AGRONEGOCIOS
Colheita do milho avança no Paraná, mas há preocupação com qualidade dos grãos
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Colheita da segunda safra de milho atinge 29% no Paraná
O Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria de Agricultura e do Abastecimento do Paraná, divulgou nesta semana um novo boletim com a atualização das condições das lavouras e o andamento da colheita no estado. De acordo com o relatório, 29% das lavouras de milho da segunda safra já foram colhidas, ante os 16% registrados na semana anterior.
O restante das áreas segue em estágios finais de desenvolvimento: 78% estão em maturação e 22% ainda em frutificação.
Condições das lavouras variam e geadas causam prejuízos
As lavouras apresentam níveis distintos de qualidade. Segundo os técnicos do Deral, 64% das áreas estão em boas condições, 20% em condição média e 16% em condição considerada ruim.
O avanço da colheita foi favorecido pela melhora nas condições do tempo, mas segue lento devido à alta umidade dos grãos, que persistiu durante boa parte da semana, apesar da melhora recente.
As lavouras mais tardias, que ainda estão em frutificação, foram atingidas por geadas, especialmente aquelas semeadas fora da janela ideal indicada pelo zoneamento agrícola. Nessas regiões, perdas relevantes já foram identificadas. Em alguns casos, parte da produção será destinada à silagem, como forma de aproveitamento da lavoura afetada.
Preocupação com a qualidade e produtividade final
O relatório do Deral destaca que os prejuízos ainda estão sendo avaliados e que só será possível mensurar com maior precisão no momento da colheita total, pois o alongamento do ciclo e o atraso nas operações podem agravar os impactos do frio intenso registrado nas últimas semanas.
Outro ponto de atenção é a qualidade dos grãos, que tem sido comprometida pela elevada umidade e pelo atraso na colheita, fatores que podem impactar diretamente o aproveitamento da produção, tanto para a venda quanto para o armazenamento.
A colheita da segunda safra de milho avança no Paraná, mas enfrenta desafios relacionados ao clima, que afetam tanto o volume quanto a qualidade dos grãos. As geadas e o excesso de umidade exigem atenção redobrada dos produtores e podem impactar o balanço final da safra no estado, um dos maiores produtores de milho do país.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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