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Dólar em queda alivia custos, mas pressiona receita; produtor precisa recalcular margem

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A queda do dólar para R$ 5,1246 nesta quarta-feir (25.02) — o menor patamar desde maio de 2024 — abriu uma equação delicada para o produtor de soja. De um lado, a desvalorização da moeda americana reduz o custo dos insumos importados e melhora o orçamento da próxima safra. De outro, tira força da cotação interna da commodity, comprimindo a receita em reais.

O movimento cambial ocorreu em meio a declarações do presidente dos Estados Unidos e a ruídos no cenário político doméstico. No mesmo dia, o Ibovespa recuou 0,13%, aos 191.247 pontos, pressionado por ações de grandes bancos, apesar da alta da Vale. Para o campo, porém, o foco está na relação direta entre câmbio, custo e preço.

Levantamento do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostra que o custeio da safra 2026/27 está estimado em R$ 4.156,03 por hectare, queda de 1,08% em relação à projeção de janeiro. O principal fator foi o recuo de 5,69% nos preços dos defensivos agrícolas, influenciado pela valorização do real frente ao dólar.

Ao mesmo tempo, o preço da soja no porto de Paranaguá voltou a ceder. O indicador Cepea/Esalq fechou a quarta-feira em R$ 126,17 por saca, baixa de 0,28%. No interior, as cotações ficaram praticamente estáveis: R$ 119 em Ponta Grossa (PR), R$ 122 em Passo Fundo (RS), R$ 106 em Primavera do Leste (MT) e R$ 111 em Luís Eduardo Magalhães (BA).

Na Bolsa de Chicago, o contrato maio subiu 0,84%, a US$ 11,65 por bushel. O avanço externo, no entanto, teve efeito limitado no Brasil. Com a colheita avançando de forma concentrada para compensar o atraso, a maior oferta interna tem segurado os preços, neutralizando parte da alta internacional.

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A conta do produtor – Segundo o Imea, considerando produtividade média de 64,73 sacas por hectare em Mato Grosso e Custo Operacional Efetivo projetado em R$ 5.827,81 por hectare, o ponto de equilíbrio da próxima safra está em R$ 90,04 por saca. Em tese, o cenário amplia a margem de segurança. Mas a disputa entre câmbio e preço exige cautela.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), o produtor precisa olhar além do alívio imediato nos insumos.

“O dólar mais baixo ajuda no custo, principalmente em defensivos e fertilizantes. Isso é positivo para quem está planejando a próxima safra. Mas não podemos esquecer que vendemos uma commodity dolarizada. Quando o câmbio recua, o preço em reais sente”, afirma.

Rezende orienta que a decisão não deve ser tomada com base apenas na cotação do dia. “O produtor precisa trabalhar com margem projetada. Se o custo caiu, ótimo. Mas é fundamental travar parte da produção quando a relação de troca for favorável. Não dá para apostar só em recuperação de preço ou em nova alta do dólar”, diz.

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Na avaliação dele, o momento favorece quem tem gestão mais estruturada. “Quem fez hedge, diversificou compras e acompanha mercado consegue atravessar esse cabo de guerra com mais tranquilidade. Quem deixa tudo para a última hora fica exposto demais”, ressalta.

No curto prazo, produtores capitalizados e que ainda não fecharam totalmente a compra de insumos tendem a se beneficiar do real mais forte. Já aqueles com grande volume de soja ainda a comercializar podem enfrentar pressão na receita, caso o câmbio permaneça em níveis mais baixos e a oferta interna siga elevada.

A indústria de insumos também sente o movimento: com dólar menor, o valor de reposição cai, mas a concorrência tende a se intensificar. Exportadores, por sua vez, veem margens mais apertadas em reais.

Rezende reforça que o momento é de equilíbrio. “Não é hora de euforia com custo mais baixo, nem de desespero com preço pressionado. O produtor precisa olhar fluxo de caixa, custo total e ponto de equilíbrio. A safra se decide na gestão, não só na lavoura”, conclui.

A queda do dólar, portanto, reduz o custo da safra 2026/27 e amplia a margem teórica. Mas, em um mercado globalizado, o mesmo movimento que barateia o plantio também limita o valor recebido na venda. Na disputa entre câmbio e commodity, vence quem conseguir antecipar movimentos e proteger margem — não necessariamente quem colher mais.

