AGRONEGOCIOS
Carta do setor reforça sustentabilidade e economia
AGRONEGOCIOS
O Brasil tem um rebanho bovino de 224,6 milhões de cabeças e lidera a produção e exportação mundial de carne bovina, movimentando aproximadamente R$ 478 bilhões anuais (dados de 2024). Esse é o peso de uma carta lançada essa semana em Brasília, assinada por criadores de gado de diferentes regiões do país, que compõem o movimento Pecuária Tropical pelo Clima. O documento apresenta uma série de compromissos para tornar a produção de bovinos mais sustentável, conciliando eficiência econômica e preservação ambiental.
Entre os compromissos destacados, estão o fortalecimento da economia local, a recuperação de áreas degradadas, a adoção de práticas de baixa emissão e a garantia de rastreabilidade confiável, visando transparência e acesso a mercados que valorizem produtos sustentáveis. O movimento enfatiza que o setor deseja contar sua própria história, mostrando que a pecuária tropical pode ser produtiva e ambientalmente responsável ao mesmo tempo.
Os criadores também apontam desafios que ainda precisam ser superados, incluindo falta de infraestrutura adequada, insegurança jurídica e barreiras comerciais que dificultam a expansão das exportações. Para eles, a adoção de métricas específicas para a pecuária tropical é essencial, permitindo políticas públicas alinhadas à realidade do setor e evitando decisões baseadas em dados que não refletem o contexto brasileiro.
“O compromisso é com uma pecuária que gere riqueza, respeite o meio ambiente e contribua para a competitividade do país”, afirmam os signatários da carta. Segundo especialistas, o Brasil tem potencial para aumentar a produtividade sem expandir a área de pastagem, utilizando tecnologia e boas práticas de manejo, consolidando sua posição no mercado global de carne bovina.
Leia o documento na íntegra, clicando aqui.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGOCIOS
El Niño pode reduzir oferta global de açúcar, enquanto Brasil reforça protagonismo no mercado internacional
O mercado internacional de açúcar volta a concentrar atenções nas projeções climáticas diante da possibilidade de um novo episódio do fenômeno El Niño. Embora o cenário global tenha sido marcado nos últimos meses pela recuperação da oferta e pela pressão sobre os preços da commodity, especialistas alertam que mudanças no regime de chuvas podem alterar o equilíbrio entre oferta e demanda na safra 2026/27.
De acordo com análise da Hedgepoint Global Markets, os maiores riscos estão concentrados nos principais produtores do Hemisfério Norte, como Índia, Tailândia e países da América Central, onde o fenômeno costuma provocar redução das chuvas e aumento das temperaturas, comprometendo o desenvolvimento da cana-de-açúcar.
Enquanto isso, o Brasil deve manter uma posição privilegiada no mercado mundial, sustentado por uma safra robusta e menor exposição aos impactos climáticos previstos para o próximo ciclo.
Brasil deve manter liderança na produção de açúcar
A expectativa para a safra 2026/27 do Centro-Sul brasileiro continua positiva. Segundo a Hedgepoint, a principal região produtora do país deverá colher cerca de 635 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, superando a marca de 600 milhões de toneladas pelo quarto ano consecutivo.
Esse desempenho reforça a posição do Brasil como maior produtor e exportador global de açúcar, ampliando sua importância para o abastecimento do mercado internacional em um cenário de possíveis dificuldades produtivas em outras origens.
Além disso, a maior parte da cultura já passou pela fase mais sensível de desenvolvimento, reduzindo a vulnerabilidade da safra atual aos efeitos do El Niño.
Mesmo que o aumento das chuvas possa provocar atrasos pontuais na moagem em algumas regiões do Centro-Sul, as perspectivas para a produção permanecem favoráveis.
Índia e Tailândia concentram as maiores preocupações
Ao contrário do Brasil, países asiáticos podem enfrentar impactos mais severos caso o fenômeno climático se confirme.
Índia e Tailândia, responsáveis por parcela significativa das exportações mundiais de açúcar, historicamente registram períodos de estiagem durante eventos de El Niño. A menor disponibilidade de água pode reduzir a produtividade dos canaviais e limitar a oferta de matéria-prima para a indústria açucareira na safra que terá início em outubro de 2026.
Qualquer redução na produção desses países tende a influenciar rapidamente as cotações internacionais da commodity, devido ao peso que ambos exercem no comércio global.
América Central também entra no radar do mercado
Além da Ásia, os países produtores da América Central também passam a ser monitorados pelos analistas.
As projeções climáticas indicam maior probabilidade de condições secas na região, cenário que pode comprometer o desenvolvimento das lavouras de cana-de-açúcar e reduzir os volumes destinados à exportação.
A intensidade dos impactos dependerá da duração do fenômeno e das condições climáticas específicas de cada país ao longo do ciclo produtivo.
Duração do El Niño será decisiva para os próximos ciclos
Especialistas destacam que os reflexos do fenômeno não devem se limitar apenas à safra 2026/27.
Caso o El Niño se intensifique durante o segundo semestre de 2026 e permaneça ativo ao longo de 2027, seus efeitos poderão influenciar também o desenvolvimento da safra 2027/28.
No Brasil, chuvas mais frequentes na região Sul do Centro-Sul poderão favorecer a recuperação hídrica dos canaviais para o próximo ciclo, embora ainda seja cedo para confirmar essa tendência.
Oferta brasileira pode ganhar ainda mais importância
O calendário agrícola dos principais países produtores faz com que os impactos climáticos ocorram em momentos distintos, exigindo acompanhamento constante por parte do mercado.
Mesmo diante de um cenário atual de oferta global mais confortável, analistas avaliam que uma eventual redução da produção em concorrentes poderá ampliar ainda mais a dependência do açúcar brasileiro para equilibrar o abastecimento mundial.
Segundo Livea Coda, coordenadora de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets, o monitoramento das condições climáticas continuará sendo um dos principais fatores para a formação dos preços internacionais.
“A combinação entre condições relativamente mais favoráveis no Brasil e potenciais dificuldades produtivas em outras origens reforça a necessidade de monitoramento constante das condições climáticas e de seus reflexos sobre a oferta global”, afirma a especialista.
Mercado acompanha clima e perspectivas para os preços
Com a proximidade do início da safra no Hemisfério Norte, investidores, usinas e tradings acompanham atentamente a evolução das previsões climáticas.
Caso o El Niño provoque perdas relevantes em importantes países exportadores, o Brasil poderá ampliar sua participação no comércio internacional de açúcar, consolidando ainda mais seu papel estratégico na segurança do abastecimento global da commodity.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio


