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Brasil deve ter safra recorde, mas gargalo histórico continua

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O Brasil caminha para colher a maior safra de grãos de sua história, estimada em 336,1 milhões de toneladas em 2025, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No entanto, o recorde vem acompanhado de um velho problema: não há espaço suficiente para guardar toda essa produção. A capacidade estática atual de armazenagem do país é de 212,6 milhões de toneladas, o que gera um déficit de 124,3 milhões de toneladas — volume que corre o risco de ser armazenado a céu aberto, sujeito a perdas por chuva, sol e deterioração, como já ocorreu em anos anteriores.

O descompasso entre produção e infraestrutura logística é antigo, mas se agrava a cada ano. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), enquanto a produção de grãos cresce, em média, 5,3% ao ano, a capacidade de armazenagem avança apenas 3,4% ao ano. O resultado é um desequilíbrio estrutural que pressiona todos os elos da cadeia produtiva.
Impactos no campo e na cidade

Para o produtor rural, a escassez de armazéns significa aumento de custos. Como não pode armazenar sua colheita na fazenda, ele é forçado a escoar rapidamente, o que eleva o frete, pressiona o mercado com excesso de oferta e provoca queda nos preços pagos pela saca. A comercialização apressada muitas vezes reduz a margem de lucro — ou a elimina.

Na indústria, o problema se reflete no custo de aquisição e estocagem. Para garantir matéria-prima, tradings e cooperativas precisam comprar grandes volumes e armazenar por períodos mais longos, o que encarece o processo produtivo. No fim da cadeia, o consumidor paga mais pelo alimento.

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Segundo a Conab, apenas 63,3% dos grãos colhidos no país têm hoje armazém garantido. Esse índice inclui estruturas públicas e privadas. Quando se considera apenas a capacidade de armazenagem dentro das propriedades rurais — um recurso que permitiria ao produtor negociar melhor —, o percentual despenca para 16,8%.
Armazenagem no campo ainda é exceção

A concentração de silos fora da porteira contribui para a sobrecarga logística durante as colheitas. A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) recomenda que a capacidade estática de armazenagem seja 1,2 vez maior que a produção anual de grãos. Seguindo esse parâmetro, o Brasil deveria ter capacidade para mais de 400 milhões de toneladas, o que está longe da realidade atual.

Além da defasagem estrutural, há desafios financeiros e técnicos. O alto custo de construção de silos e a falta de mão de obra especializada em armazenagem são entraves para a expansão dessa infraestrutura. Pequenos e médios produtores enfrentam mais dificuldades, mesmo com linhas de crédito do governo federal que prometem juros mais baixos para armazenagem.
Safras em sequência agravam gargalo

A estrutura existente também não acompanha o calendário agrícola. Como destaca Paulo Bertolini, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), a segunda safra de milho (safrinha) vem logo após a colheita da soja — e acaba ficando sem espaço nos silos, que ainda estão cheios da oleaginosa. “A soja tem o dobro do valor por tonelada do milho. Naturalmente, os armazéns priorizam o grão mais valorizado. O milho sobra e vai para o céu aberto”, afirma.

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O resultado é um ciclo vicioso: queda no preço do milho, aumento da pressão sobre os fretes e perdas por má armazenagem. O produtor tenta se livrar do risco escoando a produção imediatamente, o que pressiona o mercado e reduz a rentabilidade.

A Conab, que monitora estoques e coordena programas públicos de armazenagem, tem alertado sobre o problema. Apesar disso, os avanços no setor ainda são lentos. Os programas federais de incentivo à armazenagem, como o PCA (Programa para Construção e Ampliação de Armazéns), oferecem recursos com juros controlados, mas enfrentam baixa execução orçamentária e burocracia no acesso ao crédito.

Especialistas apontam que, além de investimento público e privado, o país precisa de planejamento estratégico regional, priorizando regiões produtoras com maior carência de armazenagem e calendários logísticos ajustados à realidade das safras.

Enquanto isso, a cada nova safra recorde, o Brasil comemora os números da produção, mas vê crescer também o risco de perdas pós-colheita — um prejuízo silencioso, mas que mina a competitividade do agronegócio.

Fonte: Pensar Agro

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Massari Fértil e Morro Verde investem R$ 20 milhões e triplicam produção de fosfato natural em Pratápolis (MG)

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Expansão reforça indústria nacional de fertilizantes

A Massari Fértil e a Morro Verde, após a fusão anunciada em janeiro de 2026, consolidaram posição entre as principais empresas brasileiras de fertilizantes naturais. O grupo alcança faturamento estimado de R$ 500 milhões e capacidade produtiva superior a 3 milhões de toneladas por ano.

Como parte do plano de expansão, a companhia concluiu um investimento de R$ 20 milhões na unidade de fosfato localizada em Pratápolis (MG), voltado à ampliação da produção de Fosfato Natural Reativo (FNR).

Produção de FNR é triplicada com modernização da planta

Com o aporte, a capacidade produtiva da unidade passou de aproximadamente 400 mil toneladas para 1,2 milhão de toneladas anuais, representando um crescimento expressivo e consolidando a empresa entre os principais fornecedores nacionais de fosfatos naturais para o agronegócio.

O projeto foi iniciado em 2025 e faz parte da estratégia de expansão da companhia, com foco em aumentar a competitividade da indústria brasileira de fertilizantes e reduzir a dependência de insumos importados.

Investimento gera impacto econômico em Minas Gerais

Além dos ganhos industriais, a expansão deve gerar impactos diretos na economia regional. A expectativa é de criação de empregos diretos e indiretos, fortalecimento da cadeia de fornecedores e aumento da movimentação econômica em Pratápolis e municípios do entorno.

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A iniciativa também contribui para o desenvolvimento do setor mineral e industrial ligado à cadeia de fertilizantes, considerado estratégico para o agronegócio brasileiro.

Estratégia busca maior autonomia do agronegócio brasileiro

Segundo o CEO da Massari Fértil e Morro Verde, Sérgio Ailton Saurin, o investimento reforça a preparação da companhia para um novo ciclo de crescimento.

“Estruturamos uma operação mais robusta e eficiente, preparada para sustentar nosso crescimento nos próximos anos e atender às necessidades do mercado interno com mais competitividade”, afirmou.

O executivo destaca ainda a importância estratégica do setor de fertilizantes para o país.

“O Brasil ocupa uma posição estratégica no agronegócio global e precisa avançar continuamente em autonomia e eficiência no fornecimento de insumos. Investimentos como este fortalecem a indústria nacional, geram valor para o produtor rural e impulsionam o desenvolvimento econômico das regiões onde atuamos”, completou.

Fertilizantes ganham papel central no agro brasileiro

A ampliação da produção de Fosfato Natural Reativo reforça o movimento de fortalecimento da indústria nacional de fertilizantes, um dos pilares estratégicos para a sustentabilidade e competitividade do agronegócio brasileiro.

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Com maior capacidade produtiva interna, o setor busca reduzir gargalos de oferta e ampliar a segurança no abastecimento de insumos essenciais para a produção agrícola.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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