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Café hoje: NY recua sem referência de Londres e atraso na colheita brasileira limita pressão sobre preços

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O mercado do café começou a semana com viés negativo nas negociações internacionais, mas ainda sustentado pelo ritmo lento da colheita brasileira da safra 2026/27. Nesta segunda-feira (25), a Bolsa de Londres permaneceu fechada devido ao feriado bancário Spring Bank Holiday, deixando o mercado global sem referência para o café robusta/conilon e concentrando as atenções exclusivamente na Bolsa de Nova York.

Nos primeiros negócios do dia, os contratos futuros do café arábica operavam em queda. O vencimento julho/26 era negociado a 272,35 cents por libra-peso, com recuo de 105 pontos. O contrato setembro/26 caía 70 pontos, cotado a 264,80 cents/lbp, enquanto o dezembro/26 registrava baixa de 30 pontos, a 256,95 cents/lbp.

O movimento reflete o acompanhamento do mercado sobre a entrada da nova safra brasileira, que avança de forma mais lenta em comparação aos últimos anos. Apesar da expectativa de aumento da oferta nas próximas semanas, operadores avaliam que o atraso nos trabalhos de campo ainda limita pressões mais intensas sobre as cotações internacionais.

Colheita do café segue abaixo da média histórica

De acordo com levantamento da Safras & Mercado, até o dia 20 de maio, apenas 9% da safra brasileira 2026/27 havia sido colhida. O percentual está abaixo dos 13% registrados no mesmo período do ano passado e também inferior à média dos últimos cinco anos, de 14%.

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Segundo o analista Gil Barabach, da Safras & Mercado, o ritmo mais lento da colheita está relacionado principalmente à maturação tardia das lavouras e à presença de umidade em importantes regiões produtoras.

No segmento de café canéfora — que inclui robusta e conilon — o atraso é ainda mais evidente. A colheita alcançou apenas 13% da produção nacional, distante dos 20% observados no mesmo período de 2025 e abaixo da média histórica de 22%.

O destaque positivo segue sendo Rondônia, onde os trabalhos avançaram de forma mais acelerada nas últimas semanas. Em algumas regiões do estado, a colheita do robusta já alcança até 40% das áreas produtoras.

Espírito Santo mantém ritmo lento na colheita do conilon

No Espírito Santo, principal produtor brasileiro de conilon, a colheita ainda avança de maneira moderada. Apenas 10% da safra havia sido retirada do campo até a última semana.

Apesar da lentidão, o clima mais seco observado recentemente favorece o avanço das operações nas lavouras. Além disso, produtores relatam melhora gradual no rendimento das áreas mais novas e com maior potencial produtivo.

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A comercialização também segue cautelosa. Muitos cafeicultores continuam priorizando vendas do café disponível, evitando travar grandes volumes da nova safra enquanto aguardam preços mais atrativos no mercado futuro.

Arábica também apresenta atraso nos trabalhos

No café arábica, a colheita atingiu 7% da produção nacional, levemente abaixo dos 9% registrados no mesmo período do ano passado e também inferior à média dos últimos cinco anos.

O mercado segue atento às condições climáticas nas principais regiões produtoras do Brasil. A previsão de continuidade do tempo mais seco em parte do cinturão cafeeiro deve favorecer o avanço da colheita nos próximos dias, embora operadores mantenham monitoramento constante sobre possíveis impactos climáticos durante o desenvolvimento da safra.

Com a ausência das negociações em Londres nesta segunda-feira, o mercado internacional do robusta/conilon permanece sem referência externa ao longo do dia. As operações na bolsa londrina serão retomadas normalmente nesta terça-feira (26).

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Abelhas elevam produtividade da soja em até 18%

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A presença de abelhas nas proximidades das lavouras pode aumentar, em média, 13% a produtividade da soja, segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em alguns experimentos, o ganho chegou a 18%, resultado obtido sem ampliação da área plantada.

Embora a soja seja considerada uma planta capaz de se autopolinizar, as visitas das abelhas às flores melhoram o processo de fecundação. Os efeitos podem aparecer no aumento do número de grãos por vagem, na redução de vagens vazias e, ao final do ciclo, na quantidade colhida por hectare.

