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Cultivos especiais ganham espaço no agronegócio de Mato Grosso com promessa de rentabilidade e baixo risco
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Diante do aumento nos custos de produção de grãos e das frequentes adversidades climáticas, produtores rurais de Mato Grosso vêm buscando alternativas viáveis para suas operações. Entre as principais apostas do momento estão os cultivos especiais, como amendoim, gergelim, feijão, arroz, milhos diferenciados e mix de plantas de cobertura — todos com mercado promissor e boa rentabilidade, tanto no mercado interno quanto no externo.
Evento em Sorriso discute potencial dos cultivos especiais
A primeira edição do Proventus Field Day, realizada nos dias 16 e 17 de maio em Sorriso (MT), reuniu especialistas e pesquisadores para discutir os cultivos especiais e o cenário de médio prazo desses mercados. O evento destacou especialmente o amendoim e o gergelim como culturas estratégicas para diversificação e renda no campo.
Gergelim: novas variedades e alta rentabilidade
De acordo com Murilo Oliveira Sampaio, engenheiro agrônomo e pesquisador da LC Sementes, duas novas linhagens de gergelim estão prestes a ser lançadas no mercado. A LC 123, com sabor adocicado, é voltada para panificação e consumo direto, enquanto a LC 103, de sabor mais neutro, atende a demanda da indústria, especialmente para exportação.
Segundo o pesquisador, o gergelim tem demonstrado melhor custo-benefício que o milho, exigindo menor investimento para uma rentabilidade semelhante. O crescimento da cultura é evidente: só na região do Eixo da BR-163, a área plantada saltou de 60 mil hectares no ano passado para cerca de 130 mil hectares em 2024.
Amendoim também ganha espaço com apoio da pesquisa
Outra cultura que vem atraindo a atenção do produtor é o amendoim. Nos últimos seis anos, pesquisas vêm sendo intensificadas para tornar seu cultivo mais viável no Cerrado. O engenheiro agrônomo e doutor em Fertilidade e Nutrição de Plantas, Dácio Olibone, explica que os estudos envolvem desde a definição da época de semeadura até o manejo de doenças, adubação e escolha das cultivares mais adaptadas à região.
“Estamos colaborando com os programas de melhoramento da Embrapa e do IAC, identificando materiais com alto potencial produtivo e maior resistência às doenças, comuns em regiões de clima chuvoso como o Cerrado”, destacou Olibone.
Indústria ainda é gargalo para o amendoim
Apesar do avanço no campo, o principal desafio para o cultivo de amendoim na região ainda é a indústria. Segundo Olibone, muitos produtores demonstram interesse na cultura, mas ainda esbarram na limitação do mercado processador e na dependência das oscilações do comércio internacional.
Proventus Field Day supera expectativas e estimula novos caminhos
Segundo Leandro Lodea, um dos organizadores do Proventus Field Day, o evento superou todas as expectativas, reunindo cerca de 700 participantes e promovendo debates técnicos de alto nível. “Foi uma surpresa muito positiva. A interação com o público e a troca de conhecimento foram muito enriquecedoras”, afirmou.
Lodea também destacou que os cultivos especiais surgem como alternativa viável para a segunda safra, substituindo parcialmente culturas tradicionais como milho e algodão. “Essas culturas exigem menos água que a soja e o algodão e se encaixam bem após a janela do milho safrinha. Elas trazem diversidade, ajudam na rotação de culturas e aumentam a renda do produtor”, completou.
Realização e parcerias
O Proventus Field Day é uma realização da Proventus Pesquisa Agronômica, LC Sementes e Adisa Melhoramento Genético, com apoio da Embrapa, IAC, CAT e Ibrafe.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Valor pode chegar a R$ 550 bilhões, mas desafio será fazer o dinheiro chegar ao produtor
O governo federal trabalha com a perspectiva de anunciar um Plano Safra de aproximadamente R$ 550 bilhões para a temporada 2026/27, valor que representaria um novo recorde para o crédito rural brasileiro. A expectativa é que o programa seja lançado no início de julho, mantendo a estratégia adotada nos últimos anos de ampliar o volume total de recursos disponibilizados ao setor agropecuário.
