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Dólar abre em alta a R$ 5,59 com atenção ao tarifaço dos EUA e acordo com a União Europeia
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O dólar iniciou a semana em alta, influenciado pela aproximação do aumento tarifário dos Estados Unidos e pelo recente acordo comercial entre EUA e União Europeia. Enquanto isso, a bolsa brasileira aguarda o início das negociações do dia.
Dólar registra alta no início da semana
Nesta segunda-feira (28), por volta das 9h20, o dólar avançava 0,46%, cotado a R$ 5,5871, chegando a máxima de R$ 5,5936 ao longo da manhã. Na última sexta-feira, a moeda norte-americana já havia subido 0,75%, fechando em R$ 5,5613.
Ibovespa inicia o dia com cautela
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, teve baixa de 0,21% na sexta-feira, fechando em 133.524 pontos. As negociações do índice nesta segunda-feira começam às 10h, com investidores atentos aos desdobramentos das tarifas e acordos internacionais.
Acordo EUA-União Europeia reduz tarifas, mas gera controvérsia
No domingo (27), os Estados Unidos e a União Europeia anunciaram um novo acordo comercial, que estabeleceu uma tarifa de 15% sobre produtos europeus, incluindo automóveis, semicondutores e produtos farmacêuticos. Essa taxa representa uma redução em relação aos 30% inicialmente anunciados pelo presidente Trump.
No entanto, as sobretaxas de 50% para aço e alumínio permanecem. O acordo também prevê investimentos da UE nos EUA da ordem de US$ 600 bilhões, além de contratos para compra de energia e equipamentos militares norte-americanos.
Reações mistas dos líderes europeus
O acordo provocou opiniões divergentes entre autoridades europeias. O primeiro-ministro francês, François Bayrou, considerou o momento “sombrio”, alertando para riscos de submissão política.
Já o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, criticou duramente o tratado, afirmando que Trump “devorou” a presidente da Comissão Europeia, Úrsula Von der Leyen.
Por outro lado, líderes da Espanha, Alemanha e Itália adotaram tom mais cauteloso, reconhecendo que o acordo traz alguma segurança, embora não estejam entusiasmados. A ministra da Economia da Alemanha, Katherina Reiche, afirmou que o pacto apresenta desafios, mas também “certeza” para o futuro.
Brasil ainda sem avanços nas negociações com os EUA
No Brasil, cresce a preocupação com a falta de progresso nas conversas sobre as tarifas impostas pelos EUA. O presidente Lula (PT) expressou frustração com a dificuldade de diálogo direto com a administração Trump, que mantém uma postura rígida em relação ao Brasil.
Assessores indicam que Trump pretende aplicar a tarifa máxima de 50% sobre produtos brasileiros, independentemente de justificativas econômicas, o que aumenta a apreensão na equipe do governo.
Tentativas de negociação enfrentam obstáculos
Na última sexta-feira, uma comissão de senadores brasileiros viajou aos Estados Unidos buscando abrir canais de negociação, mas a iniciativa enfrenta resistência interna e diplomática. O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o blogueiro Paulo Figueiredo, por exemplo, boicotam a missão.
Interlocutores do presidente Lula informam que o governo americano mantém o controle centralizado na Casa Branca, sem autorizar negociações descentralizadas, dificultando o avanço nas tratativas.
Indicadores do mercado financeiro
- Dólar:
- Semana: -0,47%
- Mês: +2,35%
- Ano: -10,01%
- Ibovespa:
- Semana: +0,11%
- Mês: -3,84%
- Ano: +11,01%
A atenção dos mercados segue voltada para o impacto do tarifaço dos EUA a partir de 1º de agosto e as possíveis repercussões para a economia brasileira, que permanece em alerta diante da indefinição das negociações.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Metade do prazo já passou e renegociação rural de R$ 100 bilhões ainda não chega ao produtor
Metade do prazo para a contratação das linhas especiais destinadas à renegociação das dívidas rurais já transcorreu, mas produtores continuam relatando dificuldades para acessar o programa. A Medida Provisória nº 1.376, publicada em 15 de julho, concedeu 120 dias para as operações, período que termina em meados de novembro.
A demora ocorre quando R$ 207,5 bilhões da carteira ativa de crédito rural apresentam algum tipo de problema. O valor corresponde a 23,5% do total e reúne financiamentos inadimplentes, vencidos, renegociados ou prorrogados, segundo dados de julho do Banco Central compilados pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).
O mecanismo foi anunciado com potencial para renegociar mais de R$ 100 bilhões em dívidas de produtores e cooperativas atingidos por eventos climáticos ou pela queda dos preços agrícolas. O Banco do Brasil calcula que até 113 mil clientes da instituição podem ser alcançados pelas novas condições.
Na prática, porém, exigências documentais, custos adicionais, pedidos de novas garantias e cobrança de entrada estão impedindo que parte dos produtores conclua a operação. As dificuldades atingem principalmente agricultores familiares, pequenos produtores e propriedades com o caixa mais comprometido.
