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Dependência de fertilizantes expõe vulnerabilidade estratégica do agro brasileiro

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O agronegócio brasileiro segue enfrentando um risco estrutural pouco visível, mas de grande impacto: a forte dependência de fertilizantes importados. Apesar dos avanços em produtividade e competitividade global, o país ainda depende majoritariamente de insumos externos para sustentar sua produção agrícola.

A avaliação é de Carlos Cogo, sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, que alerta para os riscos associados ao fornecimento desses insumos essenciais.

Consumo elevado e alta dependência externa

Em 2025, o Brasil consumiu 49,1 milhões de toneladas de fertilizantes. Desse total, 43,3 milhões de toneladas foram importadas, o que representa uma dependência externa de 88%.

O volume adquirido no exterior gerou um desembolso anual estimado em cerca de US$ 25 bilhões, evidenciando o peso desses insumos na balança comercial e nos custos do setor produtivo.

Fertilizantes pesam nos custos de produção

Os fertilizantes têm participação significativa nos custos das principais culturas agrícolas do país. No cultivo da soja, podem representar até 40% do custo total, enquanto no milho esse percentual pode chegar a 50%.

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Esse cenário amplia a sensibilidade do produtor rural às oscilações de preços no mercado internacional.

Produção nacional ainda é limitada

Apesar de possuir reservas minerais relevantes, o Brasil ainda apresenta baixa produção interna de fertilizantes. A participação doméstica varia conforme o nutriente:

  • Nitrogênio: 8%
  • Fósforo: 44%
  • Potássio: 3%

Os números mostram que o país segue altamente dependente de fornecedores internacionais, especialmente no caso do potássio.

Geopolítica e câmbio ampliam riscos

A forte dependência externa, somada às variações cambiais e às tensões geopolíticas, aumenta o risco sistêmico para o agronegócio brasileiro.

O mercado global de fertilizantes é concentrado e influenciado por decisões políticas, sendo que cerca de 45% das importações brasileiras têm origem em regiões com maior instabilidade.

Eventos recentes ilustram esse cenário, como a alta superior a 100% nos preços da ureia em 2022, durante a Guerra entre Rússia e Ucrânia, além de novas elevações registradas em 2025 diante das tensões no Oriente Médio.

Caminhos para reduzir a vulnerabilidade

Mesmo com potencial produtivo e capacidade tecnológica, o Brasil ainda enfrenta desafios como entraves regulatórios, custos elevados de produção e dependência logística externa.

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Segundo a análise, a redução dessa vulnerabilidade passa por um conjunto de estratégias, incluindo:

  • Diversificação de fornecedores internacionais
  • Expansão da produção doméstica
  • Avanço no uso de bioinsumos
  • Desenvolvimento de novas tecnologias

A tendência, no entanto, não é de autossuficiência no curto prazo, mas sim de construção de maior segurança estratégica no abastecimento, reduzindo a exposição a choques externos e garantindo maior estabilidade ao setor.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Acordo Mercosul-UE deve ampliar concorrência e reduzir preços de vinhos no Brasil, impulsionando negócios no setor

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O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, com entrada em vigor prevista para 1º de maio, deve provocar mudanças relevantes no mercado de vinhos no Brasil. A redução progressiva das tarifas de importação sobre rótulos europeus tende a ampliar o acesso do consumidor, pressionar preços e intensificar a concorrência com produtores sul-americanos.

Segundo especialistas do setor, o movimento deve reconfigurar o ambiente competitivo. Atualmente, a América do Sul lidera o mercado brasileiro com cerca de 59% de participação, frente a 40% da Europa. Com a diminuição das tarifas, esse equilíbrio pode ser alterado, especialmente em segmentos mais sensíveis a preço.

De acordo com análises do mercado, países como Portugal devem ganhar espaço e disputar diretamente o segmento de entrada, hoje dominado por vinhos chilenos. Ao mesmo tempo, a medida também pode beneficiar importadores e distribuidores, que enfrentaram compressão de margens nos últimos anos devido à inflação e à volatilidade cambial.

Competitividade e expansão de mercado

Entidades internacionais avaliam o acordo como uma oportunidade de crescimento equilibrado. A expectativa é que a eliminação gradual das tarifas permita maior competitividade aos vinhos europeus, tornando-os mais acessíveis ao consumidor brasileiro.

