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Dólar se aproxima de R$ 5,70 após declarações de Haddad sobre recuo no aumento do IOF
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O dólar opera em alta nesta sexta-feira (23), próximo a R$ 5,70, após o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciar o recuo do governo sobre o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Na máxima do dia, a moeda norte-americana chegou a R$ 5,7406.
Na quinta-feira (22), o governo federal anunciou bloqueio de R$ 31,3 bilhões no orçamento deste ano e um aumento no IOF, que tinha a meta de arrecadar R$ 20,5 bilhões ainda em 2024 e R$ 41 bilhões em 2026. No entanto, o Ministério da Fazenda voltou atrás e manteve a alíquota zero do IOF para investimentos de fundos nacionais no exterior.
Mercado financeiro e bolsa de valores
Na véspera, o dólar fechou em alta de 0,32%, cotado a R$ 5,6614. Hoje, a moeda registra alta de 0,49%, cotada a R$ 5,6903. No acumulado, o dólar tem queda de 0,13% na semana, 0,27% no mês e recuo de 8,39% no ano.
O índice Ibovespa, principal indicador da bolsa brasileira, operava em queda na manhã desta sexta. Na quinta-feira, fechou em baixa de 0,44%, aos 132.273 pontos. No ano, acumula alta de 14,12%.
Bloqueio orçamentário e meta fiscal
O bloqueio de R$ 31,3 bilhões ocorre para ajustar o orçamento federal ao limite do novo arcabouço fiscal, regra para as contas públicas aprovada em 2023. A equipe econômica estima que as despesas previstas para 2024 estão R$ 10,6 bilhões acima do limite estabelecido.
Além disso, há um contingenciamento de R$ 20,7 bilhões para cumprir a meta fiscal, que prevê zerar o déficit das contas públicas neste ano — que somaram R$ 43 bilhões em 2023.
Para a meta fiscal, o governo considera um déficit tolerável de até 0,25% do PIB, cerca de R$ 31 bilhões. Também exclui R$ 44,1 bilhões em precatórios, que são decisões judiciais a serem pagas.
Alterações no IOF
Para aumentar a arrecadação e evitar um bloqueio ainda maior, o governo planeja aumentar o IOF em algumas operações. Atualmente, as principais alíquotas do IOF são:
- 0,38% na contratação de crédito;
- Alíquota zero para financiamentos imobiliários residenciais;
- 3,38% para compras com cartão internacional;
- 1,1% para compra de moeda estrangeira em espécie;
- Alíquota zero para importações, exportações e movimentações de capital estrangeiro.
Com a nova medida, as mudanças previstas incluem:
- IOF de 0,95% para crédito contratado por empresas (exceto Simples);
- Alíquota de 0,38% para empresas do Simples;
- IOF de 5% para planos de previdência complementar com aportes acima de R$ 50 mil;
- Alíquota de 3,5% para operações cambiais como cartões internacionais e remessas ao exterior;
- Manutenção da alíquota zero para movimentações comerciais e financeiras internacionais.
Pressões fiscais e outros fatores no mercado
Os receios sobre a situação fiscal do Brasil aumentam com os pedidos de reembolso dos aposentados e pensionistas vítimas de fraudes nos descontos associativos do INSS, que já somam mais de 1,8 milhão de solicitações.
Além disso, o mercado analisa os impactos da nova medida provisória do governo que altera regras do setor elétrico, ampliando descontos nas tarifas de energia. Segundo o governo, cerca de 55 milhões de brasileiros terão desconto na conta de luz, e 60 milhões terão isenção.
Política monetária e cenário econômico
Para conter a inflação, o Banco Central mantém a taxa básica de juros em 14,75%, nível elevado. Juros altos desestimulam o consumo, ajudando a controlar a demanda e a pressão inflacionária.
Na última segunda-feira (19), o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou que manter juros altos por mais tempo faz sentido diante do atual cenário econômico, pois desacelerar o crescimento é parte da estratégia para conter a inflação.
Cenário fiscal e político dos EUA
No mercado global, a atenção está na aprovação pela Câmara dos Deputados dos EUA do projeto “One Big Beautiful Bill Act”, que busca tornar permanentes cortes tributários feitos na gestão Trump, além de cancelar incentivos para energia verde e restringir benefícios sociais.
Esse pacote deve aumentar a dívida americana em cerca de US$ 3,8 trilhões, elevando preocupações sobre a sustentabilidade fiscal dos EUA.
Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase, comentou que o projeto pode estabilizar a situação fiscal, mas provavelmente aumentará o déficit público.
Indicadores globais e agenda econômica
Nos Estados Unidos, os pedidos semanais de auxílio-desemprego caíram para 227 mil, indicando ritmo constante na geração de empregos. O índice PMI apontou aceleração na atividade empresarial em maio.
No Japão, o Banco Central não vê necessidade de intervir no mercado de títulos, apesar do aumento nos rendimentos de longo prazo.
Na Alemanha, o banco central estima estagnação econômica para o trimestre, afetada pelas tarifas americanas e por limitações nos gastos públicos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia
A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.
O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.
Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.
O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.
Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.
A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.
A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.
Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.
Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.
A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.
Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.
No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.
Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.
A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.
O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.
A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.
O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.
Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.
Fonte: Pensar Agro


