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Dólar recua diante da expectativa global pelo tarifaço de Trump
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O dólar iniciou a sessão desta quarta-feira (2) em queda, com investidores ao redor do mundo atentos ao aguardado pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a implantação de tarifas recíprocas a países que exportam produtos para o mercado norte-americano. O presidente tem se referido à data como o “Dia da Libertação”, alegando que as novas tarifas protegerão a economia dos EUA da influência de produtos estrangeiros.
O anúncio oficial está programado para as 17h (horário de Brasília), diretamente da Casa Branca. As tarifas devem entrar em vigor imediatamente após a cerimônia. A imposição dessas taxas é uma das principais promessas de campanha de Trump, que desde o início de seu mandato tem adotado medidas protecionistas, incluindo tarifas sobre parceiros comerciais como México e Canadá, além de taxar produtos específicos como aço, alumínio, automóveis e itens do setor agrícola.
Repercussão e preocupações do mercado
O temor dos investidores é que o tarifaço de Trump dê início a uma guerra comercial global, levando outros países a adotarem medidas retaliatórias, o que poderia elevar os custos de produtos e serviços, pressionando a inflação e desacelerando o consumo. No Brasil, o Senado aprovou na terça-feira (1º) um projeto que autoriza o governo a responder a barreiras comerciais impostas contra produtos brasileiros.
O mercado também avalia os impactos na economia norte-americana. Dados divulgados nesta terça-feira revelaram uma queda na demanda por mão de obra em fevereiro, sinalizando uma desaceleração do mercado de trabalho. Além disso, o índice de gerentes de compras (PMI) do setor industrial dos EUA caiu de 50,3 para 49,0 em março, indicando contração após dois meses de expansão.
Desempenho do dólar e do Ibovespa
Às 9h03, o dólar registrava queda de 0,28%, sendo negociado a R$ 5,6674. Na véspera, a moeda já havia recuado 0,39%, encerrando o dia a R$ 5,6833. Com esse resultado, o dólar acumula um recuo de 1,32% na semana, 0,39% no mês e 8,03% no ano.
O índice Ibovespa inicia suas negociações às 10h. Na terça-feira, fechou em alta de 0,68%, alcançando 131.147 pontos. Com isso, acumula uma queda de 0,57% na semana, avanço de 0,68% no mês e ganho de 9,03% no ano.
Incertezas sobre as tarifas e reação internacional
A aplicação das novas tarifas recíprocas ainda gera dúvidas entre os analistas. O assessor econômico de Trump, Kevin Hassett, afirmou recentemente que as taxas serão direcionadas a um grupo de 10 a 15 países com maior desequilíbrio comercial em relação aos EUA, sem, no entanto, especificar quais serão esses países. Em declarações mais recentes, Trump indicou que o tarifaço pode afetar praticamente todas as nações com relação comercial com os EUA.
Nas últimas semanas, o presidente americano mencionou a possibilidade de taxar importações da União Europeia, do Brasil (especialmente etanol) e da Rússia (com foco no petróleo). Em fevereiro, Trump assinou um memorando determinando que autoridades comerciais dos EUA elaborem uma lista de contramedidas para cada país, aumentando as incertezas nos mercados globais.
A União Europeia é uma das regiões mais impactadas pelas medidas e já sinalizou que pode reagir. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que tem um “plano forte” para retaliar, mas que prefere buscar uma solução negociada. A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, destacou que a guerra comercial imposta pelos EUA pode ser um catalisador para que a Europa busque maior independência econômica. Ela alertou que as novas tarifas podem reduzir o crescimento do PIB europeu em 0,3 ponto percentual no primeiro ano e, caso a UE responda com medidas equivalentes, a queda pode chegar a 0,5 ponto percentual.
A incerteza sobre os impactos do tarifaço tem aumentado a aversão ao risco entre os investidores, favorecendo ativos considerados mais seguros, como o dólar. A repercussão do anúncio de Trump será acompanhada de perto pelo mercado, pois pode definir os rumos da economia global nos próximos meses.
Com informações das agências de notícias Reuters e AFP
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Exportação recorde não impede queda do frango vivo no mercado interno
O Brasil caminha para estabelecer um novo recorde nas exportações de carne de frango em 2026, mas o avanço das vendas externas ainda não foi suficiente para absorver o aumento da oferta. Com mais animais prontos para o abate, os preços do frango vivo recuaram em algumas das principais regiões produtoras, enquanto as cotações dos cortes permaneceram praticamente estáveis no atacado.
