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Café oscila nas bolsas internacionais com foco na nova safra brasileira e influência do dólar

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Arábica e robusta operam em direções opostas nesta sexta-feira (27)

O mercado internacional de café segue operando com forte volatilidade nesta sexta-feira (27), refletindo a ausência de novos fundamentos e a expectativa em torno da safra brasileira. Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o café arábica registrava leve recuo nos principais vencimentos, enquanto o robusta avançava de forma mais expressiva na Bolsa de Londres.

Por volta das 9h20 (horário de Brasília), os contratos de arábica mostravam desempenho misto:

  • Julho/25: 309,50 cents/lbp (+85 pontos)
  • Setembro/25: 304,95 cents/lbp (-70 pontos)
  • Dezembro/25: 299,45 cents/lbp (-95 pontos)

Já o robusta operava com ganhos mais consistentes:

  • Julho/25: US$ 3.797/tonelada (+US$ 185)
  • Setembro/25: US$ 3.726/tonelada (+US$ 61)
  • Novembro/25: US$ 3.653/tonelada (+US$ 58)
USDA prevê leve aumento na produção brasileira

Nesta semana, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou seu relatório semestral global, projetando uma colheita brasileira combinada (arábica + robusta) de 65 milhões de sacas para 2025/26, um acréscimo de apenas 300 mil sacas em relação ao ciclo anterior.

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O crescimento se deve principalmente à produção de robusta, que deve atingir 24,1 milhões de sacas — aumento de 3,1 milhões — graças às boas chuvas no Espírito Santo e na Bahia. Em contrapartida, a produção de arábica deve recuar 2,8 milhões de sacas, totalizando 40,9 milhões, impactada pela seca e altas temperaturas em Minas Gerais e São Paulo, que prejudicaram a floração e o vingamento dos frutos.

Pressão de safra e fundamentos sólidos devem manter preços sob controle

Segundo a Pine Agronegócios, a entrada da nova safra no mercado e o aumento da oferta tanto de arábica quanto de conilon (robusta) devem exercer pressão de baixa nos preços no curto prazo. Os fundamentos são considerados sólidos, o que leva especuladores a reduzir suas posições compradas, contribuindo para a instabilidade nas cotações.

Sessão anterior teve ganhos com recuperação técnica e dólar mais fraco

Na quinta-feira (26), o café arábica fechou em alta na Bolsa de Nova York após um pregão volátil. Apesar das perdas durante parte do dia, causadas por notícias de que as lavouras brasileiras não foram afetadas por geadas ou frio intenso, o mercado reagiu com recuperação técnica e cobertura de posições vendidas, após alcançar os níveis mais baixos dos últimos cinco meses e meio.

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A valorização do robusta em Londres e a queda do dólar frente ao real e outras moedas também contribuíram para a sustentação dos preços.

Os fechamentos de quinta-feira foram:

  • Setembro/25 (arábica): 305,65 cents/lbp (+1,15 centavo ou +0,4%)
  • Dezembro/25 (arábica): 300,40 cents/lbp (+1,60 centavo ou +0,5%)

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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