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Café hoje: clima, colheita e estoques apertados mantêm mercado volátil nesta terça-feira (23)
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O mercado futuro do café iniciou esta terça-feira (23) com movimentações distintas entre as principais bolsas internacionais. Enquanto o arábica apresentou alta na bolsa de Nova York, o robusta registrou queda em Londres, refletindo um cenário de ajustes técnicos e atenção redobrada ao clima e ao avanço da colheita no Brasil.
Arábica sobe em Nova York com suporte de estoques baixos
Na ICE Futures US, os contratos futuros de café arábica operaram em alta no início do pregão.
- Julho/26: 600,50 cents/lbp (+30 pontos)
- Setembro/26: 610,00 cents/lbp (+240 pontos)
- Dezembro/26: 626,75 cents/lbp (+260 pontos)
O movimento de valorização continua sendo sustentado pelos estoques certificados da commodity, que permanecem em níveis historicamente baixos. O quadro reforça preocupações sobre a oferta global de arábica e contribui para manter o suporte às cotações internacionais.
Robusta recua na ICE Europe
Já o café robusta, negociado na ICE Europe, iniciou o dia em baixa:
- Julho/26: US$ 3.559/t (-US$ 30)
- Setembro/26: US$ 3.507/t (-US$ 35)
- Novembro/26: US$ 3.455/t (-US$ 36)
A movimentação reflete ajustes após recentes ganhos e um mercado mais cauteloso diante das expectativas para a oferta global da variedade.
Colheita no Brasil avança com cautela na comercialização
No Brasil, a colheita da safra 2025/26 segue avançando nas principais regiões produtoras, mas o ritmo de vendas permanece limitado.
Segundo análise do Escritório Carvalhaes, produtores seguem cautelosos na fixação de preços, reduzindo o volume de negociações neste período, abaixo da média histórica para a época do ano.
Clima volta a ser fator decisivo para o mercado
O clima segue como um dos principais vetores de atenção para o setor cafeeiro. De acordo com a Climatempo, uma frente fria avança sobre o Sul e o Sudeste do Brasil ao longo da semana.
A previsão indica chuvas em áreas importantes de produção, como:
- Sul de Minas Gerais
- Triângulo Mineiro
- Interior de São Paulo
Em algumas regiões, os volumes podem ultrapassar 50 mm, o que pode interromper temporariamente atividades de colheita e secagem.
Além disso, a entrada de uma massa de ar frio deve provocar queda nas temperaturas no Centro-Sul do país na segunda metade da semana. Apesar disso, os modelos meteorológicos não apontam risco relevante de geadas nas principais áreas produtoras de café no momento.
Mercado segue atento a clima e oferta global
Com estoques internacionais apertados, avanço gradual da colheita no Brasil e instabilidade climática no radar, o mercado de café deve seguir volátil nos próximos dias. O equilíbrio entre oferta, clima e demanda continua sendo o principal fator de formação de preços no curto prazo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Assistência técnica recupera pastagens e fortalece pequena pecuária
O acompanhamento técnico gratuito está ajudando 82 pequenos pecuaristas do sudoeste de Mato Grosso a melhorar o manejo do rebanho e aproveitar melhor as áreas já abertas. As propriedades atendidas somam cerca de 31 mil hectares de pastagens, dos quais 5 mil já receberam práticas de intensificação produtiva.
O trabalho está presente em 12 municípios e parte de um diagnóstico de cada propriedade. Técnicos avaliam o solo, o estado das pastagens, a disponibilidade de água, a alimentação do rebanho, o desempenho reprodutivo e a estrutura disponível. Com essas informações, produtor e equipe definem as mudanças prioritárias e os investimentos que cabem no orçamento.
A proposta é produzir mais na mesma área, evitando que o pecuarista precise ampliar a fazenda para aumentar a renda. O caminho pode envolver correção e adubação do solo, divisão de pastos, ajuste da lotação, melhoria da genética, organização da estação de monta e reserva de alimento para a seca.
Essa orientação ganha importância nas pequenas propriedades, onde um investimento feito no momento errado pode comprometer o caixa por vários meses. Em vez de recomendar um pacote igual para todos, o acompanhamento considera o tamanho do rebanho, a capacidade financeira da família e as condições de cada área.
O manejo das pastagens ocupa posição central. Quando o pasto perde capacidade de alimentar os animais, o gado demora mais para ganhar peso, a taxa de lotação diminui e o custo por cabeça aumenta. A recuperação gradual dessas áreas pode elevar a oferta de forragem e reduzir a necessidade de suplementação, sobretudo durante a estiagem.
A assistência também ajuda o produtor a planejar o uso da água e a alimentação do rebanho ao longo do ano. A definição antecipada de áreas para pastejo, produção de silagem ou formação de reserva reduz o risco de decisões emergenciais na seca, quando os alimentos normalmente ficam mais caros.
Além dos 5 mil hectares com manejo intensificado, as propriedades participantes mantêm mais de 22 mil hectares de vegetação nativa conservada. Os números foram divulgados pelo Programa Produção Sustentável de Bezerros, iniciado em 2019 e atualmente desenvolvido em Mato Grosso e no Pará.
A conservação não aparece separada da atividade econômica. A regularização ambiental, o controle da origem dos animais e a rastreabilidade podem ampliar o acesso dos pecuaristas a crédito e a compradores que exigem comprovação sobre a procedência do gado.
O programa também orienta os produtores na organização de documentos, no planejamento financeiro e na avaliação das linhas de financiamento. O objetivo é evitar que a propriedade aumente a produção sem calcular o custo das mudanças ou assumir dívidas incompatíveis com sua capacidade de pagamento.
Outra frente é a identificação dos animais desde a fase de cria. A rastreabilidade permite acompanhar o percurso do bezerro e comprovar que ele foi produzido em área regular. Esse controle tornou-se mais relevante com o aumento das exigências ambientais e sanitárias nos mercados compradores de carne bovina.
A iniciativa é conduzida pela Fundação IDH em parceria com a Mars, com atendimento de campo realizado pelo Instituto BioSistêmico (IBS). A orientação produtiva e gerencial é oferecida gratuitamente aos participantes. O programa já alcançou mais de mil pequenos pecuaristas desde sua criação.
Os dados divulgados até agora mostram a extensão atendida e as áreas submetidas a novas práticas, mas não apresentam uma média consolidada do aumento da produtividade ou da renda dos 82 participantes. Esses resultados dependerão do estágio de cada propriedade e do tempo necessário para que as mudanças no solo, nas pastagens e no rebanho apareçam nas contas.
A experiência, no entanto, mostra uma alternativa para melhorar a pecuária de cria sem avançar sobre novas áreas. Ao combinar conhecimento técnico, planejamento e conservação, o pequeno produtor passa a decidir com mais segurança onde investir e como extrair maior retorno da estrutura que já possui.
*Imagem: reprodução/broto.com.br
Fonte: Pensar Agro