Além disso, o acordo também abre portas para produtores do Mercosul no mercado europeu, favorecendo o fluxo bilateral e ampliando oportunidades comerciais.

No caso do Brasil, considerado um mercado estratégico, o potencial de expansão é significativo. O baixo consumo per capita ainda representa uma barreira, mas também indica espaço para crescimento. Com preços mais competitivos, a tendência é de ampliação da base de consumidores.

Outro efeito esperado é a chamada “democratização” do consumo de vinho, com maior presença da bebida no cotidiano, concorrendo com outras categorias e impulsionando o mercado como um todo.

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Europa amplia foco na América do Sul

O interesse europeu pelo mercado sul-americano também cresce em meio a tensões comerciais globais. Países como a Alemanha, tradicionalmente focados em América do Norte, Europa e Ásia, passam a olhar o Brasil como destino estratégico.

Atualmente fora do grupo dos principais importadores de vinhos alemães, o Brasil apresenta alto potencial de crescimento, impulsionado pelo tamanho da população e pela expansão da classe média.

Além disso, há sinergia entre produto e mercado. Vinhos brancos alemães, com perfil mais leve e menor teor alcoólico, tendem a se adaptar ao clima e aos hábitos alimentares brasileiros.

Esse movimento já se reflete na presença internacional em feiras do setor. A participação inédita de produtores alemães na próxima edição da ProWine São Paulo reforça essa estratégia de diversificação.

Pressão sobre produtores sul-americanos

Se por um lado o acordo abre oportunidades, por outro aumenta a pressão competitiva sobre produtores da América do Sul. No segmento premium, regiões tradicionais europeias devem intensificar sua presença, elevando o nível de disputa.

No caso da Argentina, o cenário é de cautela. O principal desafio apontado pelo setor não está na qualidade dos vinhos europeus, mas nas diferenças estruturais de custos, especialmente em relação à carga tributária e à logística interna.

A entrada gradual de vinhos europeus com tarifas reduzidas pode pressionar principalmente os segmentos de entrada, caso não haja ajustes na competitividade local.

Oportunidades industriais e tecnológicas

Apesar dos desafios, o acordo também traz benefícios indiretos. A redução de tarifas para insumos importados — como barris, rolhas e tecnologias de vinificação — pode elevar a eficiência e a qualidade da produção sul-americana.

Esse acesso a insumos mais competitivos tende a modernizar o setor e fortalecer a posição dos produtores locais, inclusive no mercado interno.

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Outro ponto relevante é o avanço das exigências relacionadas à sustentabilidade. A presença crescente de vinhos europeus, alinhados a padrões ambientais rigorosos, deve acelerar a adaptação da indústria sul-americana a práticas globais de rastreabilidade e transparência.

Estratégia e diversificação no mercado brasileiro

Importadores e distribuidores já se posicionam diante do novo cenário. A tendência é ampliar portfólios e investir em curadoria, educação do consumidor e fortalecimento de marca.

A diversificação de origens deve ganhar força, com destaque para regiões menos tradicionais, que apostam em identidade, terroir e diferenciação para competir no mercado brasileiro.

Ao mesmo tempo, especialistas alertam que a abertura comercial não beneficia automaticamente todos os produtores. Pequenos e médios vinicultores, especialmente aqueles com produção limitada, ainda enfrentam desafios logísticos e de escala.

ProWine São Paulo ganha protagonismo

Diante desse novo ambiente de negócios, a ProWine São Paulo se consolida como uma das principais plataformas de conexão do setor vitivinícola nas Américas.

A edição de 2026 deve reunir mais de 1.800 produtores, superando os números anteriores e reforçando sua posição como a maior feira de vinhos e destilados do continente e uma das maiores do mundo.

O evento será realizado entre os dias 6 e 8 de outubro, no Expo Center Norte, em São Paulo, e deve funcionar como ponto estratégico para empresas que buscam expandir, entrar ou defender participação no mercado sul-americano.

Com a entrada em vigor do acordo Mercosul–União Europeia, o setor de vinhos inicia um novo ciclo, marcado por maior competitividade, diversificação de oferta e ampliação das oportunidades de negócios no Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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