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Conflito no Oriente Médio eleva risco de alta nos preços de alimentos e pressiona agronegócio brasileiro

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A escalada do conflito no Oriente Médio, com o Irã no centro das tensões geopolíticas, acendeu um alerta no agronegócio brasileiro. O país depende de 85% dos fertilizantes importados, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos, e grande parte dos insumos nitrogenados circula por cadeias globais sensíveis a crises internacionais. Ao mesmo tempo, a volatilidade do petróleo, acompanhada pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), pressiona os custos de combustíveis e fretes.

O cenário traz impacto direto sobre o custo de produção agrícola, com fertilizantes representando entre 20% e 40% dos gastos em culturas como soja e milho, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Caso os preços internacionais subam ou o fornecimento seja interrompido, os produtores podem ter que absorver margens menores ou repassar parte do aumento ao longo da cadeia produtiva.

Custos com diesel e logística pressionam transporte e fretes

O diesel é outro fator crítico. O transporte rodoviário responde por cerca de 65% da movimentação de cargas no país, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A alta do preço do barril impacta diretamente o frete, elevando o custo final de alimentos, especialmente em um país com dimensões continentais como o Brasil.

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Pressão se estende à indústria e ao varejo

O aumento nos custos de insumos e logística afeta indústrias, tradings, cooperativas e supermercados, gerando compressão de margens. Dados da Serasa Experian indicam que milhões de empresas enfrentam algum nível de inadimplência, refletindo um ambiente de crédito mais restrito.

Para Marcos Pelozato, advogado e especialista em reestruturação empresarial, o efeito é em cadeia: “Quando o agro perde rentabilidade, a indústria processadora sente, o varejo sente e o consumidor paga a conta. É um ciclo que começa no campo e termina no carrinho do supermercado.”

Impacto direto no consumidor final

O reflexo nos preços tende a ser mais evidente em alimentos básicos, proteínas e produtos que dependem de transporte de longa distância. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que alimentos e combustíveis têm peso relevante no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), e qualquer choque externo pode ampliar a pressão sobre o orçamento das famílias.

Estratégias para reduzir riscos

Especialistas recomendam que empresas do setor agroalimentar reforcem gestão de risco e liquidez. Entre as medidas sugeridas estão:

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Revisão de contratos e avaliação de concessão de crédito;

  • Negociação antecipada de insumos;
  • Diversificação de fornecedores;
  • Formação de estoque estratégico, quando possível;
  • Planejamento criterioso de financiamentos agrícolas.

Segundo Pelozato, “crédito caro em cenário instável exige cautela. Endividamento sem planejamento pode transformar uma oscilação temporária em crise estrutural”.

Cenário econômico e perspectivas

Se o conflito no Oriente Médio se prolongar e afetar consistentemente o fornecimento de energia e fertilizantes, o Brasil pode enfrentar novo ciclo de pressão inflacionária, com impactos sobre juros, consumo e crescimento econômico. No campo, produtores já manifestam preocupação; nas cidades, a consequência tende a aparecer gradualmente nos preços e nas condições de pagamento.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Regra que cruza desmatamento e crédito gera nova disputa no STF e acende alerta no agro

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A mudança nas regras do crédito rural, que passou a incorporar dados de monitoramento por satélite na análise de financiamento, levou o setor produtivo ao Supremo Tribunal Federal (STF) e abriu um novo flanco de disputa entre política ambiental e política agrícola.

A mudança foi publicada pelo portal Pensar Agro no último dia 9, leia aqui.

Nesta quarta-feira (15.04) a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil encontrou com ação questionando resoluções do Conselho Monetário Nacional (CMN) que determinaram o uso de informações do sistema oficial de monitoramento do desmatamento (Prodes) como filtro nas operações de crédito para imóveis rurais acima de quatro módulos fiscais.

O ponto de conflito está na forma como a regra foi desenhada. Pelas normas, instituições financeiras devem considerar a existência de supressão vegetal apontada por satélite na análise de risco das operações. Na prática, isso introduz uma nova camada de verificação antes da liberação dos recursos.

Para o setor produtivo, o problema não está no monitoramento em si, mas na forma automática como a informação passa a impactar o crédito. O argumento é que o sistema não diferencia, de forma imediata, desmatamento ilegal de intervenções autorizadas, o que pode gerar bloqueios mesmo em propriedades regulares.

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Outro aspecto que pesa é o tempo de resposta. A ausência de prazos definidos para validação das informações e análise das justificativas apresentadas pelo produtor cria, segundo a entidade, um intervalo de incerteza em que o crédito simplesmente não chega. Em um setor dependente de calendário, esse atraso pode significar perda de janela de plantio ou redução de escala.

A discussão ganha relevância em um momento de maior restrição financeira no campo. Com juros elevados e avanço do endividamento, o crédito rural já opera com maior seletividade. A introdução de um novo filtro, ainda sujeito a inconsistências técnicas, tende a ampliar esse efeito.

Na leitura de agentes do mercado, a medida altera a lógica tradicional da política de crédito, que historicamente combina análise financeira com critérios produtivos. Ao incorporar um indicador ambiental como elemento de bloqueio prévio, a regra desloca parte do risco regulatório para dentro da operação.

A CNA sustenta que o modelo atual cria uma presunção de irregularidade antes da análise individual de cada caso, o que, na prática, transfere ao produtor o ônus de comprovar sua regularidade após a negativa de crédito. Para a entidade, isso contraria princípios básicos do direito administrativo e compromete a previsibilidade necessária ao financiamento da produção.

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O governo, por sua vez, vê a medida como instrumento de alinhamento entre crédito público e compromissos ambientais, em linha com exigências de mercado e acordos internacionais. A avaliação é de que o sistema contribui para coibir irregularidades e dar maior transparência às operações.

O desfecho da disputa deve definir o alcance dessa nova lógica. Caso o STF suspenda as resoluções, o crédito tende a voltar ao modelo anterior. Se mantidas, as regras devem consolidar um novo padrão, em que variáveis ambientais passam a ter peso direto na liberação de financiamento.

Para o produtor, o efeito é imediato: mais do que custo, o crédito passa a depender também da leitura de dados remotos e da capacidade de comprovar regularidade em tempo hábil. Em um setor guiado por janela de plantio e fluxo de caixa, essa variável pode fazer diferença entre produzir ou reduzir área na próxima safra.

Fonte: Pensar Agro

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