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Brasil projeta produção recorde de 41,4 bilhões de litros de etanol com avanço de cana e milho

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O Brasil deverá registrar na safra 2026/27 a maior produção de etanol de sua história, em um momento em que o mercado global acelera a demanda por combustíveis renováveis e amplia a pressão pela substituição parcial dos derivados de petróleo. A estimativa foi apresentada nesta terça-feira (13.05) pela Datagro, durante a Sugar Week, em Nova York, principal evento internacional do setor sucroenergético.

Segundo a consultoria, o país deverá produzir 41,4 bilhões de litros de etanol no próximo ciclo, volume recorde impulsionado pela expansão da moagem de cana-de-açúcar e pelo crescimento contínuo do etanol de milho no Centro-Oeste.

A projeção considera moagem total de 698 milhões de toneladas de cana no Brasil, sendo 642,2 milhões de toneladas apenas na região Centro-Sul, principal polo sucroenergético do país. A produção nacional de açúcar deverá atingir 44,2 milhões de toneladas.

O avanço da oferta ocorre em meio a uma mudança importante no mercado mundial de energia. Aumento das exigências ambientais, metas de descarbonização e busca por alternativas aos combustíveis fósseis vêm elevando a demanda por biocombustíveis em vários países, especialmente nos setores de transporte e logística.

Além do consumo automotivo tradicional, a indústria acompanha o avanço do uso de combustíveis renováveis na aviação e no transporte marítimo, áreas que passaram a sofrer maior pressão internacional por redução das emissões de carbono.

O Brasil entra nesse cenário com vantagem competitiva relevante. Diferentemente dos Estados Unidos — maior produtor mundial de etanol, cuja fabricação é concentrada no milho — o combustível brasileiro é produzido majoritariamente a partir da cana-de-açúcar, matéria-prima considerada mais eficiente energeticamente e com menor intensidade de emissão de carbono.

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Ao mesmo tempo, o etanol de milho também ganha espaço rapidamente no país. Nos últimos anos, o Centro-Oeste se consolidou como nova fronteira da bioenergia brasileira, com expansão acelerada das usinas integradas ao processamento de milho, principalmente em Mato Grosso.

Isan Rezende, presidente do IA

A Datagro avalia que parte das usinas brasileiras deverá aumentar o direcionamento da cana para a produção de etanol na próxima safra, aproveitando o crescimento do mercado global de combustíveis renováveis e a perspectiva de maior demanda internacional.

No açúcar, o cenário também favorece o setor. A consultoria projeta que o mercado mundial volte a registrar déficit em 2026/27, após um pequeno superávit no ciclo anterior. Problemas climáticos em grandes produtores asiáticos, redução de áreas cultivadas na Europa e menor oferta em países tradicionais sustentam a expectativa de desequilíbrio global entre produção e consumo.

Para o agronegócio brasileiro, o avanço da indústria sucroenergética reforça um movimento que vai além da produção de alimentos. O setor passa a ocupar posição cada vez mais estratégica no fornecimento global de energia renovável, em um mercado que deve movimentar bilhões de dólares nas próximas décadas.

“O Brasil chega a esse novo ciclo do etanol mostrando ao mundo uma capacidade que poucos países possuem: produzir alimento, energia e ainda manter espaço para crescer de forma sustentável. Quando a Datagro projeta mais de 41 bilhões de litros de etanol e quase 700 milhões de toneladas de cana, ela está mostrando que o agro brasileiro deixou de ser apenas fornecedor de commodities agrícolas e passou a ocupar posição estratégica na segurança energética global”, afirma Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA).

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“Esse cenário ganha ainda mais relevância em um momento de forte instabilidade internacional e de aumento das barreiras comerciais. O setor recebe com preocupação o anúncio das restrições europeias às proteínas animais brasileiras apenas 12 dias depois da entrada em vigor provisória de um acordo entre Mercosul e União Europeia que levou mais de duas décadas para ser construído. Isso reforça a percepção de que o Brasil precisará cada vez mais diversificar mercados e fortalecer setores altamente competitivos, como o sucroenergético, que hoje coloca o país numa posição privilegiada dentro da agenda global de descarbonização”, diz.

