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Dólar recua diante de incertezas sobre tarifaço de Trump e debates fiscais no Brasil
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Dólar recua após alta e investidores monitoram crise comercial com EUA
O dólar abriu em queda nesta terça-feira (15), refletindo a cautela do mercado com os desdobramentos da nova política tarifária do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Brasil. Às 9h33, a moeda norte-americana recuava 0,32%, cotada a R$ 5,5660. O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira (B3), inicia as negociações às 10h.
Na segunda-feira (14), o dólar havia encerrado em alta de 0,65%, cotado a R$ 5,5837 — maior valor em mais de um mês. Já o Ibovespa caiu 0,65%, fechando aos 135.299 pontos.
Ações de Trump aumentam tensões no comércio internacional
O mercado segue atento às declarações de Donald Trump, que voltou a defender tarifas mais severas como forma de pressão geopolítica. Além da taxação de 50% sobre produtos brasileiros, o ex-presidente norte-americano também anunciou:
- Possíveis tarifas de até 100% contra a Rússia, caso não haja avanço em um acordo de paz com a Ucrânia;
- Novas tarifas de 30% aplicadas ao México e à União Europeia, que ainda negociam alternativas para suavizar os impactos;
- Prorrogação da trégua tarifária com alguns parceiros comerciais até 1º de agosto.
Investidores temem que essas medidas gerem impactos inflacionários nos EUA e no mundo, o que pode levar o Federal Reserve (Fed) a manter os juros elevados por mais tempo, fortalecendo o dólar globalmente.
Brasil discute reação ao tarifaço
O governo brasileiro estuda estratégias para responder à imposição tarifária dos EUA. Nesta terça-feira, o vice-presidente Geraldo Alckmin lidera duas reuniões com representantes da indústria e do agronegócio para avaliar os impactos sobre as exportações e discutir contramedidas.
A medida de Trump, que entra em vigor em 1º de agosto, foi classificada pelo governo Lula como uma retaliação política motivada por críticas ao Supremo Tribunal Federal e em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
As reuniões fazem parte de um comitê interministerial formado por representantes dos ministérios da Fazenda, Relações Exteriores, Indústria e Comércio, além da Casa Civil.
Decreto da Lei da Reciprocidade é publicado
Como parte da resposta brasileira, o governo publicou nesta terça-feira o decreto que regulamenta a Lei da Reciprocidade Econômica. O texto define os procedimentos legais para suspender concessões comerciais e obrigações relacionadas a direitos de propriedade intelectual em casos de ações unilaterais de países que prejudiquem a competitividade do Brasil.
Trump, no entanto, já alertou que, caso o Brasil aumente tarifas em retaliação, os EUA podem elevar ainda mais as taxas sobre produtos brasileiros.
Indicadores econômicos globais influenciam o mercado
Além da tensão comercial, os investidores acompanham os dados econômicos divulgados por China e Estados Unidos:
- China: O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 5,2% no segundo trimestre, superando levemente as expectativas dos analistas, que previam 5,1%. Apesar disso, há projeções de desaceleração no segundo semestre, pressionadas por queda nas exportações, baixa confiança do consumidor e crise imobiliária persistente.
- Estados Unidos: A divulgação dos dados de inflação prevista para hoje deve ajudar a mensurar os primeiros impactos da nova onda de tarifas. Um aumento no índice pode fortalecer o dólar e manter os juros altos por mais tempo, gerando efeitos globais.
Crise do IOF em pauta no STF
Outro fator de atenção no mercado é a audiência de conciliação no Supremo Tribunal Federal (STF), marcada para esta terça-feira, que tratará da elevação do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).
A audiência, convocada pelo ministro Alexandre de Moraes, reúne representantes do Executivo, Congresso Nacional, Procuradoria-Geral da República, Advocacia-Geral da União e autores das ações.
Contexto:
Em maio, o governo anunciou aumento do IOF sobre operações de crédito e câmbio. No entanto, o Congresso derrubou o decreto. Moraes então suspendeu todos os atos e propôs a conciliação.
O Palácio do Planalto defende a medida como forma de justiça tributária, afirmando que busca taxar os mais ricos. Já o Congresso se posiciona contra novos aumentos de impostos sem cortes nos gastos públicos.
Desempenho dos ativos no ano
- Dólar:
- Semana: +0,65%
- Mês: +2,76%
- Ano: -9,64%
- Ibovespa:
- Semana: -0,66%
- Mês: -2,57%
- Ano: +12,48%
A combinação entre a disputa comercial com os EUA, as tensões fiscais internas e os indicadores globais deve continuar guiando o comportamento do mercado brasileiro nos próximos dias.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Gergelim: o novo trunfo do produtor mato-grossense para garantir o lucro
Mato Grosso, tradicionalmente reconhecido pela hegemonia na produção de soja e milho, diversificou sua matriz produtiva e consolidou o gergelim como uma cultura estratégica para o desenvolvimento econômico estadual. Com uma participação de 73% na produção nacional, o estado deixou de ser um produtor de nicho para se tornar o principal fornecedor do mercado brasileiro, com reflexos diretos na balança comercial.
Dados comparativos entre as safras 2018/19 e a projeção para 2025/26 revelam a velocidade da expansão: a produção estadual cresceu 465%, enquanto a área cultivada avançou 588%. Esse movimento é resultado da adaptação da oleaginosa à janela da safrinha, período em que o gergelim demonstra maior resiliência a condições climáticas adversas em comparação a outras culturas, garantindo estabilidade produtiva.
A escala alcançada por Mato Grosso permitiu a conquista de mercados externos exigentes. Entre 2020 e 2025, o volume de exportações de gergelim teve alta de 600%. A demanda é sustentada principalmente pela China e pela Índia, países que utilizam o grão tanto para o consumo in natura quanto para a extração de óleo e processamento industrial.
Para o produtor rural, a adoção do gergelim atua como um mecanismo de proteção de receita. A cultura oferece uma alternativa de fluxo de caixa que reduz a dependência exclusiva das oscilações de preços internacionais da soja e do milho, permitindo a manutenção da rentabilidade mesmo em ciclos de retração das commodities principais.
O próximo estágio do setor, segundo analistas, é a elevação do valor agregado. Embora o estado domine o volume exportado, o desafio atual é a industrialização. A transformação do grão em derivados, como óleo e farelos, dentro de Mato Grosso, é vista como o passo necessário para maximizar a captura de margens na cadeia produtiva e encerrar a dependência da exportação da matéria-prima bruta.
Fonte: Pensar Agro