Os percentuais não representam uma garantia automática para todas as propriedades. O resultado depende da cultivar, das condições climáticas, da população de polinizadores, da paisagem ao redor da lavoura e das práticas adotadas durante o florescimento. Ainda assim, as pesquisas mostram que a polinização deve ser considerada parte do sistema produtivo, e não apenas um benefício ambiental.

A contribuição econômica das abelhas vai muito além da produção de mel. Um estudo citado pela Embrapa estimou em aproximadamente R$ 43 bilhões o valor anual do serviço de polinização para a produção brasileira de alimentos, com base nos dados agrícolas de 2018.

Entre 141 espécies cultivadas no Brasil para alimentação humana, produção animal, fibras e biocombustíveis, cerca de 85 dependem, em algum grau, da polinização realizada por animais. As abelhas são os principais agentes desse processo. Café, laranja, maçã, melão, maracujá, castanha-do-brasil, canola e algodão estão entre as culturas beneficiadas.

A dimensão desse serviço também começou a ser mais bem compreendida nas áreas de soja. Pesquisa divulgada pela Embrapa em 2026 identificou 53 espécies de abelhas em lavouras e fragmentos de vegetação nativa no sudoeste de Goiás. Desse total, 27 eram novos registros de espécies associadas à cultura na região.

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O levantamento mostra que a soja não recebe apenas a visita da abelha-africanizada, normalmente utilizada na produção comercial de mel. Diferentes espécies nativas também percorrem as flores e participam da polinização. Essa diversidade reduz a dependência de um único polinizador e aumenta a capacidade de o ambiente responder a mudanças de temperatura, umidade e disponibilidade de alimento.

A manutenção de vegetação nativa próxima às áreas produtivas tem papel importante nesse processo. Matas, reservas legais, áreas de preservação permanente, corredores de vegetação e faixas com plantas floridas oferecem abrigo e alimento às abelhas antes e depois da florada da cultura comercial.

Para o produtor, essas áreas podem funcionar como infraestrutura biológica da propriedade. A contribuição será maior quando houver conexão entre os ambientes naturais e a lavoura, permitindo que os insetos encontrem locais para nidificação, água e fontes de néctar e pólen durante diferentes períodos do ano.

A integração também pode abrir uma fonte complementar de renda. Dados da Embrapa indicam que apicultores com bom manejo e colmeias instaladas próximas às lavouras podem obter até 50 quilos de mel por colmeia durante a florada da soja. Ao mesmo tempo que as abelhas encontram alimento, o produtor de grãos recebe o serviço de polinização.

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A convivência, entretanto, exige planejamento. A localização dos apiários precisa ser conhecida, e agricultores, responsáveis técnicos e apicultores devem manter comunicação sobre o calendário da lavoura e as aplicações de defensivos.

O manejo integrado de pragas ajuda a evitar pulverizações desnecessárias. Quando o controle químico for indispensável, devem ser respeitados o registro do produto, as orientações da bula, as condições meteorológicas e as técnicas destinadas a reduzir deriva. Sempre que tecnicamente possível, a aplicação deve considerar os horários de menor atividade das abelhas.

O vento, a temperatura e a umidade interferem diretamente na dispersão da calda. Uma pulverização feita em condições inadequadas pode atingir flores, vegetação próxima e fontes de água frequentadas pelos insetos, mesmo quando as colmeias estão fora da área cultivada. Por isso, regulagem do equipamento, escolha correta das pontas e acompanhamento das condições ambientais são medidas decisivas.

Também cabe ao apicultor manter as colmeias identificadas, bem manejadas e instaladas em locais adequados. A comunicação antecipada permite avaliar medidas de proteção sem comprometer as necessidades fitossanitárias da lavoura.

A preservação das abelhas não deve ser tratada como uma obrigação separada da produção. Os estudos mostram que esses insetos participam da formação da safra e podem melhorar o aproveitamento da área já cultivada. Para o produtor, proteger os polinizadores significa conservar um serviço natural capaz de elevar a produtividade, diversificar a renda e fortalecer a estabilidade do sistema agrícola.

Fonte: Pensar Agro

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