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Dólar sobe com tensão sobre tarifaço dos EUA e expectativa por decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos

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Dólar inicia o dia em alta e investidores acompanham cenário global

O dólar iniciou a manhã desta terça-feira (29) em leve alta de 0,11%, cotado a R$ 5,5963 por volta das 9h20. A valorização da moeda norte-americana ocorre em meio à crescente tensão comercial com os Estados Unidos, a poucos dias da entrada em vigor de um novo pacote tarifário, e à expectativa pelas decisões de juros do Federal Reserve (Fed) e do Banco Central do Brasil (BC), previstas para esta quarta-feira (30).

Mercado global atento ao tarifaço de Trump

A aproximação da data-limite de 1º de agosto para o início da nova taxação imposta pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump, mantém o mercado financeiro em alerta. O recente acordo firmado entre os EUA e a União Europeia desviou o foco das negociações com o Brasil e reforçou a importância das conversas em andamento entre Estados Unidos e China.

Nesta semana, representantes dos dois países estão reunidos em Estocolmo em busca de uma solução para as disputas comerciais. A expectativa é que a trégua tarifária seja estendida por mais 90 dias, o que poderia amenizar a escalada das tensões e abrir espaço para uma futura reunião entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping.

Brasil sem avanços nas negociações com os EUA

Enquanto isso, o Brasil segue sem progresso nas conversas com os norte-americanos. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, afirmou que o governo brasileiro continua dialogando com os EUA por meio de canais institucionais, mas já começou a estruturar um plano de contingência para mitigar os impactos das tarifas sobre setores estratégicos da economia nacional.

“Estamos elaborando um plano bastante completo. Nosso foco agora é tentar resolver o problema, mas, caso não haja avanço, o contingenciamento será colocado em prática”, declarou Alckmin.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também destacou que Alckmin realizou uma terceira e longa conversa com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, reafirmando a disposição brasileira em negociar, mas ressaltando que o país não está limitado por prazos.

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Possível sobretaxa deve impactar setores estratégicos

O tarifaço de Trump prevê a aplicação de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. Os setores mais afetados incluem aço, alumínio, minerais críticos e veículos elétricos.

Segundo interlocutores do governo, o presidente Lula estaria disposto a conversar diretamente com Trump, caso haja abertura para o diálogo. No entanto, o cenário em Brasília é de pessimismo. A percepção é que a Casa Branca só esteja disposta a discutir o tema após a implementação das tarifas.

Impacto nos mercados: dólar e Ibovespa

Com os desdobramentos internacionais e a proximidade da “Superquarta”, o mercado brasileiro opera com volatilidade:

  • Dólar:
    • Semana: +0,52%
    • Mês: +2,89%
    • Ano: -9,54%
  • Ibovespa:
    • Semana: -1,04%
    • Mês: -4,84%
    • Ano: +9,85%
Expectativas para a Superquarta

A chamada Superquarta, marcada para 30 de julho, é um dos eventos mais aguardados da semana. O mercado espera os anúncios das novas decisões de política monetária tanto do Federal Reserve quanto do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central brasileiro.

Com o risco de que o tarifaço gere pressões inflacionárias, a possibilidade de elevação dos juros nos Estados Unidos voltou ao radar, o que pode impactar os fluxos de capital para países emergentes como o Brasil.

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Bolsas globais reagem ao cenário político e econômico

As bolsas de valores internacionais operavam majoritariamente em alta nesta terça-feira (29), impulsionadas pelo acordo entre Estados Unidos e União Europeia e pela expectativa de novos dados corporativos. Confira o desempenho dos principais índices europeus por volta das 10h:

  • Alemanha (DAX): +1,18%
  • França (CAC 40): +1,25%
  • Reino Unido (FTSE 100): +0,59%
  • Itália (FTSE MIB): +1,41%
  • Espanha (IBEX 35): +1,07%
  • Portugal (PSI 20): +0,17%

Na Ásia, os mercados fecharam de forma mista, acompanhando com cautela a nova rodada de negociações entre China e Estados Unidos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Plano Brasil Soberano: Governo amplia crédito para fertilizantes

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Fabricantes de fertilizantes, produtores de matérias-primas intermediárias e mineradoras que abastecem o setor poderão contratar capital de giro pelo Plano Brasil Soberano. A mudança amplia o alcance do programa e procura dar fôlego financeiro a uma cadeia considerada estratégica para o agronegócio brasileiro.