“Enquanto parte do mundo ainda debate como reduzir emissões sem comprometer crescimento econômico, o Brasil já possui uma matriz renovável consolidada e uma indústria preparada para atender essa nova demanda global. O etanol brasileiro, produzido principalmente a partir da cana-de-açúcar, se transforma agora não apenas em um combustível, mas em um ativo geopolítico e econômico. O desafio passa a ser transformar essa vantagem produtiva em liderança comercial de longo prazo, ampliando acordos internacionais, infraestrutura logística e segurança regulatória para atrair investimentos e consolidar o país como potência mundial da bioenergia”, conclui Isan Rezende.

Fonte: Pensar Agro

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El Niño volta ao radar do mercado de café e pode influenciar oferta global nas próximas safras

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A confirmação de um novo episódio do fenômeno El Niño para o segundo semestre de 2026 reacendeu a atenção do mercado internacional de café. Embora a produção brasileira da safra 2026/27 não deva sofrer impactos relevantes, especialistas avaliam que as alterações climáticas poderão afetar importantes regiões produtoras ao redor do mundo e influenciar as perspectivas de oferta nos próximos ciclos.

De acordo com análise da Hedgepoint Global Markets, os efeitos do El Niño sobre a cafeicultura dependem da intensidade e da duração do fenômeno, além do momento em que ocorre dentro do calendário agrícola de cada país. Por isso, os impactos tendem a variar entre as diferentes origens produtoras.

Safra brasileira 2026/27 segue com perspectiva positiva

No Brasil, maior produtor e exportador mundial de café, a expectativa é de que a safra 2026/27 não registre perdas significativas em decorrência do fenômeno climático.

Segundo a Hedgepoint, o estágio atual das lavouras reduz os riscos imediatos para a produção nacional. Ainda assim, um outono e inverno com maior volume de chuvas podem provocar atrasos na colheita e aumentar a volatilidade do mercado ao longo dos próximos meses.

Mesmo sem expectativa de impactos relevantes sobre a produtividade da safra atual, o comportamento do clima continuará sendo acompanhado de perto pelos agentes do setor, especialmente diante da possibilidade de fortalecimento do El Niño durante o segundo semestre.

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Florada da safra 2027/28 entra no foco do mercado

Se a produção da temporada atual inspira maior tranquilidade, a mesma situação não se aplica ao próximo ciclo produtivo.

A Hedgepoint alerta que alterações no regime de chuvas e nas temperaturas durante o período de florada poderão influenciar o potencial produtivo da safra brasileira de 2027/28.

A fase de floração é considerada uma das mais importantes para a definição da produtividade dos cafezais. Qualquer irregularidade climática nesse período pode comprometer a formação dos frutos e alterar as estimativas futuras de produção.

América Central e Sudeste Asiático concentram maiores riscos

Enquanto o Brasil tende a enfrentar impactos limitados no curto prazo, outras importantes regiões produtoras apresentam maior vulnerabilidade aos efeitos do El Niño.

Segundo a análise da Hedgepoint Global Markets, países da América Central e do Sudeste Asiático podem sofrer alterações climáticas capazes de prejudicar tanto a safra 2026/27 quanto a temporada 2027/28.

Essas regiões desempenham papel estratégico no abastecimento global de café, especialmente na produção de grãos arábica e robusta, o que faz com que qualquer redução na oferta seja acompanhada com atenção pelos mercados internacionais.

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Clima seguirá como principal variável para os preços

Com a possibilidade de um episódio mais intenso de El Niño entre o fim de 2026 e o início de 2027, operadores, exportadores e produtores deverão manter atenção redobrada à evolução das condições climáticas nas principais origens produtoras.

Embora o cenário atual não indique prejuízos relevantes para a produção brasileira desta temporada, o mercado continua precificando riscos relacionados às próximas safras, uma vez que o equilíbrio entre oferta e demanda mundial depende diretamente das condições meteorológicas.

Segundo Laleska Moda, analista de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets, o comportamento do fenômeno varia conforme a região e o período do ano em que atua.

A especialista explica que, no Brasil, a safra 2026/27 deve ser preservada, mas o andamento da colheita e, principalmente, a florada da safra 2027/28 exigirão acompanhamento constante. Já em países da América Central e do Sudeste Asiático, os efeitos do El Niño poderão ser mais intensos, afetando a produção nas duas próximas temporadas.

Diante desse cenário, o clima permanece como um dos principais fatores de formação das expectativas para o mercado global de café, influenciando decisões de comercialização, investimentos e projeções para a oferta mundial nos próximos anos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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