AGRONEGOCIOS
Café especial brasileiro conquista o mercado australiano com qualidade e sustentabilidade
AGRONEGOCIOS
Mercado australiano se destaca como referência mundial em cafés especiais
A Austrália consolidou-se como um dos mercados mais exigentes e dinâmicos do mundo quando o assunto é café especial. Mais do que uma simples bebida, o café faz parte da identidade cultural do país, onde consumidores valorizam qualidade, origem e história por trás de cada xícara. Esse cenário tem se mostrado terreno fértil para a expansão do café especial brasileiro, que vem ganhando destaque entre os apreciadores australianos.
Brasil se firma como potência em cafés de alta qualidade
Com o projeto “Brasil. A Nação do Café”, a Associação Brasileira de Cafés Especiais tem fortalecido a imagem do país no exterior, mostrando que o Brasil deixou de ser apenas um produtor em volume para se tornar referência global em cafés de alta complexidade e qualidade.
A filosofia de produção brasileira, baseada em técnica, inovação e transparência, está em sintonia com o perfil do consumidor australiano, que valoriza cada etapa do processo — da lavoura à torra. Essa conexão de valores tem ampliado as oportunidades comerciais e culturais entre os dois países.
Presença brasileira na MICE reforça laços comerciais e culturais
A participação da BSCA na Melbourne International Coffee Expo, entre os dias 20 e 22 de março, representa um passo estratégico na consolidação do café especial brasileiro na Oceania. A feira, considerada uma das mais importantes do setor, reúne os principais torrefadores, produtores e especialistas do mundo.
Mais do que promover negócios, o evento é um espaço de conexão entre o produtor brasileiro e o mercado australiano. Ao apresentar cafés com origem rastreável e compromisso ambiental, a BSCA reforça a credibilidade do Brasil e fortalece o posicionamento do país como fornecedor de cafés sustentáveis e de excelência.
Sustentabilidade é diferencial do café brasileiro
No competitivo mercado australiano, a sustentabilidade é um requisito essencial para qualquer café especial. Nesse contexto, o projeto “Brasil. A Nação do Café” tem mostrado como a cafeicultura nacional alia tecnologia e práticas regenerativas à preservação ambiental.
Durante a feira em Melbourne, o público internacional poderá experimentar cafés que expressam a harmonia entre inovação e tradição — resultado do trabalho de famílias produtoras comprometidas com a responsabilidade social e ambiental.
Parceria que projeta o futuro do café especial brasileiro
A chegada do café especial do Brasil à Austrália simboliza mais do que uma conquista comercial: é um encontro de culturas e saberes em torno de uma paixão comum. A união entre o refinamento do preparo australiano e a diversidade sensorial brasileira cria uma experiência única para os amantes da bebida.
Com iniciativas como essa, a BSCA reafirma seu papel de protagonista na valorização do café especial brasileiro, promovendo o país como uma nação que inova, preserva e celebra a excelência em cada grão.
Empresas interessadas em fazer parte do projeto “Brasil. A Nação do Café” podem se inscrever e obter mais detalhes através do link abaixo: https://shor.by/iUEo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGOCIOS
Greening, safra menor e queda no consumo pressionam o setor brasileiro
A citricultura brasileira chega à safra 2026/27 pressionada por três problemas simultâneos: quase metade das laranjeiras do principal cinturão produtivo está contaminada pelo greening, a produção deve cair cerca de 10% e o consumo mundial de suco perdeu força depois de anos de preços elevados. Embora continue líder global, o Brasil precisa controlar a doença e ampliar mercados para evitar uma pressão maior sobre produtores e indústrias.
A primeira reestimativa do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) aponta uma produção de 263,15 milhões de caixas de 40,8 quilos em São Paulo e no Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais. O volume equivale a aproximadamente 10,7 milhões de toneladas de laranja.
A projeção ficou 3,1% acima da estimativa inicial, divulgada em maio, mas ainda representa uma queda de cerca de 10% diante das 292,94 milhões de caixas colhidas na temporada 2025/26. A recuperação sobre a primeira previsão ocorreu principalmente porque os frutos ganharam peso com as chuvas.
Entre maio e agosto, o cinturão citrícola recebeu 210 milímetros de chuva, volume 51% superior à média histórica do período. O peso médio estimado passou de 160 para 166 gramas por fruto, reduzindo de 255 para 246 o número de laranjas necessário para completar uma caixa.
O efeito positivo da chuva, porém, não elimina os riscos. A colheita está mais lenta e os frutos permanecem por mais tempo nas árvores, expostos a pragas, doenças e queda prematura. Até meados de agosto, apenas 27% da produção prevista havia sido retirada dos pomares.
A taxa média de queda dos frutos foi elevada de 23,7% para 24,1%. Nas variedades tardias, que ainda têm grande parte da produção no campo, a perda projetada chega a 27,3% para Valência e Folha Murcha e a 30,9% para a variedade Natal.
O greening permanece como o maior problema da atividade. O levantamento mais recente sobre a doença mostrou que 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola estavam contaminadas em 2025. A severidade média também aumentou, passando de 18,7% para 22,7% da copa das plantas.
Transmitido pelo psilídeo, um pequeno inseto, o greening não tem cura. A doença reduz a produtividade, provoca queda precoce e produz frutos menores, deformados e amargos. O controle exige monitoramento frequente, combate ao inseto transmissor e eliminação das plantas doentes, especialmente em regiões onde a incidência ainda é baixa.
Na safra 2025/26, o greening foi responsável pela perda estimada de 49,59 milhões de caixas. A doença respondeu sozinha por 13 pontos percentuais da taxa total de queda de 23,2% registrada naquele ciclo.
A pressão não está restrita aos pomares. Depois de quatro anos de resultados elevados, o mercado internacional entrou em uma fase de ajuste. As exportações brasileiras de suco de laranja somaram 746,9 mil toneladas na safra 2025/26, praticamente o mesmo volume da temporada anterior, mas a receita caiu aproximadamente 30%.
Os preços elevados das safras anteriores levaram parte dos consumidores a substituir o suco de laranja por bebidas mais baratas. Problemas de qualidade provocados pelo clima e pelo greening também afetaram o mercado. Na Europa, principal destino histórico do produto brasileiro, o volume adquirido caiu 10,9%. No Japão, a retração chegou a 28,6%.
O aumento das chuvas nesta temporada favoreceu o tamanho das laranjas, mas poderá reduzir a concentração de sólidos solúveis, medida pelo índice brix. Para a indústria, isso significa que pode ser necessário processar mais caixas para obter a mesma quantidade de suco concentrado, reduzindo parte do ganho trazido pelo maior peso dos frutos.
A busca por novos compradores tornou-se, portanto, uma necessidade para equilibrar a cadeia. O produto brasileiro não enfrenta grandes restrições sanitárias, mas encontra tarifas elevadas em mercados com potencial de consumo, como Japão, Coreia do Sul e Índia. A redução dessas barreiras poderia ampliar os destinos e diminuir a dependência de poucos compradores.
Maior produtora mundial de laranja e líder na exportação de suco, a citricultura brasileira mantém escala, tecnologia e capacidade industrial. O desafio agora é impedir que o avanço do greening, a queda da produtividade e o enfraquecimento do consumo reduzam a rentabilidade de uma cadeia que depende de investimentos contínuos para renovar pomares e manter a produção.
Fonte: Pensar Agro



