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Café mantém preços elevados no varejo em julho, mas colheita pressiona valor ao produtor no Paraná
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Os preços do café tradicional permaneceram em patamar elevado no varejo durante o mês de julho, apesar do avanço da colheita no Paraná. Segundo o Boletim de Conjuntura Agropecuária divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o pacote de 500 gramas foi cotado em média a R$ 31,34, um leve aumento de 0,64% frente a junho, quando a média foi R$ 31,14. Desde abril, os valores têm se mantido estáveis, próximos ao pico do ano de R$ 31,61.
Preços em nível elevado em comparação ao ano anterior
O Deral destaca que, apesar da estabilidade, o preço atual é quase o dobro do registrado em julho de 2024, quando o valor médio era de R$ 16,10. Com o início da nova safra, há expectativa de queda nos preços, mas ainda acima do ano anterior.
Colheita no Paraná pressiona preço ao produtor
A colheita no estado já atingiu mais de 68% da área cultivada, o que aumenta a oferta local. Esse movimento tem pressionado os preços pagos aos produtores: em julho, o valor médio por saca caiu para R$ 1.500, cerca de 40% menos do que os mais de R$ 2.000 pagos em junho. É a primeira vez na temporada que o preço fica abaixo da média da safra passada, que foi de R$ 1.668,60.
Impacto no mercado atacadista e consumidor
Embora parte da produção tenha sido negociada a preços mais altos, a indústria começa a repassar os ajustes ao mercado atacadista, oferecendo preços mais competitivos que podem refletir em eventuais reduções ao consumidor.
Café solúvel ganha destaque como alternativa no Paraná
Com os preços elevados do café tradicional, o café solúvel tem se destacado como uma opção para os consumidores. O Paraná, que possui um dos principais polos industriais do setor no Brasil, lidera as exportações nacionais. No primeiro semestre de 2025, o estado exportou 15.240 toneladas, gerando US$ 199,6 milhões, o que representa 35% do total nacional (43.478 toneladas).
Riscos com tarifa dos EUA podem afetar setor
Os Estados Unidos são o maior mercado para o café solúvel paranaense, respondendo por cerca de 15% das exportações. Entretanto, a recente imposição de uma tarifa adicional de 50% pelo governo Trump representa um risco significativo para as fábricas locais e seus fornecedores, impactando também outras regiões além do Paraná. O Deral alerta que, embora o impacto inicial seja regional, as consequências podem influenciar o preço do café brasileiro de maneira mais ampla. Mesmo com estoques baixos e abertura de novos mercados, há risco de excesso de produto no mercado interno.
Mercado cafeeiro segue apreensivo com tarifas dos EUA e clima irregular; preços sob pressão
Na manhã desta segunda-feira (28), o mercado do café apresentou fortes ganhos, segundo o analista Marcelo Moreira, da Archer Consulting. A apreensão permanece devido à guerra tarifária entre Brasil e Estados Unidos, com expectativa de que a tarifa de 50% sobre o café brasileiro será implementada a partir de 1º de agosto.
Colheita da safra 2025/2026 avança rapidamente no Brasil
Segundo o boletim do Escritório Carvalhaes, a nova safra brasileira avança com mais de 70% da colheita concluída. Os números indicam uma safra maior para o café conilon em comparação a 2024, enquanto a produção de arábica deve ser menor. O documento ressalta fundamentos importantes: estoques historicamente baixos, clima irregular e equilíbrio precário entre produção e consumo global.
Valorização dos contratos futuros
Por volta das 9h (horário de Brasília), os preços futuros do arábica operavam em alta significativa:
- Setembro/25: 302,45 cents/lbp (+490 pontos)
- Dezembro/25: 295,50 cents/lbp (+505 pontos)
- Março/26: 288,90 cents/lbp (+535 pontos)
O robusta também apresentava ganhos relevantes nos contratos futuros:
- Setembro/25: US$ 3.329/ton (+US$ 101)
- Novembro/25: US$ 3.282/ton (+US$ 86)
- Janeiro/26: US$ 3.255/ton (+US$ 80)
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Brasil pode multiplicar área irrigada, mas água e energia limitam avanço
O Brasil possui aproximadamente 10 milhões de hectares equipados para irrigação, mas poderia incorporar mais de 55 milhões de hectares à tecnologia, segundo estimativas oficiais. A expansão permitiria aumentar a produção dentro de áreas já ocupadas e reduzir perdas provocadas por estiagens, mas depende de investimentos em reservatórios, energia elétrica, licenciamento e gestão dos recursos hídricos.
