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Carnes somaram mais de R$ 4,12 bilhões na primeira quinzena de agosto

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As exportações brasileiras de carne bovina, suína e de frango alcançaram juntas cerca de R$ 4,12 bilhões nas duas primeiras semanas de agosto de 2025, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). No período, o volume embarcado somou aproximadamente 227,1 mil toneladas — 80,4 mil de carne bovina, 33,9 mil de suína e 112,8 mil de frango — mantendo o ritmo acelerado mesmo com as tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos. A média diária de faturamento combinada ultrapassou R$ 685 milhões, refletindo tanto o aumento dos preços médios da carne bovina e suína quanto a alta no volume exportado das três proteínas.

A carne bovina puxa o movimento. Até a segunda semana de agosto, foram embarcadas 80,4 mil toneladas, com média diária próxima de 13,4 mil toneladas — um salto de 35,7% em relação ao mesmo período de 2024. O preço médio também subiu, atingindo US$ 5.557 por tonelada, 25,3% acima do valor do ano passado. O faturamento diário cresceu 70%, chegando a US$ 74,5 milhões, e a projeção é que o volume total de agosto possa alcançar 320 mil toneladas, superando as 276,8 mil registradas em julho.

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A carne suína também apresenta resultado firme. Foram 33,9 mil toneladas exportadas até a segunda semana do mês, com média diária de 5,6 mil toneladas, alta de 17,4% sobre agosto do ano anterior. O preço médio teve leve elevação, para US$ 2.545,2 por tonelada, e a receita total já ultrapassa US$ 86 milhões, com avanço de 21,4% na média diária em comparação a 2024.

Nas aves, o volume embarcado alcançou 112,8 mil toneladas até agora, crescimento de 16,3% na média diária. Embora o preço médio por tonelada tenha recuado 13%, para US$ 1.800,4, a receita diária avançou 1,1%, somando US$ 33,9 milhões. Segundo o analista de mercado Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, a tendência é de recuperação mais forte nos próximos meses, com potencial de ampliação das vendas caso União Europeia e China retomem compras em maior escala.

Com esses resultados, o Brasil reafirma sua posição de potência mundial na exportação de carnes, mostrando resiliência diante de desafios externos e capacidade de ampliar mercados. Se o ritmo se mantiver, agosto poderá consolidar-se como um dos melhores meses do ano para o setor.

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Fonte: Pensar Agro

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Safra de trigo no Rio Grande do Sul deve cair em 2026 com impacto do El Niño e custos elevados

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A safra de trigo no Rio Grande do Sul deve registrar nova retração em 2026, em meio a um cenário de custos elevados, menor atratividade econômica e aumento da percepção de risco climático associado ao fenômeno El Niño. A semeadura já teve início no Estado, acompanhando a abertura do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) para as principais cultivares.

De acordo com o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, o cenário inicial indica redução significativa da área cultivada em relação ao ciclo anterior, com impacto direto sobre o planejamento das lavouras.

Avanço inicial do plantio ocorre com limitações de umidade

As condições de tempo seco têm favorecido operações de manejo da resteva, dessecação e preparo de solo, permitindo o avanço inicial da implantação das lavouras. No entanto, a baixa umidade do solo em diversas regiões tem dificultado a germinação e emergência das primeiras áreas semeadas, levando produtores a aguardarem chuvas mais regulares.

Na safra anterior, o Estado cultivou 1,16 milhão de hectares de trigo, com produção de 3,45 milhões de toneladas e produtividade média de 2.968 kg/ha, segundo dados do IBGE.

Fatores econômicos e climáticos pressionam decisão dos produtores

Segundo a Emater/RS-Ascar, a expectativa de redução da área está ligada a três fatores principais: custos elevados de produção, baixa rentabilidade do cereal e maior percepção de risco climático durante o inverno e a primavera.

Mesmo com esse cenário, parte dos produtores tem optado por antecipar a semeadura em áreas sem financiamento ou seguro rural, buscando posicionar fases críticas da cultura, como florescimento e enchimento de grãos, fora dos períodos de maior intensidade de chuvas da primavera.

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Regiões gaúchas apresentam comportamento desigual na safra

Na Fronteira Oeste, municípios como Manoel Viana e São Borja registram avanço lento da semeadura. Em Manoel Viana, produtores já possuem insumos e áreas preparadas, mas aguardam precipitações para melhorar a umidade do solo. Em São Borja, cresce o número de desistências do cultivo, impulsionado pela combinação entre incertezas climáticas, custos elevados e exigências de qualidade.

Na região da Campanha, produtores seguem aproveitando o tempo seco para preparo do solo, com expectativa de início mais intenso do plantio no fim de junho.

Na Serra Gaúcha, a semeadura ainda não começou. Em Caxias do Sul, o plantio deve ocorrer entre a segunda quinzena de junho e início de julho, enquanto nos Campos de Cima da Serra a concentração das atividades ocorre ao longo de julho. A estimativa regional aponta retração de aproximadamente 30% da área cultivada.

Já na regional de Frederico Westphalen, a projeção inicial indica redução próxima de 20% na área plantada.

Avanço da semeadura ainda é pontual em algumas regiões

Em Ijuí, cerca de 7% da área projetada já foi semeada. As sementes encontram-se em fase de embebição, sem emergência observada até o momento. O avanço foi favorecido pelo início do período recomendado pelo zoneamento e por melhores condições operacionais do solo, além da continuidade dos trabalhos de dessecação para controle de plantas espontâneas.

Na regional de Santa Rosa, a semeadura atinge cerca de 6% da área prevista, concentrada principalmente em lavouras sem financiamento ou cobertura de seguro rural. A expectativa de menor incidência de geadas também tem estimulado a antecipação do plantio.

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Em Soledade, a projeção é de redução superior a 30% da área cultivada, com cerca de 7% já semeada até o momento.

Mudanças estruturais e migração de culturas

O boletim da Emater destaca ainda mudanças no perfil produtivo regional. Empresas do setor energético vêm incentivando o cultivo de grãos voltados à produção de etanol, o que tem estimulado a substituição parcial do trigo destinado à indústria alimentícia.

Além disso, a baixa disponibilidade de crédito e menor acesso a sementes fiscalizadas têm levado ao aumento do uso de sementes salvas e recursos próprios, reforçando a tendência de redução da área cultivada.

Em algumas regiões, produtores também têm migrado para culturas alternativas como canola, carinata, linhaça e painço, diante da maior previsibilidade econômica dessas atividades.

Tendência de retração marca safra 2026

A combinação entre fatores climáticos, econômicos e estruturais reforça a expectativa de retração da safra de trigo no Rio Grande do Sul em 2026. Mesmo com o início do plantio dentro do período recomendado pelo ZARC, o cenário aponta para uma reconfiguração da cultura no Estado, com menor área e maior seletividade produtiva.

A evolução das chuvas nas próximas semanas e o comportamento do mercado serão determinantes para o ritmo final da semeadura e para o tamanho efetivo da safra gaúcha.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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