Fonte: Pensar Agro

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China reconhece Brasil como livre de febre aftosa e abre caminho para expansão das exportações de carne suína

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O agronegócio brasileiro conquistou uma importante vitória no mercado internacional. A China reconheceu oficialmente todo o território brasileiro como livre de febre aftosa, medida que deverá impulsionar as exportações de carne suína, ampliar oportunidades comerciais e fortalecer ainda mais as relações sanitárias entre os dois países.

O anúncio foi celebrado pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que destacou o trabalho conduzido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), a ApexBrasil, os serviços estaduais de defesa agropecuária e o setor produtivo nacional.

A decisão representa um marco para a suinocultura brasileira e reforça o reconhecimento internacional da qualidade e da robustez do sistema de defesa sanitária do país.

Reconhecimento amplia oportunidades para a suinocultura brasileira

Segundo a ABPA, o novo status sanitário deverá gerar benefícios imediatos para estados que possuem frigoríficos habilitados a exportar para a China.

Até então, apenas Santa Catarina possuía o reconhecimento de área livre de febre aftosa sem vacinação perante as autoridades chinesas, condição que permitia o embarque de produtos com maior valor agregado, como carnes com osso e miúdos externos.

Com a ampliação do reconhecimento para todo o território nacional, estados como Rio Grande do Sul e Mato Grosso passam a ter acesso às mesmas condições comerciais, ampliando a competitividade da carne suína brasileira no principal mercado consumidor do mundo.

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Atualmente, Santa Catarina conta com sete plantas habilitadas para exportação ao mercado chinês, enquanto o Rio Grande do Sul possui oito unidades autorizadas e Mato Grosso uma planta exportadora apta a atender o país asiático.

Exportações podem crescer mais de 40 mil toneladas por ano

As projeções da ABPA indicam que o reconhecimento sanitário poderá gerar um incremento superior a 40 mil toneladas anuais nas exportações brasileiras de carne suína destinadas à China.

O aumento dos embarques deve contribuir para fortalecer a renda dos produtores, estimular investimentos na cadeia produtiva, gerar novos empregos e ampliar a entrada de divisas na economia brasileira.

Além do crescimento das exportações, a medida cria condições para futuras habilitações de frigoríficos em outras regiões do país, ampliando ainda mais o potencial de expansão do setor.

Confiança sanitária fortalece posição do Brasil no mercado global

Para o presidente da ABPA, Ricardo Santin, a decisão chinesa é resultado de décadas de trabalho voltado ao fortalecimento da sanidade animal brasileira e à construção de credibilidade internacional.

Segundo ele, o reconhecimento demonstra a confiança das autoridades chinesas na qualidade dos sistemas brasileiros de vigilância, controle sanitário e defesa agropecuária.

A medida também reforça o posicionamento do Brasil como fornecedor estratégico de proteína animal para mercados exigentes, em um momento em que a segurança alimentar e os padrões sanitários ganham importância crescente no comércio internacional.

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Brasil amplia protagonismo no comércio mundial de proteínas

O reconhecimento da China ocorre em um cenário de aumento da demanda global por alimentos seguros, rastreáveis e produzidos sob elevados padrões sanitários.

Nesse contexto, a certificação de todo o território nacional como livre de febre aftosa fortalece a competitividade da proteína animal brasileira e amplia as perspectivas de crescimento das exportações nos próximos anos.

Além de consolidar a liderança brasileira na produção de carnes, a decisão cria um ambiente mais favorável para o aprofundamento das relações comerciais entre Brasil e China, principal destino das exportações do agronegócio nacional.

Sanidade animal segue como diferencial estratégico

A conquista reforça a importância dos investimentos contínuos em defesa agropecuária, vigilância sanitária e rastreabilidade da produção.

Especialistas do setor avaliam que a manutenção de elevados padrões sanitários continuará sendo um dos principais diferenciais competitivos do agronegócio brasileiro no mercado internacional.

Com o novo reconhecimento, a suinocultura nacional ganha fôlego para ampliar sua presença no mercado chinês e consolidar o Brasil entre os maiores fornecedores globais de proteína animal.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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