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Brasil pode quintuplicar importações de etanol até março de 2026 com nova mistura na gasolina, aponta Argus
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Aumento nas importações de etanol
O Brasil poderá registrar um salto significativo nas importações de etanol entre agosto de 2024 e março de 2026. De acordo com levantamento da consultoria Argus, o volume importado pode ser de cinco a mais de cinco vezes superior ao registrado no mesmo período anterior, impulsionado principalmente pelo aumento da mistura de etanol anidro na gasolina e por um cenário de preços favorável às compras externas.
Estimativa de até 800 milhões de litros importados
A expectativa da Argus é que o Brasil importe entre 400 milhões e 800 milhões de litros de etanol nesse intervalo. Grande parte desse volume deverá ser fornecida pelos Estados Unidos, que além de maior produtor global do biocombustível, também são o principal exportador para o mercado brasileiro.
Comparativo com o período anterior
Entre agosto de 2023 e março de 2024, o país importou cerca de 148,3 milhões de litros de etanol, conforme dados do governo compilados pela Argus. A projeção para os próximos meses indica uma média mensal de importações que pode variar de 50 milhões a 100 milhões de litros.
Motivo principal: aumento da mistura na gasolina (E30)
Segundo Maria Ligia Barros, especialista em etanol da Argus, o principal fator por trás dessa expectativa de crescimento é a elevação da mistura de etanol anidro na gasolina de 27% para 30% — a chamada E30 — a partir de 1º de agosto de 2024. “Esse volume de importação não é visto nesse fluxo há pelo menos quatro anos”, afirmou à agência Reuters.
Impacto nos preços internos e na oferta de etanol hidratado
Com a nova obrigatoriedade, a demanda por etanol anidro deverá crescer, reduzindo a oferta de etanol hidratado no mercado interno. A tendência é que os preços dos dois tipos de etanol sejam sustentados em níveis mais elevados no mercado doméstico. “Esse movimento apoia o preço dos dois tipos de etanol internamente, e o mercado passa a considerar vantajoso importar o produto”, explicou Barros.
Cenário tarifário pode alterar projeções
No entanto, a especialista alerta que as estimativas foram feitas com base nas condições atuais de mercado e nas tarifas vigentes. Caso o governo dos Estados Unidos leve adiante a proposta de elevar para 50% as tarifas sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto, e o Brasil adote medidas retaliatórias, os cálculos precisarão ser reavaliados.
Tarifas de importação
Atualmente, o Brasil aplica uma tarifa de 18% sobre o etanol importado de fora do Mercosul. Já os Estados Unidos cobram 12,5% sobre o produto brasileiro — sendo 2,5% da tarifa base, mais 10% adicionais estabelecidos pelo ex-presidente Donald Trump em abril.
Origem das importações no primeiro semestre de 2025
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Argus, o Brasil importou, em média, 25 milhões de litros de etanol por mês no primeiro semestre de 2025. Desse total, 64,35% vieram dos EUA, 29,79% da Argentina, 5,83% do Paraguai e 0,02% da Alemanha.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Alta de insumos, frete e diesel com guerra aperta margem e preocupa safra 2026/27
Isan Rezende
“O produtor rural brasileiro define agora, entre maio e agosto, o custo da safra 2026/27 — cujo plantio começa a partir de setembro no Centro-Oeste — com uma conta mais pesada e fora do seu controle. A ureia subiu mais de US$ 50 por tonelada, o diesel segue pressionado e o frete internacional acumula altas de até 20%. Isso aumenta o custo por hectare e exige mais dinheiro para plantar”. A avaliação é de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA), ao analisar os efeitos da escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre o agronegócio brasileiro.
Segundo ele, o encarecimento não começou agora, mas se intensificou nas últimas semanas e pesa diretamente nas decisões do produtor. Em lavouras de soja e milho, o aumento dos insumos pode elevar o custo total entre 8% e 15%, dependendo do nível de investimento. “O produtor já vinha apertado. Agora, o custo sobe de novo e o preço de venda continua incerto”, afirma.
O avanço dos custos está ligado à tensão no Oriente Médio. O fechamento do Estreito de Ormuz levou o petróleo a superar US$ 111 o barril, mantendo o diesel em alta. Ao mesmo tempo, fertilizantes nitrogenados, que o Brasil importa em grande volume, ficaram mais caros e instáveis.
Além do custo, há risco de perda de mercado. “O Irã comprou cerca de 9 milhões de toneladas de milho brasileiro em 2025. Se esse volume diminui, sobra produto aqui dentro e o preço cai”, diz Rezende.
Na logística, o impacto já aparece nos números. O frete marítimo para a Ásia subiu entre 10% e 20%, com aumento do seguro e cobrança de prêmio de risco. Na prática, isso reduz o valor pago ao produtor. “Quando o custo de levar o produto sobe, alguém paga essa conta — e parte dela volta para quem está produzindo”, afirma.
O efeito mais forte deve aparecer nos próximos meses, quando o produtor for comprar fertilizantes e fechar custos da nova safra. Se os preços continuarem elevados, será necessário mais capital para plantar a mesma área.
Para Rezende, há medidas que podem reduzir esse impacto. “O governo pode ampliar o crédito rural com juros menores, reforçar o seguro rural e alongar dívidas em regiões mais pressionadas. Um aumento de alguns bilhões na equalização de juros já ajudaria a reduzir o custo financeiro da safra”, afirma.
Ele também aponta que o Brasil começa a dar passos para diminuir a dependência externa de insumos, mas ainda de forma insuficiente. “A retomada da produção de nitrogenados com a reativação da unidade de Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Araucária, no Paraná, ajuda, mas ainda não resolve o problema. O país continua dependente do mercado internacional, especialmente do Oriente Médio. Sem ampliar essa capacidade e melhorar a logística, o produtor segue exposto a choques externos”, conclui.
Fonte: Pensar Agro
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