Em nota a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) manifestou preocupação com a execução da medida e pediu que o Congresso acompanhe o funcionamento das linhas. A entidade reconhece a importância da renegociação, mas avalia que os recursos ainda não chegam ao campo na velocidade e na escala exigidas pela crise.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), a existência da linha não basta se as condições impedirem a contratação.
“A renegociação foi apresentada como uma saída para produtores que acumulam perdas há várias safras. Se o agricultor chega ao banco e encontra uma sequência de exigências que não consegue cumprir, a política existe no papel, mas não resolve o problema dentro da propriedade”, afirma Rezende.
Para acessar as condições gerais, o produtor precisa comprovar perdas em duas ou mais safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 30% da renda bruta esperada. A comprovação deve ser feita por laudo emitido por profissional legalmente habilitado.
A exigência busca dar segurança à aplicação dos recursos públicos, mas se transformou em um dos principais obstáculos. Além do custo de contratação do responsável técnico, o produtor pode ter dificuldade para reconstruir dados de lavouras cultivadas vários anos atrás.
A FPA propõe que pequenos produtores possam apresentar laudos coletivos quando as propriedades de uma mesma região tiverem sido atingidas pelo mesmo evento climático. Também defende a dispensa de um novo documento nos casos de operações que já passaram por renegociação e permanecem com saldo comprometido.
“Não se trata de retirar a fiscalização nem de aceitar informações sem comprovação. É possível manter o rigor e, ao mesmo tempo, reconhecer perdas coletivas provocadas por uma seca, enchente ou geada. Exigir dezenas de laudos individuais para propriedades vizinhas atingidas pelo mesmo evento aumenta o custo e atrasa uma solução urgente”, diz Isan Rezende.
A medida provisória permite renegociar financiamentos de custeio, comercialização e industrialização, determinadas parcelas de investimentos e algumas Cédulas de Produto Rural (CPRs) com liquidação financeira. As operações precisam atender às datas e condições estabelecidas no texto.
Os limites chegam a R$ 400 mil para agricultores familiares atendidos pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), R$ 2 milhões para beneficiários do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e R$ 4 milhões para os demais produtores.
As taxas anuais são de 6% para o Pronaf, 9% para o Pronamp e 12% para os demais. O prazo de pagamento pode chegar a oito anos, com a primeira amortização do principal dois anos depois da contratação, embora os juros sejam pagos durante a carência.
Nos casos mais graves, envolvendo perdas de pelo menos 40% da renda em três ou mais safras, os limites e os prazos são ampliados. O financiamento pode chegar a R$ 8 milhões para produtores fora do Pronaf e do Pronamp, com pagamento em até dez anos.
Outro problema é a cobrança de entrada. Produtores que procuram a renegociação geralmente já enfrentam falta de capital de giro. Exigir um pagamento antecipado pode excluir justamente aqueles que apresentam maior necessidade de reorganizar o passivo.
Há ainda preocupação com a próxima safra. A medida provisória determina que a renegociação não pode impedir a contratação de novos financiamentos nem levar o beneficiário a cadastros restritivos. Ao mesmo tempo, permite que os bancos apliquem suas políticas internas, reavaliem o risco e peçam reforço das garantias.
Essa combinação cria uma diferença entre a proteção escrita na norma e a decisão tomada na agência bancária. Formalmente, a adesão não bloqueia o crédito. Na avaliação individual, entretanto, o comprometimento financeiro pode levar o banco a recusar ou limitar novos recursos.
“A dívida passada precisa ser reorganizada para que o produtor volte a produzir. Renegociar o passivo e fechar a porta do crédito para a nova safra apenas adia o problema. Sem custeio, ele planta menos, reduz tecnologia, perde produtividade e volta a ter dificuldade para pagar”, alerta Rezende.
Os dados nacionais já mostram uma retração do financiamento tradicional. A área produtiva atendida pelas linhas de custeio do Plano Safra caiu de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares em 12 meses, redução próxima de 26%.
No mesmo período, o valor contratado em crédito rural tradicional, sem considerar títulos privados como as CPRs, recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões. O número de contratos diminuiu 10,3% e ficou em 777,8 mil.
A FPA também pede que sejam preservadas as características dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Centro-Oeste, do Norte e do Nordeste. Essas fontes possuem regras próprias e têm peso maior em regiões nas quais produtores encontram menos alternativas no sistema bancário.
A medida provisória está em vigor, mas precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado para ser transformada definitivamente em lei. A frente parlamentar defende ajustes que reduzam as barreiras operacionais sem eliminar os mecanismos de controle.
O prazo aumenta a urgência. Uma renegociação concluída depois da janela de plantio pode reorganizar o balanço da propriedade, mas já não devolve a oportunidade de produzir naquela safra. Para o campo, o sucesso da medida não será medido pelos R$ 100 bilhões anunciados, mas pelo número de produtores que conseguirem contratar, recuperar o crédito e continuar produzindo.
Fonte: Pensar Agro



