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Dólar sobe com nomeação de Kevin Warsh no Fed e expectativa sobre política monetária no Brasil
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Dólar opera próximo de R$ 5,20 com foco nas decisões econômicas
O dólar iniciou esta sexta-feira (30) em leve alta frente ao real, cotado em torno de R$ 5,20, acompanhando o movimento global após a nomeação de Kevin Warsh como novo presidente do Federal Reserve (Fed), anunciada pelo presidente Donald Trump.
No Brasil, o comportamento da moeda também é influenciado pela formação da Ptax de fim de mês, taxa calculada pelo Banco Central com base nas negociações do mercado à vista e usada como referência para liquidação de contratos futuros. O indicador costuma gerar maior volatilidade nos últimos dias de cada mês, quando investidores ajustam suas posições compradas ou vendidas em dólar.
Cenário internacional impulsiona dólar e pressiona ativos de risco
No mercado externo, o dólar ganhou força frente a outras moedas importantes, como o euro e a libra, após o anúncio da nova liderança do Fed. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de divisas, avançou cerca de 0,2%.
A definição de Kevin Warsh trouxe cautela aos investidores, que agora esperam sinalizações sobre os próximos passos da política monetária americana. Esse movimento refletiu também nos ativos de risco, com quedas nas bolsas internacionais e recuo do Bitcoin, em meio a um ambiente de menor apetite por risco.
Política monetária do Brasil mantém Selic elevada, mas cortes podem vir
No cenário doméstico, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic em 15% ao ano, nível mais alto em quase duas décadas, conforme decisão anunciada nesta semana.
O Banco Central destacou a necessidade de prudência na condução da política monetária, apesar da desaceleração da inflação. Economistas do mercado financeiro projetam que o primeiro corte da Selic pode ocorrer em março de 2026, com reduções graduais entre 0,25 e 0,50 ponto percentual, caso o cenário inflacionário continue sob controle.
Ptax e swaps cambiais intensificam movimentações no mercado
Com o fim do mês, o mercado brasileiro também acompanha de perto as intervenções cambiais e as operações de swap do Banco Central, utilizadas para equilibrar o câmbio e controlar a liquidez. Esses instrumentos técnicos, embora pontuais, podem intensificar os movimentos do dólar no curto prazo.
A formação da Ptax, somada ao cenário internacional, explica a oscilação da moeda americana nos últimos dias, com o dólar testando patamares próximos de R$ 5,19 e atingindo máxima de R$ 5,21 durante a sessão.
Fluxo cambial e comportamento do real
Mesmo com o avanço recente, o real apresenta desempenho relativamente positivo em relação ao início do ano, acumulando valorização de cerca de 1,6% na última semana, segundo dados do Banco Central.
Contudo, o Brasil encerrou 2025 com uma das maiores saídas líquidas de dólares da história, o que mantém a moeda americana sob pressão estrutural. Esse desequilíbrio no fluxo cambial reflete, em parte, as incertezas fiscais e os desafios econômicos que ainda limitam uma valorização mais consistente do real.
Perspectivas para o câmbio
A combinação de fatores domésticos e externos continua determinando o comportamento do dólar no Brasil. A manutenção da Selic em patamares elevados, a expectativa por cortes graduais, as operações da Ptax e o novo comando do Fed são variáveis que devem influenciar diretamente o câmbio nas próximas semanas.
Enquanto isso, o mercado segue em compasso de espera por novos sinais de política monetária, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, o que tende a manter a volatilidade do dólar e a cautela entre investidores.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Safra recorde já não basta para garantir rentabilidade ao produtor
A perspectiva de uma nova safra recorde encontra o produtor brasileiro diante de um desafio que cresce na mesma proporção da produção: financiar uma atividade mais tecnológica, mecanizada e intensiva em capital, num ambiente de juros elevados, margens menores e bancos mais seletivos. O avanço do crédito privado amplia as alternativas disponíveis, mas também exige profissionalização da gestão e uma análise mais rigorosa sobre o retorno proporcionado pelo patrimônio investido.
Dados do Banco Central (BC), compilados por entidades do setor, mostram que 23,5% da carteira ativa de crédito rural apresentava algum nível de problema em julho de 2026. Eram R$ 207,5 bilhões em operações inadimplentes, atrasadas, renegociadas ou prorrogadas. O indicador não representa apenas parcelas vencidas, mas revela o aumento do estresse financeiro acumulado depois de safras afetadas pelo clima, custos elevados e preços menos favoráveis.
Ao mesmo tempo, o financiamento bancário tradicional perdeu força. Em 12 meses, o volume de crédito rural concedido sem considerar instrumentos do mercado de capitais recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões. A área atendida pelas linhas convencionais de custeio caiu quase 26%, de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares.