O aumento em relação aos R$ 516,2 bilhões anunciados para a agricultura empresarial na safra atual reforça a intenção do governo de apresentar um plano mais robusto. Nos bastidores, porém, representantes do setor financeiro e lideranças do agro avaliam que a principal discussão não está no tamanho do anúncio, mas na capacidade de transformar os números em crédito efetivamente contratado pelos produtores.
Os dados mais recentes mostram que o ritmo de liberação dos financiamentos desacelerou na atual temporada. Entre julho de 2025 e maio de 2026, foram contratados cerca de R$ 307,6 bilhões em operações de crédito rural, volume inferior aos R$ 346,3 bilhões registrados no mesmo período da safra anterior. A redução ocorre em um momento de aumento do endividamento no campo e maior cautela das instituições financeiras na concessão de novos empréstimos.
A avaliação de especialistas é que o problema atual não está necessariamente na falta de recursos disponíveis no sistema, mas no aumento do risco das operações. Com mais renegociações, prorrogações de dívidas e dificuldades enfrentadas por parte dos produtores em razão das perdas climáticas registradas nos últimos anos, os bancos passaram a adotar critérios mais rigorosos para liberar crédito.
Nesse cenário, parte relevante do crescimento previsto para o próximo Plano Safra deverá ocorrer por meio das Cédulas de Produto Rural (CPRs) e dos recursos livres das instituições financeiras, reduzindo a dependência do crédito subsidiado tradicional. As CPRs vêm ganhando espaço como instrumento de financiamento do agronegócio e já movimentam mais de R$ 100 bilhões por safra.
Outro ponto central da discussão envolve as taxas de juros. A intenção do governo é oferecer linhas com juros abaixo de 10% ao ano, principalmente para investimentos considerados estratégicos. A medida é vista como uma tentativa de estimular novos financiamentos em um ambiente marcado por custos elevados e margens mais apertadas para diversas atividades agropecuárias.
Uma das novidades previstas é a ampliação da linha especial destinada à modernização do parque de máquinas agrícolas. O volume de recursos deverá subir de R$ 10 bilhões para R$ 14 bilhões, com condições diferenciadas de financiamento. A iniciativa busca incentivar a renovação de equipamentos e aumentar a eficiência das propriedades rurais em um momento em que muitas decisões de investimento vêm sendo adiadas.
Os resultados das principais feiras agrícolas realizadas neste ano refletem esse ambiente de cautela. O volume de intenções de negócios registrado nos eventos ficou abaixo do observado em temporadas anteriores, sinalizando que produtores continuam adotando uma postura mais conservadora diante das incertezas econômicas e climáticas.
Além do crédito, o fortalecimento do seguro rural aparece entre as prioridades defendidas pelo setor para o próximo ciclo. A crescente frequência de secas, geadas, enchentes e outros eventos climáticos extremos tem aumentado a percepção de risco das operações agrícolas. Com maior cobertura securitária, a expectativa é que os produtores consigam acessar financiamentos em condições mais favoráveis e com menor exigência de garantias.
Entidades do agronegócio também defendem que a discussão do próximo Plano Safra vá além do volume anunciado. A preocupação é garantir que os recursos estejam disponíveis ao longo de toda a temporada, evitando interrupções em linhas de financiamento e assegurando que produtores de diferentes portes consigam acessar o crédito quando necessário.
A expectativa é que os detalhes finais do programa sejam definidos nas próximas semanas. Até lá, o setor acompanha as negociações entre a equipe econômica e os ministérios envolvidos, atento não apenas ao valor total do plano, mas principalmente às condições de financiamento, à disponibilidade efetiva dos recursos e às medidas que possam ampliar o acesso ao crédito em um momento considerado desafiador para a produção agropecuária.
Fonte: Pensar Agro
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