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Crise aviária pode reduzir preço do frango no curto prazo, mas impacto na inflação deve ser limitado
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Pressão inflacionária e crise aviária colocam o setor avícola no centro do debate econômico
Em meio ao esforço do governo federal para conter a inflação de alimentos, analistas avaliam que o surto de gripe aviária no Brasil pode proporcionar algum alívio temporário nos preços da carne de frango. No entanto, o impacto deve ser modesto e de curta duração, alertam especialistas.
Exportações suspensas aumentam a oferta interna
Após a confirmação do primeiro caso da doença em granja comercial no Rio Grande do Sul, diversas nações passaram a impor restrições às importações de aves brasileiras. O estado, responsável por cerca de 12% dos frangos abatidos no país em 2023, teve sua produção impactada, o que pode gerar um excedente no mercado interno.
Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o Brasil é o maior exportador global de carne de frango, direcionando cerca de um terço da produção ao mercado externo. A suspensão das exportações, portanto, obriga empresas como BRF SA e JBS SA a buscar novos destinos para seus produtos — ou a redirecionar parte da produção ao mercado doméstico, o que pode reduzir os preços internos da proteína.
Zoneamento sanitário pode preservar parte do comércio
Para conter o avanço da doença sem comprometer totalmente o comércio, a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) recomendou a adoção do zoneamento sanitário, estratégia que concentra os bloqueios e medidas de controle apenas nas regiões afetadas. A medida visa permitir a continuidade das exportações de outras áreas do país consideradas livres da doença.
Efeito sobre os preços deve ser passageiro
Apesar da expectativa inicial de queda nos preços, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, já minimizou a relevância desse impacto. Segundo José Carlos Hausknecht, sócio da consultoria MB Agro, o efeito nos preços será pequeno e restrito ao curto prazo, com tendência de normalização assim que as exportações forem retomadas.
A corretora XP também avalia que a pressão nos preços será temporária, podendo variar de acordo com a duração das restrições internacionais. Para o economista André Braz, da FGV Ibre, se os preços caírem abaixo dos custos de produção, é provável que as empresas do setor avícola reduzam a oferta, limitando o efeito de queda nos preços.
Inflação dos alimentos segue como desafio para o governo
A inflação dos alimentos tem sido um dos principais entraves para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nos 12 meses encerrados em abril, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 5,5%, com destaque para os alimentos, que registraram alta de 7,8% — sendo que carne de aves e ovos acumulam aumento de 12,3%, segundo dados do IBGE.
Adenauer Rockenmeyer, coordenador do Fórum do Agronegócio do Corecon-SP, afirma que qualquer alívio inflacionário será marginal e destaca o risco de agravamento da crise sanitária. “Se o foco não for contido e a doença se espalhar para outras granjas, haverá um abate em larga escala, comprometendo a oferta não só de frango, mas também de ovos, o que elevaria novamente a inflação”, alerta.
Embora a crise aviária possa gerar uma queda momentânea nos preços da carne de frango no mercado interno, especialistas apontam que o impacto sobre a inflação será limitado e que o cenário pode se reverter rapidamente, caso a doença se alastre e afete significativamente a produção nacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Brasil exporta menos café em volume, mas mantém faturamento com preços elevados
O Brasil exportou 35,4 milhões de sacas de café de 60 kg entre julho de 2025 e maio de 2026, segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). O volume representa uma queda de 18% em relação ao mesmo período da safra anterior, quando os embarques somaram 43 milhões de sacas.
Apesar da redução na quantidade exportada, o desempenho financeiro do setor se manteve praticamente estável. A receita acumulada atingiu US$ 13,6 bilhões, levemente abaixo dos US$ 13,7 bilhões registrados na temporada 2024/25. O resultado evidencia que a valorização do grão no mercado internacional compensou a menor disponibilidade do produto brasileiro.
Preços altos sustentam receita mesmo com queda nas exportações
De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o desempenho do café brasileiro ao longo da safra 2025/26 foi impactado por uma combinação de fatores, especialmente a menor produção e os estoques internos historicamente reduzidos.
Com a oferta limitada, o café disponível foi sendo gradualmente comercializado ao longo do ciclo, o que reduziu significativamente os volumes remanescentes para negociação. Em paralelo, os preços elevados permitiram maior capitalização dos produtores, que não demonstraram necessidade de acelerar a venda dos estoques restantes.
Esse cenário contribuiu para a queda nos embarques, mesmo com o Brasil mantendo forte competitividade no mercado internacional.
Nova safra avança, mas impacto nas exportações será gradual
Segundo pesquisadores do Cepea, a colheita da safra 2026/27 começou a ganhar ritmo em maio, impulsionando o avanço das negociações no mercado interno. No entanto, o impacto desse novo ciclo ainda não aparece de forma significativa nos dados de exportação.
Isso ocorre porque o café recém-colhido precisa passar por etapas de preparo, secagem e beneficiamento antes de estar apto para embarques em maior escala. Dessa forma, o reflexo da nova safra sobre os volumes exportados deve ocorrer de maneira gradual ao longo dos próximos meses.
O Cepea avalia que parte desse movimento já pode ser percebida nos dados de junho, embora ainda de forma parcial, com tendência de aumento progressivo na oferta exportável conforme a safra avança.
Perspectivas para o setor cafeeiro brasileiro
O comportamento recente do mercado reforça o papel dos preços internacionais como principal fator de sustentação da receita do setor cafeeiro brasileiro em um cenário de menor oferta. Ao mesmo tempo, a transição para a nova safra tende a redefinir o equilíbrio entre volume e valor nas exportações nos próximos meses.
Com a entrada gradual da produção 2026/27 no mercado, a expectativa é de recuperação parcial dos embarques, ainda que condicionada ao ritmo de beneficiamento e à dinâmica de demanda global pelo café brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio


