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CTC alcança lucro recorde de R$ 175,7 milhões na safra 2024/25 e reforça investimentos em inovação
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O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), referência global em inovação no setor sucroenergético, encerrou a safra 2024/25 com resultados financeiros expressivos. O lucro líquido da companhia atingiu R$ 175,7 milhões, representando um crescimento de 15,3% em relação à safra anterior. Esse avanço foi sustentado por uma rápida adoção de novas cultivares, uso intensivo de biotecnologia e soluções de maior valor agregado, além do aumento da penetração de mercado.
Receita e área plantada em alta
A receita líquida totalizou R$ 422,6 milhões, crescimento de 10,6% na comparação com o ciclo 2023/24. Parte desse resultado veio do aumento de 9,5% na área faturada, que alcançou 1.284 mil hectares. Esse desempenho reflete a aceitação das variedades de cana com maior performance genética e maior valor agregado desenvolvidas pelo CTC.
EBITDA elevado e caixa sólido
O EBITDA consolidado foi de R$ 198,2 milhões, com alta de 6,6% e margem de 46,9%. Mesmo com os investimentos crescentes em inovação, a companhia manteve uma posição de caixa robusta, encerrando o período com R$ 493,9 milhões em disponibilidade financeira.
“O desempenho da safra reforça a solidez do nosso modelo de negócios e a eficiência da nossa estratégia, mesmo diante de um cenário desafiador. Estamos alinhados ao nosso plano de longo prazo e seguimos comprometidos com a meta de dobrar a produtividade dos canaviais até 2040”, afirma o CEO do CTC, Cesar Barros.
CTC Day apresenta nova geração de tecnologias
Em abril, o CTC promoveu o CTC Day, evento que reuniu investidores, produtores e parceiros para apresentar inovações que prometem redefinir o futuro do setor. Destaques do encontro incluíram:
- CTC Advana: nova série de variedades com alta performance genética;
- Linha Tecna: soluções regionais desenvolvidas em parceria com produtores;
- VerdPRO2: nova plataforma de biotecnologia com proteção contra pragas e plantas daninhas;
- Sementes Sintéticas: início da construção da planta demonstrativa e novos avanços no desenvolvimento da plantadora.
Essas iniciativas fazem parte da estratégia da companhia de impulsionar a produtividade do setor canavieiro com base em ciência e tecnologia.
Investimentos recordes em P&D e novos projetos em biotecnologia
A companhia alcançou um marco histórico em investimentos em Pesquisa & Desenvolvimento: foram R$ 233,9 milhões aplicados na safra 2024/25 – aumento de 13,8% em relação ao ciclo anterior. Esse montante representa 55,3% da receita líquida, evidenciando o foco da organização em inovação tecnológica.
Entre os principais avanços estão:
- Transformação genética de quatro novas variedades da plataforma VerdPRO2;
- Início de testes com nova molécula contra o sphenophorus, praga de grande impacto agronômico;
- Progresso em Seleção Genômica e no projeto de Precision Breeding, mantendo ganho genético acima de 3% ao ano;
- Aprovação do projeto da planta de Sementes Sintéticas, com investimento estimado em R$ 100 milhões;
- Parcerias internacionais com a PlantArcBio e a Ginkgo Bioworks, ampliando a capacidade de desenvolver soluções contra pragas e para ganho de produtividade.
“A ciência é o nosso principal motor de competitividade. Vamos além da entrega de produtos: buscamos transformar o modelo produtivo da cana com inovação de base científica e impacto direto no campo”, reforça Barros.
Safra 2024/25: desempenho resiliente apesar das adversidades climáticas
Mesmo diante de um cenário climático adverso, o setor sucroenergético brasileiro demonstrou resiliência. A produtividade média foi de 77,8 toneladas por hectare, com recuo de 10,7% em relação à safra anterior. Em contrapartida, o ATR médio aumentou 1,3%, chegando a 141,1 kg/tonelada.
Outros números da safra:
- Moagem: 677 milhões de toneladas (-5,1%);
- Produção de açúcar: 44,1 milhões de toneladas (-3,4%);
- Produção de etanol: 37,2 bilhões de litros (+4%);
- Comercialização de etanol: aumento de 8,4%, refletindo o maior uso do biocombustível no país.
O CTC também ampliou sua participação de mercado, alcançando 27% (+3 pontos percentuais), com aproximadamente 70% do plantio nacional utilizando as variedades mais modernas do seu portfólio.
Com resultados expressivos e avanços consistentes em inovação, o CTC segue consolidando sua liderança no desenvolvimento tecnológico da cana-de-açúcar, mirando uma agricultura mais produtiva e sustentável para o futuro do setor.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Greening, safra menor e queda no consumo pressionam o setor brasileiro
A citricultura brasileira chega à safra 2026/27 pressionada por três problemas simultâneos: quase metade das laranjeiras do principal cinturão produtivo está contaminada pelo greening, a produção deve cair cerca de 10% e o consumo mundial de suco perdeu força depois de anos de preços elevados. Embora continue líder global, o Brasil precisa controlar a doença e ampliar mercados para evitar uma pressão maior sobre produtores e indústrias.
A primeira reestimativa do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) aponta uma produção de 263,15 milhões de caixas de 40,8 quilos em São Paulo e no Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais. O volume equivale a aproximadamente 10,7 milhões de toneladas de laranja.
A projeção ficou 3,1% acima da estimativa inicial, divulgada em maio, mas ainda representa uma queda de cerca de 10% diante das 292,94 milhões de caixas colhidas na temporada 2025/26. A recuperação sobre a primeira previsão ocorreu principalmente porque os frutos ganharam peso com as chuvas.
Entre maio e agosto, o cinturão citrícola recebeu 210 milímetros de chuva, volume 51% superior à média histórica do período. O peso médio estimado passou de 160 para 166 gramas por fruto, reduzindo de 255 para 246 o número de laranjas necessário para completar uma caixa.
O efeito positivo da chuva, porém, não elimina os riscos. A colheita está mais lenta e os frutos permanecem por mais tempo nas árvores, expostos a pragas, doenças e queda prematura. Até meados de agosto, apenas 27% da produção prevista havia sido retirada dos pomares.
A taxa média de queda dos frutos foi elevada de 23,7% para 24,1%. Nas variedades tardias, que ainda têm grande parte da produção no campo, a perda projetada chega a 27,3% para Valência e Folha Murcha e a 30,9% para a variedade Natal.
O greening permanece como o maior problema da atividade. O levantamento mais recente sobre a doença mostrou que 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola estavam contaminadas em 2025. A severidade média também aumentou, passando de 18,7% para 22,7% da copa das plantas.
Transmitido pelo psilídeo, um pequeno inseto, o greening não tem cura. A doença reduz a produtividade, provoca queda precoce e produz frutos menores, deformados e amargos. O controle exige monitoramento frequente, combate ao inseto transmissor e eliminação das plantas doentes, especialmente em regiões onde a incidência ainda é baixa.
Na safra 2025/26, o greening foi responsável pela perda estimada de 49,59 milhões de caixas. A doença respondeu sozinha por 13 pontos percentuais da taxa total de queda de 23,2% registrada naquele ciclo.
A pressão não está restrita aos pomares. Depois de quatro anos de resultados elevados, o mercado internacional entrou em uma fase de ajuste. As exportações brasileiras de suco de laranja somaram 746,9 mil toneladas na safra 2025/26, praticamente o mesmo volume da temporada anterior, mas a receita caiu aproximadamente 30%.
Os preços elevados das safras anteriores levaram parte dos consumidores a substituir o suco de laranja por bebidas mais baratas. Problemas de qualidade provocados pelo clima e pelo greening também afetaram o mercado. Na Europa, principal destino histórico do produto brasileiro, o volume adquirido caiu 10,9%. No Japão, a retração chegou a 28,6%.
O aumento das chuvas nesta temporada favoreceu o tamanho das laranjas, mas poderá reduzir a concentração de sólidos solúveis, medida pelo índice brix. Para a indústria, isso significa que pode ser necessário processar mais caixas para obter a mesma quantidade de suco concentrado, reduzindo parte do ganho trazido pelo maior peso dos frutos.
A busca por novos compradores tornou-se, portanto, uma necessidade para equilibrar a cadeia. O produto brasileiro não enfrenta grandes restrições sanitárias, mas encontra tarifas elevadas em mercados com potencial de consumo, como Japão, Coreia do Sul e Índia. A redução dessas barreiras poderia ampliar os destinos e diminuir a dependência de poucos compradores.
Maior produtora mundial de laranja e líder na exportação de suco, a citricultura brasileira mantém escala, tecnologia e capacidade industrial. O desafio agora é impedir que o avanço do greening, a queda da produtividade e o enfraquecimento do consumo reduzam a rentabilidade de uma cadeia que depende de investimentos contínuos para renovar pomares e manter a produção.
Fonte: Pensar Agro