Os números variam conforme a metodologia. O Portal da Irrigação, do governo federal, trabalha com cerca de 10 milhões de hectares equipados. Já o Atlas Irrigação, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), contabiliza 8,2 milhões de hectares irrigados e fertirrigados em sua base nacional mais abrangente.
O mesmo levantamento identifica potencial adicional de 55,85 milhões de hectares. Desse total, 26,69 milhões estão sobre áreas agrícolas de sequeiro, que dependem das chuvas, e outros 26,73 milhões sobre pastagens. A estimativa exclui áreas ambientalmente protegidas, mas representa uma possibilidade física, não uma expansão que possa ocorrer imediatamente.
Uma parcela entre 6 milhões e 8 milhões de hectares apresenta condições mais favoráveis para incorporação em prazo menor. Ainda assim, seriam necessários investimentos elevados na aquisição de equipamentos, ampliação das redes elétricas e construção de estruturas de captação, armazenamento e distribuição de água.
O avanço dos pivôs centrais mostra que o produtor já procura reduzir a dependência das chuvas. Levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) identificou 33.846 pivôs em funcionamento em 2024, responsáveis pela irrigação de 2,2 milhões de hectares.
A tecnologia permite fornecer água em momentos decisivos, como germinação, floração e enchimento de grãos. No milho, a falta de umidade nessas fases pode provocar perdas mesmo quando o volume total de chuva da temporada fica próximo da média.
A irrigação também aumenta a previsibilidade para cooperativas, fábricas de ração, usinas de etanol e outras indústrias que dependem do fornecimento regular de grãos. Com menor oscilação na produção, a cadeia consegue organizar melhor compras, estoques e processamento.
Estudos realizados em regiões de agricultura irrigada encontraram indicadores econômicos superiores aos observados em municípios sem a mesma estrutura. As áreas analisadas, embora representassem cerca de 8% do espaço agrícola considerado, concentravam 704 mil hectares irrigados por pivôs e respondiam por aproximadamente 15% das exportações do agronegócio.
Uma simulação com a incorporação de 1.500 hectares irrigados apontou aumento inicial de R$ 8,27 milhões no valor adicionado pela agropecuária. Em uma segunda etapa, após os efeitos sobre fornecedores, serviços e empregos, o acréscimo poderia superar R$ 13 milhões.
Essas comparações, entretanto, não significam que a irrigação seja a única responsável pelo desempenho econômico. Municípios irrigantes também costumam concentrar propriedades tecnificadas, agroindústrias, crédito, armazenagem e melhor infraestrutura.
O principal limite é a disponibilidade de água em cada bacia. A ANA calcula que a irrigação responde por 46% de toda a água retirada de rios, reservatórios e aquíferos no Brasil e por 67% do consumo, parcela que não retorna imediatamente aos mananciais.
Por isso, o potencial nacional não pode ser interpretado como autorização para irrigar qualquer área. Cada projeto depende da disponibilidade local, dos demais usos da água e da obtenção de outorga, documento que estabelece quanto poderá ser captado, por quanto tempo e em quais condições.
A construção de reservatórios pode guardar água durante o período chuvoso para utilização em momentos críticos. Esses projetos, porém, também precisam respeitar regras ambientais, segurança das barragens e limites de captação para não prejudicar o abastecimento das cidades, a indústria e outros produtores.
A energia elétrica é outro obstáculo. Sistemas de irrigação demandam potência elevada e funcionamento regular, mas parte das regiões com maior potencial agrícola ainda não dispõe de redes trifásicas ou capacidade suficiente para atender novos equipamentos. O custo da energia também interfere diretamente na viabilidade do investimento.
A expansão sustentável exige ainda sensores de umidade, acompanhamento meteorológico e equipamentos capazes de aplicar somente o volume necessário. Irrigar sem monitoramento pode desperdiçar água, elevar custos e provocar erosão, encharcamento ou perda de nutrientes.
Diante da maior frequência de veranicos e estiagens em períodos críticos, a irrigação tende a ganhar importância na agricultura brasileira. O avanço, contudo, dependerá menos da simples compra de pivôs e mais de planejamento por bacia, segurança jurídica, energia disponível e infraestrutura para armazenar água sem comprometer os demais usuários.
Fonte: Pensar Agro



