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Casal de produtores da Serra da Mantiqueira investe na cultura da baunilha e reforça inovação no campo
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Paula Dias e Pedro Rodrigues Dias, produtores rurais da região da Serra da Mantiqueira, continuam apostando na diversificação e inovação. Já reconhecidos pela produção de cafés especiais e mel por meio da Grandpa Joel’s Coffee, o casal agora embarca no cultivo da baunilha — uma especiaria rara e delicada, que coloca a propriedade entre as pioneiras da região nesse segmento.
Experiência e paixão que unem tradição e inovação
Com 15 anos de parceria pessoal e profissional, o casal reúne experiências trazidas da Califórnia e Nova York, onde moraram antes de se dedicar integralmente à agricultura familiar. Transformaram a antiga fazenda da família de Pedro em um verdadeiro polo de inovação rural. Entre as iniciativas, estão o turismo rural, a produção familiar de mel e até embalagens de café que vêm com sementes para que o consumidor plante em casa, promovendo a conexão direta com a terra.
O início do cultivo da baunilha
O interesse pela baunilha surgiu de forma curiosa, após Paula assistir a uma reportagem sobre a especiaria. Anos depois, ao encontrar uma muda, levou-a para a fazenda e iniciou os primeiros cuidados por conta própria. “Os cursos do Sistema Faemg Senar foram essenciais. Apesar de culturas diferentes, muitas técnicas de café e mel puderam ser adaptadas ao cultivo da baunilha, e seguimos aprendendo”, explica Paula.
Desafios e superação no campo
O cultivo da baunilha exigiu ainda mais resiliência do casal. Em 2022, Paula enfrentou um diagnóstico de câncer no rosto, o que restringiu sua exposição ao sol. Mesmo assim, seu amor pela nova produção a manteve firme no trabalho. Para garantir sua segurança, Pedro construiu uma estufa, onde a planta se desenvolveu ainda melhor. Hoje, toda a produção está concentrada nesse ambiente protegido.
Expectativas e planejamento para o futuro
A primeira colheita está prevista para este ano, mas será usada principalmente para aprendizado e ajustes no cultivo. A comercialização da baunilha deve começar apenas em 2026, já que a planta demanda paciência: são pelo menos três anos até a floração e mais nove meses após a polinização manual para a colheita.
Capacitação e gestão rural
Além do cultivo, o casal participou de cursos do Sistema Faemg Senar, como o ATeG Café + Forte e o ATeG Apicultura, promovidos em parceria com o Sindicato dos Produtores Rurais (SPR) de Santa Rita do Sapucaí. O conhecimento adquirido não só auxiliou no manejo da baunilha, mas também contribuiu para a gestão da propriedade e o aprimoramento das demais culturas.
Com essa trajetória, Paula e Pedro reafirmam o compromisso com a diversidade agrícola e a inovação, inspirando outros produtores a investir em novas possibilidades no campo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Uso de satélite para barrar crédito rural gera novo debate no setor
A nova regra que condiciona o acesso ao crédito rural ao monitoramento ambiental por satélite abriu uma frente de tensão entre produtores, Congresso e governo federal. Desde 1º de abril, bancos que operam recursos do Plano Safra passaram a consultar automaticamente dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes) antes da liberação dos financiamentos agropecuários.
O centro da discussão está nos chamados “falsos positivos”, situações em que alterações na cobertura vegetal identificadas pelo sistema acabam sendo interpretadas como desmatamento irregular, mesmo quando decorrem de atividades produtivas permitidas ou manejos regulares dentro da propriedade.
Segundo a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), produtores vêm relatando dificuldades para acessar crédito em casos envolvendo limpeza de pastagem, manejo agrícola, renovação de áreas produtivas e até colheita de florestas plantadas, como eucalipto.
A preocupação do setor é que o sistema utilizado para monitoramento identifica mudanças na vegetação, mas não consegue, sozinho, diferenciar imediatamente uma atividade legal de um desmatamento irregular.
Com isso, o bloqueio ao crédito pode ocorrer antes mesmo de qualquer análise individualizada do caso. Isso inverte o ônus da prova e obriga o produtor a comprovar posteriormente que a alteração apontada pelo satélite não configura infração ambiental. O processo pode envolver laudos técnicos, documentos fundiários, análises ambientais e procedimentos administrativos que levam semanas ou meses.
O problema ganha peso porque o crédito rural continua sendo peça central do financiamento agropecuário brasileiro, especialmente em um momento de juros elevados, aumento do endividamento e custos ainda pressionados.
Dados citados pela consultoria Datagro mostram que mais de 5,4 milhões de apontamentos positivos estavam registrados no sistema Prodes até outubro de 2025. Parte dessas ocorrências, segundo o setor, pode estar associada justamente a interpretações equivocadas do monitoramento remoto.
As novas exigências estão previstas nas Resoluções nº 5.193/2024 e nº 5.268/2025, do Conselho Monetário Nacional (CMN), dentro do processo de endurecimento das regras ambientais para concessão de crédito rural.
A justificativa oficial é impedir que propriedades com irregularidades ambientais tenham acesso a recursos públicos subsidiados.
O avanço das restrições provocou reação imediata no Congresso Nacional. Parlamentares ligados à Frente Parlamentar da Agropecuária protocolaram projetos para suspender os efeitos das resoluções até que sejam criados mecanismos considerados mais precisos de validação ambiental.
As propostas também tentam impedir embargos automáticos baseados exclusivamente em imagens de satélite e estabelecer critérios técnicos mais claros para restrições ao financiamento rural.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto), o principal problema está na automatização do processo sem análise técnica prévia. “O monitoramento ambiental é necessário e irreversível. O problema começa quando um apontamento preliminar feito por satélite passa a produzir efeito imediato sobre o crédito sem uma verificação individualizada da situação da propriedade”, afirma.
Segundo Rezende, a insegurança aumenta porque o produtor depende do financiamento para manter o calendário agrícola e não consegue esperar meses por uma solução administrativa. “O crédito rural não financia apenas expansão. Ele financia custeio, compra de insumos, operação da safra e fluxo de caixa da propriedade. Quando o recurso trava por causa de um possível falso positivo, o impacto econômico acontece imediatamente dentro da porteira”, diz.
Ele avalia que o avanço das exigências ambientais tende a se intensificar nos próximos anos, principalmente pela pressão de bancos, mercados importadores e sistemas internacionais de rastreabilidade.
“A questão ambiental passou a fazer parte da análise de risco do crédito rural. Isso já não é mais uma discussão apenas regulatória. O produtor vai precisar cada vez mais de documentação organizada, regularidade ambiental e segurança jurídica para acessar financiamento e mercado”, afirma.
O episódio evidencia uma mudança estrutural no agro brasileiro. Critérios ambientais deixaram de afetar apenas fiscalização e passaram a interferir diretamente na capacidade de financiar produção, renegociar dívidas e manter competitividade no mercado internacional.
Fonte: Pensar Agro
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