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Chuvas favorecem trigo no Sul e impulsionam início da safra de verão, aponta Conab
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Os volumes de chuva registrados no Sul do Brasil nos primeiros 20 dias de setembro trouxeram benefícios aos cultivos de inverno, especialmente ao trigo, segundo o Boletim de Monitoramento Agrícola (BMA) divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Apesar de episódios de geadas, tempestades e excesso de umidade em algumas regiões, as condições gerais são consideradas favoráveis para a produção.
Trigo apresenta bom desenvolvimento no Sul do Brasil
O trigo, principal cultura de inverno em área semeada, segue em boas condições de crescimento. Dados espectrais mostram que o índice de vegetação (IV) nas principais regiões produtoras evoluiu acima da média histórica durante grande parte do ciclo e, atualmente, está próximo ou superior ao desempenho da safra anterior.
- Rio Grande do Sul: maior produtor nacional, apresenta lavouras em condições satisfatórias, mesmo com excesso de chuvas no início de setembro.
- Paraná: clima favoreceu a colheita, com a maioria das lavouras em fase de maturação.
- Santa Catarina: lavouras com bom potencial produtivo, em desenvolvimento vegetativo e enchimento de grãos, impulsionadas pela alternância entre sol e alta umidade.
Avanço do plantio das culturas de verão 2025/26
O boletim da Conab também destacou o início da safra de verão 2025/26, que avança principalmente em áreas irrigadas ou com boa disponibilidade de água no solo.
- Arroz irrigado: início do plantio no Rio Grande do Sul, com foco em áreas pré-germinadas. Em Santa Catarina, o avanço é mais expressivo no litoral Norte.
- Milho primeira safra: semeadura em ritmo acelerado no Sul, favorecida pelas temperaturas mais altas e pelas chuvas regulares.
- Soja: plantio incipiente no Centro-Oeste, restrito a áreas irrigadas. No Paraná, já começou em regiões oeste e sudoeste, onde a umidade adequada tem garantido bom desenvolvimento inicial das lavouras.
Perspectivas para a próxima safra
Com o trigo se consolidando em boas condições e o avanço da semeadura das culturas de verão, o cenário agrícola no Sul e Centro-Oeste se mostra positivo, ainda que dependa da regularidade das chuvas e do controle de extremos climáticos nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Produtos bovinos brasileiros podem ganhar mais espaço no mercado japonês
Estabelecimentos brasileiros registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF) que produzem produtos bovinos processados têm até as 18h desta segunda-feira (31.08) para manifestar interesse em participar da auditoria sanitária que o Japão realizará no Brasil e que poderá ampliar o acesso de produtos bovinos processados ao mercado japonês. A iniciativa ocorre em meio ao esforço brasileiro para aumentar a presença da pecuária nacional em um dos mercados de carne mais exigentes e valorizados do mundo.
A chamada foi aberta pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para identificar estabelecimentos interessados e preparados para receber a missão japonesa. O trabalho será conduzido pelas autoridades sanitárias do Japão e deverá avaliar as condições brasileiras de produção e processamento.
A lista inclui produtos como carne bovina desidratada, conhecida internacionalmente como beef jerky, envoltórios bovinos submetidos a tratamento térmico e o chamado Prime Beef, produto elaborado a partir de colágeno bovino e extrato de carne.
O objetivo da auditoria é revisar o Programa de Verificação de Exportação (EVP, na sigla em inglês), conjunto de procedimentos que estabelece as condições que os estabelecimentos brasileiros precisam cumprir para vender determinados produtos ao Japão.
Na prática, uma avaliação favorável poderá permitir a inclusão de novos produtos e estabelecimentos brasileiros no comércio com o país asiático.
O prazo desta segunda-feira não significa, portanto, abertura automática do mercado. Ele representa uma etapa preparatória para a auditoria e para a negociação sanitária necessária antes da autorização das exportações.
A movimentação ganha importância porque o Japão é fortemente dependente da importação de alimentos. Cerca de 60% das calorias consumidas pela população japonesa têm origem externa, ao mesmo tempo em que o país mantém padrões sanitários rigorosos para entrada de produtos agropecuários.
Na carne bovina, aproximadamente 70% do consumo japonês é abastecido por importações. Austrália e Estados Unidos estão entre os principais fornecedores, enquanto o Brasil ainda busca ampliar sua participação nesse mercado.
A abertura para a carne bovina brasileira in natura é uma negociação separada e muito mais ampla, que se arrasta há mais de duas décadas. Brasil e Japão decidiram acelerar as discussões e estabeleceram a realização de inspeções técnicas como uma das etapas necessárias para avançar na avaliação de risco.
Por isso, embora a auditoria relacionada ao prazo de segunda-feira seja destinada a produtos processados, o movimento ocorre dentro de uma aproximação sanitária e comercial mais abrangente entre os dois países.
Para a pecuária brasileira, conquistar espaço no Japão teria importância que vai além do volume vendido. O país asiático é considerado um mercado de elevado valor agregado e possui exigências sanitárias capazes de funcionar como referência para outros compradores.
A diversificação também ganhou importância neste segundo semestre. As exportações brasileiras de carne bovina chegaram a 1,97 milhão de toneladas entre janeiro e julho, crescimento de 9,9% em relação ao mesmo período do ano passado, mas o setor enfrenta mudanças nas condições de acesso a alguns de seus principais destinos.
Nesse cenário, ampliar o número de compradores reduz a dependência de poucos mercados e aumenta as alternativas comerciais dos frigoríficos. O efeito pode chegar ao pecuarista por meio de maior disputa pela matéria-prima e da valorização de animais que atendam às exigências dos destinos mais remuneradores.
A abertura de um mercado, entretanto, não termina com a autorização sanitária. Frigoríficos precisam cumprir requisitos específicos de produção, processamento, rastreabilidade e certificação para serem habilitados a exportar.
É justamente esse processo que começa agora para os produtos incluídos na chamada. Os estabelecimentos interessados devem encaminhar a documentação por meio do Serviço de Inspeção Federal (SIF) e do respectivo Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa), para que a manifestação chegue ao Mapa dentro do prazo.
Manifestações apresentadas depois das 18h desta segunda-feira não serão consideradas.
A auditoria japonesa será o passo seguinte. Se o resultado permitir a revisão das regras atuais, o Brasil poderá acrescentar novos produtos bovinos à pauta de exportações para o Japão enquanto continua negociando o objetivo de maior peso econômico para a pecuária nacional: a abertura do mercado japonês à carne bovina brasileira in natura.
Fonte: Pensar Agro



