestrutura.

Desafios estruturais exigem estratégia integrada

O estudo reforça que a superação dos gargalos logísticos no Brasil passa por três pilares: investimento em infraestrutura, ampliação da capacidade de armazenagem e adoção intensiva de tecnologia.

Enquanto obras estruturais demandam tempo e elevados recursos, a digitalização e a gestão integrada se consolidam como soluções viáveis no curto prazo, capazes de elevar a eficiência e sustentar o crescimento do agronegócio brasileiro em um cenário cada vez mais competitivo.

Retrato da logística de grãos

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

CUIABÁ

POLÍCIA

POLÍTICA MT

MATO GROSSO

MAIS LIDAS DA SEMANA