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Custos da cana-de-açúcar disparam com alta dos fertilizantes e acendem alerta para safra 2026/27

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A elevação expressiva nos preços dos fertilizantes voltou a pressionar o custo de produção da cana-de-açúcar no Brasil e reacende o sinal de alerta no setor sucroenergético. Impulsionada por tensões geopolíticas no Oriente Médio, a valorização dos insumos já impacta o planejamento das lavouras e pode comprometer o potencial produtivo da próxima safra.

Fortemente dependente de importações, o Brasil sente de forma direta os efeitos das oscilações no mercado internacional de fertilizantes, especialmente nitrogenados e potássicos. Em uma cultura intensiva em insumos como a cana, o encarecimento desses produtos reduz a previsibilidade e pressiona as margens dos produtores.

Alta dos fertilizantes intensifica pressão no campo

De acordo com análises de mercado, o movimento de alta tem sido mais acentuado entre os fertilizantes nitrogenados. Desde o início da escalada geopolítica, os preços CFR da ureia no Brasil avançaram cerca de 63%. No mesmo período, o sulfato de amônio acumulou valorização próxima de 30%, enquanto o nitrato de amônio registrou alta de aproximadamente 60%.

O aumento expressivo do nitrato de amônio, insumo amplamente utilizado na adubação de cobertura da cana-de-açúcar, preocupa o setor. A elevação dos custos impacta diretamente o equilíbrio econômico das lavouras e reduz a capacidade de investimento do produtor.

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Especialistas apontam que, em um cenário de forte dependência externa, qualquer interrupção no fluxo global rapidamente se reflete no mercado doméstico, tanto em preços quanto em disponibilidade.

Logística global e Oriente Médio ampliam riscos

Além da valorização dos insumos, o setor monitora com atenção os riscos logísticos no comércio internacional. O Estreito de Hormuz, rota estratégica para exportações do Oriente Médio, segue como ponto crítico para o abastecimento global de fertilizantes.

A possibilidade de restrições nessa região pode limitar a oferta internacional, mantendo os preços elevados e ampliando a volatilidade. Países importadores, como o Brasil, ficam mais expostos a esse cenário.

Outro fator de preocupação envolve restrições recentes nas exportações de nitrato de amônio por grandes fornecedores globais, o que também contribui para o aperto na oferta.

Produtor já revisa estratégias de adubação

Na ponta produtiva, o impacto já é sentido no bolso. O principal desafio, segundo analistas de mercado, é o custo elevado dos insumos, que dificulta o fechamento das contas no campo.

Diante desse cenário, produtores começam a ajustar o manejo das lavouras. A principal alternativa tem sido a redução nas doses de adubação, estratégia que, embora alivie o caixa no curto prazo, pode comprometer a produtividade, especialmente em áreas mais novas ou em fase de desenvolvimento.

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Além disso, o ambiente atual é considerado mais desafiador do que o observado em crises anteriores, como em 2022. Hoje, os preços das commodities agrícolas não acompanham o ritmo de alta dos insumos, enquanto o acesso ao crédito está mais restrito, reduzindo a capacidade de absorção dos custos.

Mercado deve seguir volátil nos próximos meses

A perspectiva para o mercado de fertilizantes ainda é de incerteza. A volatilidade nos preços deve continuar sendo influenciada pelo cenário geopolítico, pela normalização das rotas logísticas e pelo comportamento da demanda global.

A retomada consistente da oferta dependerá do retorno pleno de grandes exportadores ao mercado e da redução das tensões internacionais. Até lá, o setor sucroenergético tende a operar com cautela.

No campo, o produtor enfrenta uma decisão estratégica: absorver os custos mais elevados e preservar o potencial produtivo ou reduzir a aplicação de insumos e assumir riscos na produtividade da cana-de-açúcar na safra 2026/27.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Produtos bovinos brasileiros podem ganhar mais espaço no mercado japonês

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Estabelecimentos brasileiros registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF) que produzem produtos bovinos processados têm até as 18h desta segunda-feira (31.08) para manifestar interesse em participar da auditoria sanitária que o Japão realizará no Brasil e que poderá ampliar o acesso de produtos bovinos processados ao mercado japonês. A iniciativa ocorre em meio ao esforço brasileiro para aumentar a presença da pecuária nacional em um dos mercados de carne mais exigentes e valorizados do mundo.