Projetos industriais e tecnológicos ligados ao beneficiamento, refino e transformação de minerais críticos e estratégicos também terão acesso a recursos com custo reduzido. O encargo da fonte de financiamento caiu para 3% ao ano, ante percentuais que chegavam a 8% na aquisição de máquinas e equipamentos e a 6,5% em determinados investimentos.

A decisão foi tomada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em reunião extraordinária realizada no fim de agosto. O colegiado também prorrogou por 12 meses o prazo para apresentação dos pedidos de financiamento ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As empresas elegíveis poderão protocolar as solicitações até 31 de dezembro de 2027.

Para o produtor rural, o efeito não será direto. As linhas são destinadas às empresas que produzem, processam ou fornecem insumos para a fabricação de adubos. O objetivo é melhorar as condições financeiras da indústria e reduzir riscos de interrupção no abastecimento do campo.

A inclusão do capital de giro atende a uma característica do setor. Muitas empresas precisam pagar antecipadamente pelas matérias-primas importadas, arcar com frete, armazenagem e processamento e somente depois receber pelas vendas realizadas aos produtores ou distribuidores.

Esse intervalo exige grande disponibilidade de caixa. Quando o crédito fica caro ou escasso, as empresas podem reduzir compras, estoques e produção. A consequência chega às propriedades na forma de menor oferta, dificuldade para programar entregas e maior exposição às oscilações de preços.

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Antes da mudança, as empresas da cadeia de fertilizantes podiam recorrer ao Plano Brasil Soberano principalmente para comprar máquinas ou executar projetos de investimento. Agora, os recursos também poderão financiar despesas necessárias ao funcionamento diário das operações.

A medida ganha importância porque o Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes que utiliza. Essa dependência deixa a produção agrícola vulnerável ao câmbio, às cotações internacionais, aos custos marítimos e a conflitos capazes de interromper rotas ou restringir a oferta mundial.

O país responde por cerca de 8% do consumo global de fertilizantes e ocupa a quarta posição entre os maiores consumidores. Soja, milho e cana-de-açúcar representam mais de 73% da demanda nacional, o que transforma o insumo em um componente decisivo dos custos das principais cadeias agrícolas.

O crédito mais barato para minerais estratégicos procura estimular investimentos em etapas que ainda são pouco desenvolvidas no Brasil. O país possui reservas minerais importantes, mas parte do material extraído é exportada sem processamento ou não chega a ser transformada internamente nos produtos necessários à agricultura.

Ao apoiar o beneficiamento, o refino e a transformação dentro do país, o governo tenta ampliar a capacidade industrial e diminuir a dependência de produtos acabados vindos do exterior. O resultado, entretanto, dependerá da execução dos projetos, que podem exigir licenciamento, infraestrutura, tecnologia e vários anos até o início da produção.

O percentual de 3% ao ano não representa necessariamente a taxa final que será paga pelas empresas. Ele corresponde ao custo da fonte de recursos e já considera a remuneração do BNDES. Nas operações indiretas, realizadas por bancos credenciados, ainda podem existir encargos do agente financeiro e custos relacionados ao risco do tomador.

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Por isso, a medida também não garante uma queda imediata no preço do fertilizante vendido ao agricultor. As cotações continuarão sujeitas ao câmbio, aos preços internacionais, ao frete, à oferta mundial de nutrientes e à demanda no período de plantio.

O ganho mais provável no curto prazo é a melhora das condições para que fabricantes e fornecedores mantenham estoques e cumpram contratos. No longo prazo, se os investimentos aumentarem a produção e o processamento de matérias-primas no Brasil, o setor poderá reduzir a exposição a crises externas e ganhar maior previsibilidade.

O acesso às linhas será restrito aos segmentos definidos conjuntamente pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e pelo Ministério da Fazenda. A relação de atividades autorizadas consta das portarias que regulamentam o Plano Brasil Soberano.

Criado para apoiar empresas afetadas pelo aumento das tarifas norte-americanas e pela instabilidade do comércio internacional, o programa passa a alcançar uma cadeia diretamente ligada à segurança produtiva do país. Para o campo, o efeito concreto será medido pela capacidade da política de ampliar a oferta interna, evitar falta de insumos e reduzir a dependência que hoje transforma qualquer crise internacional em custo adicional dentro da porteira.

Fonte: Pensar Agro

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