A pressão ocorre em uma cadeia que produziu 15,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 e faturou cerca de R$ 50 bilhões somente com exportações, considerando a receita de R$ 9,8 bilhões convertida pelo câmbio de R$ 5,10. O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais e lidera o comércio internacional da proteína.
No ano passado, o país exportou o volume recorde de 5,324 milhões de toneladas. Para 2026, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta embarques de até 5,5 milhões de toneladas, além de uma produção próxima de 15,6 milhões de toneladas. A disponibilidade no mercado interno pode alcançar 10,1 milhões de toneladas.
O avanço da oferta já aparece nos abates. No primeiro trimestre deste ano, o peso das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Paraná respondeu por 35% da produção, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.
A ampliação dos abates ajuda a explicar por que os preços não acompanham o desempenho das exportações. A demanda internacional segue aquecida, mas o mercado doméstico precisa absorver cerca de dois terços de toda a carne produzida no país. O consumo estimado para 2026 é de 47,3 quilos por habitante, um dos maiores do mundo, mas ainda insuficiente para provocar uma reação mais forte diante da oferta atual.
Levantamento mostra que o frango vivo foi negociado a R$ 5,20 por quilo em São Paulo. No oeste do Paraná, a referência ficou em R$ 4,60. Goiás e Mato Grosso do Sul registraram queda de R$ 4,65 para R$ 4,55, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal passaram de R$ 4,70 para R$ 4,60 por quilo.
No Sul, as referências ficaram em R$ 4,75 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os preços mais elevados continuam concentrados no Nordeste e no Norte, variando de R$ 6,80 no Ceará a R$ 7,20 no Pará. As diferenças refletem custos logísticos, disponibilidade regional de aves e características próprias de cada mercado.
No atacado paulista, o peito congelado permaneceu em R$ 8,50 por quilo, a coxa em R$ 6,90 e a asa em R$ 11. Os cortes resfriados foram negociados por R$ 8,60, R$ 7 e R$ 11,10, respectivamente. A estabilidade, porém, não representa recuperação, porque as indústrias encontram dificuldade para elevar os preços diante da quantidade de carne disponível.
O principal instrumento para ajustar o mercado é o controle dos alojamentos. O termo corresponde ao número de pintinhos de um dia colocados nas granjas para engorda. Como as aves chegam ao peso de abate em aproximadamente 40 a 45 dias, um alojamento elevado hoje se transforma em maior oferta de carne poucas semanas depois.
A redução dos lotes permite diminuir gradualmente a quantidade de animais disponíveis e recuperar o equilíbrio entre produção, consumo e exportações. O ajuste precisa ser planejado porque uma redução excessiva também pode provocar falta de produto e aumento repentino dos preços no futuro.
A pressão não alcança todos os avicultores da mesma maneira. No sistema de integração, predominante nas principais regiões produtoras, a indústria normalmente fornece pintinhos, ração, medicamentos e assistência técnica. O produtor entra com as instalações, mão de obra, energia e manejo, recebendo conforme o desempenho do lote e as condições estabelecidas em contrato.
Por isso, a cotação do frango vivo não corresponde diretamente ao valor recebido por todos os integrados. Ainda assim, o excesso de oferta reduz a rentabilidade geral da cadeia e pode afetar o ritmo dos alojamentos, a remuneração dos contratos e a capacidade das empresas de repassar custos. O impacto é mais direto sobre produtores independentes, que compram os insumos e comercializam os animais por conta própria.
A disponibilidade de milho e farelo de soja ajuda a conter parte da pressão. Os dois produtos formam a base da ração e representam a maior parcela do custo de produção. Com oferta elevada de grãos, a alimentação das aves está menos onerosa do que em períodos de escassez, evitando uma deterioração maior das margens.
No comércio exterior, os embarques continuam funcionando como principal sustentação do setor. Nos primeiros 13 dias úteis de julho, o Brasil exportou 299,2 mil toneladas de carne de aves e miudezas, com receita equivalente a R$ 2,73 bilhões. A média diária cresceu 41% em relação a julho de 2025, embora o preço médio tenha recuado 1,3%.
O cenário indica que a avicultura brasileira permanece competitiva e deve ampliar sua presença internacional. No curto prazo, porém, o recorde das exportações terá de ser acompanhado por um controle mais preciso dos alojamentos. Sem esse ajuste, a expansão da produção continuará chegando ao mercado antes que a demanda consiga absorvê-la, mantendo os preços do frango vivo sob pressão.
Fonte: Pensar Agro