A chamada foi aberta pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para identificar estabelecimentos interessados e preparados para receber a missão japonesa. O trabalho será conduzido pelas autoridades sanitárias do Japão e deverá avaliar as condições brasileiras de produção e processamento.

A lista inclui produtos como carne bovina desidratada, conhecida internacionalmente como beef jerky, envoltórios bovinos submetidos a tratamento térmico e o chamado Prime Beef, produto elaborado a partir de colágeno bovino e extrato de carne.

O objetivo da auditoria é revisar o Programa de Verificação de Exportação (EVP, na sigla em inglês), conjunto de procedimentos que estabelece as condições que os estabelecimentos brasileiros precisam cumprir para vender determinados produtos ao Japão.

Na prática, uma avaliação favorável poderá permitir a inclusão de novos produtos e estabelecimentos brasileiros no comércio com o país asiático.

O prazo desta segunda-feira não significa, portanto, abertura automática do mercado. Ele representa uma etapa preparatória para a auditoria e para a negociação sanitária necessária antes da autorização das exportações.

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A movimentação ganha importância porque o Japão é fortemente dependente da importação de alimentos. Cerca de 60% das calorias consumidas pela população japonesa têm origem externa, ao mesmo tempo em que o país mantém padrões sanitários rigorosos para entrada de produtos agropecuários.

Na carne bovina, aproximadamente 70% do consumo japonês é abastecido por importações. Austrália e Estados Unidos estão entre os principais fornecedores, enquanto o Brasil ainda busca ampliar sua participação nesse mercado.

A abertura para a carne bovina brasileira in natura é uma negociação separada e muito mais ampla, que se arrasta há mais de duas décadas. Brasil e Japão decidiram acelerar as discussões e estabeleceram a realização de inspeções técnicas como uma das etapas necessárias para avançar na avaliação de risco.

Por isso, embora a auditoria relacionada ao prazo de segunda-feira seja destinada a produtos processados, o movimento ocorre dentro de uma aproximação sanitária e comercial mais abrangente entre os dois países.

Para a pecuária brasileira, conquistar espaço no Japão teria importância que vai além do volume vendido. O país asiático é considerado um mercado de elevado valor agregado e possui exigências sanitárias capazes de funcionar como referência para outros compradores.

A diversificação também ganhou importância neste segundo semestre. As exportações brasileiras de carne bovina chegaram a 1,97 milhão de toneladas entre janeiro e julho, crescimento de 9,9% em relação ao mesmo período do ano passado, mas o setor enfrenta mudanças nas condições de acesso a alguns de seus principais destinos.

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Nesse cenário, ampliar o número de compradores reduz a dependência de poucos mercados e aumenta as alternativas comerciais dos frigoríficos. O efeito pode chegar ao pecuarista por meio de maior disputa pela matéria-prima e da valorização de animais que atendam às exigências dos destinos mais remuneradores.

A abertura de um mercado, entretanto, não termina com a autorização sanitária. Frigoríficos precisam cumprir requisitos específicos de produção, processamento, rastreabilidade e certificação para serem habilitados a exportar.

É justamente esse processo que começa agora para os produtos incluídos na chamada. Os estabelecimentos interessados devem encaminhar a documentação por meio do Serviço de Inspeção Federal (SIF) e do respectivo Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa), para que a manifestação chegue ao Mapa dentro do prazo.

Manifestações apresentadas depois das 18h desta segunda-feira não serão consideradas.

A auditoria japonesa será o passo seguinte. Se o resultado permitir a revisão das regras atuais, o Brasil poderá acrescentar novos produtos bovinos à pauta de exportações para o Japão enquanto continua negociando o objetivo de maior peso econômico para a pecuária nacional: a abertura do mercado japonês à carne bovina brasileira in natura.

Fonte: Pensar Agro

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