Esse espaço vem sendo ocupado gradualmente por cooperativas, tradings, fornecedores de insumos, fundos de investimento e emissões no mercado de capitais. O estoque dos instrumentos privados de financiamento do agronegócio alcançou R$ 1,34 trilhão em julho, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Somente as Cédulas de Produto Rural (CPRs) somavam R$ 580,8 bilhões, distribuídos em aproximadamente 372 mil títulos.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a diversificação das fontes de recursos é necessária, mas não pode ser confundida com crédito fácil ou capacidade ilimitada de endividamento.
“O crédito privado será cada vez mais importante para complementar o Plano Safra e o financiamento bancário. O produtor, porém, precisa avaliar o custo efetivo, o prazo, as garantias exigidas e a compatibilidade das parcelas com o fluxo de caixa da propriedade. Trocar uma dívida por outra mais cara, sem corrigir a origem do desequilíbrio, apenas transfere o problema para a safra seguinte”, afirma.
A necessidade de capital aumentou com a transformação da agropecuária brasileira. Produzir em escala passou a exigir máquinas de maior capacidade, agricultura de precisão, armazenagem, irrigação, conectividade, sistemas de gestão, insumos tecnológicos e equipes especializadas. A valorização das terras também elevou o volume de patrimônio imobilizado nas operações.
Essa evolução permitiu ganhos de produtividade e consolidou o Brasil entre os maiores fornecedores mundiais de alimentos, fibras e energia. Mas também tornou as propriedades mais sensíveis ao custo do dinheiro. Quando os juros aumentam e as margens recuam, uma atividade pode apresentar lucro contábil e, ainda assim, não remunerar adequadamente todo o capital empregado.
É nesse ponto que ganha importância o conceito de Valor Econômico Agregado, conhecido pela sigla EVA. O indicador calcula o resultado operacional do negócio depois de descontado o custo de todo o capital utilizado, inclusive recursos próprios, terras quitadas, máquinas e demais ativos.
Uma propriedade pode encerrar o ciclo com resultado positivo no balanço, mas destruir valor se o retorno obtido ficar abaixo do que aquele patrimônio poderia render em uma alternativa de menor risco. A terra própria, por exemplo, não deixa de ter custo econômico porque está quitada. Ela representa capital que poderia ser arrendado, vendido ou aplicado em outro investimento.
“O produtor sempre acompanhou produtividade, custo por hectare e preço de venda. Esses indicadores continuam fundamentais, mas já não são suficientes para medir a saúde econômica do negócio. Também é necessário saber se o resultado remunera a terra, as máquinas, o capital de giro e o risco assumido durante a safra”, diz Rezende.
A aplicação dessa análise não significa abandonar investimentos ou reduzir a produção. O objetivo é identificar quais atividades, áreas e estruturas realmente geram retorno. A avaliação pode mostrar que determinado talhão produz bem, mas possui custo elevado; que uma máquina permanece ociosa; ou que o arrendamento oferece resultado melhor do que a compra de terras financiada.
O mesmo raciocínio vale para a contratação de crédito. Recursos obtidos a juros superiores ao retorno esperado pela atividade diminuem o valor econômico da propriedade, mesmo quando ajudam a ampliar o faturamento. Por isso, crescimento de receita, aumento de área e recorde de produção não significam necessariamente fortalecimento financeiro.
A busca por recursos privados também coloca a governança no centro das negociações. Instituições financeiras e investidores analisam demonstrações contábeis, histórico de produção, previsibilidade de caixa, endividamento, garantias, regularidade ambiental e fundiária, contratos e capacidade de gestão. Quanto maior a qualidade dessas informações, maior tende a ser a possibilidade de acessar diferentes fontes e negociar condições melhores.
“Governança deixou de ser uma preocupação exclusiva das grandes empresas. O produtor que conhece seus números, separa as contas da família e da propriedade, mantém documentos regulares e apresenta informações confiáveis reduz a percepção de risco. Isso melhora sua posição diante dos financiadores e permite comparar propostas sem decidir apenas pela disponibilidade imediata do dinheiro”, acrescenta Rezende.
O modelo de financiamento do agronegócio tende a permanecer híbrido. Crédito rural, recursos obrigatórios, cooperativas, tradings, fornecedores, fundos e mercado de capitais continuarão convivendo, cada um com custos, prazos e riscos diferentes. O desafio será combinar essas fontes sem comprometer parcelas excessivas da produção futura ou oferecer garantias incompatíveis com o valor da operação.
A safra recorde continua sendo uma demonstração da capacidade produtiva brasileira. Para que esse desempenho se transforme em renda, entretanto, o produtor precisará acompanhar não apenas quantas toneladas colhe, mas quanto valor permanece depois de remunerados todos os recursos utilizados. Em uma agricultura intensiva em capital, produzir mais é importante; produzir com retorno econômico tornou-se decisivo.
Fonte: Pensar Agro



