CUIABÁ
Pesquisar
Close this search box.

AGRONEGOCIOS

Embrapa Lança a BRS 54 Lumiar: Nova Uva Branca Sem Sementes Revoluciona o Cultivo no Semiárido

Publicados

AGRONEGOCIOS

Economia de Mão de Obra e Potencial de Mercado

A BRS 54 Lumiar é uma cultivar de uva sem sementes que se destaca pela possibilidade de reduzir em até 50% os custos com mão de obra na produção de uvas no Semiárido. Este avanço ocorre graças à redução da demanda por raleio de cachos, uma etapa tradicionalmente intensiva em mão de obra no manejo das uvas de mesa. Com isso, a cultivar oferece um alívio para os produtores da região, principalmente no Vale do São Francisco, onde os custos operacionais são elevados.

Qualidades Sensoriais que Encantam

Além de seu impacto econômico, a BRS 54 Lumiar se destaca pelo perfil sensorial de suas bagas. As uvas apresentam tamanho grande, formato elíptico, textura crocante e macia, com alto teor de açúcares, ausência de adstringência na película e acidez equilibrada ao final da maturação. Esses atributos tornam a cultivar uma excelente opção para atender às crescentes exigências do mercado consumidor por frutas de alta qualidade.

Avanços no Programa “Uvas do Brasil”

O lançamento da BRS 54 Lumiar é o mais recente sucesso do programa de melhoramento genético “Uvas do Brasil”, coordenado pela Embrapa. Este programa visa o desenvolvimento de cultivares de uva adaptadas às condições brasileiras, especialmente para cultivo na região semiárida, uma das maiores produtoras de uvas de mesa do país.

Segundo João Dimas Garcia Maia, pesquisador da Embrapa e responsável pelo desenvolvimento da nova cultivar, a BRS 54 Lumiar responde a uma demanda específica da região: a necessidade de uma uva branca sem sementes que seja mais eficiente no manejo e mais acessível economicamente para os produtores locais.

Leia Também:  Com as vacas mais caras do mundo, Brasil é líder em genética bovina de corte
Impacto para o Produtor e o Mercado

A BRS 54 Lumiar não só reduz os custos de produção como também elimina a necessidade de royalties sobre a produção, um custo que muitas cultivares estrangeiras impõem aos produtores. Isso representa uma economia significativa para os viticultores, pois a cobrança de royalties nas cultivares importadas pode ser onerosa, chegando a taxas por quilo de fruta. No caso da BRS 54 Lumiar, o custo se limita à compra das mudas, tornando o cultivo mais acessível.

Adeliano Cargnin, chefe-geral da Embrapa Uva e Vinho, destaca a relevância da cultivar para o Vale do São Francisco, afirmando que a BRS 54 Lumiar é uma uva de oferta pública que pode ser adotada por todos os tipos de produtores, desde os pequenos até os grandes. “Essa inovação vai impactar diretamente na redução dos custos de produção, resultando em maiores lucros para os produtores e, potencialmente, em preços mais acessíveis ao consumidor final”, explica Cargnin.

Validação e Avaliação da Cultivar

Além da produção no Semiárido, a BRS 54 Lumiar também foi testada em outras regiões produtoras de uvas, como a Serra Gaúcha. Embora seu cultivo já tenha sido recomendado para o Vale do São Francisco, as avaliações continuam para outras localidades.

Newton Matsumoto, um dos validadores da cultivar e especialista em viticultura no Semiárido, aponta que a BRS 54 Lumiar é uma uva com alto potencial de mercado, capaz de atender tanto aos produtores, com redução de custos, quanto aos consumidores, com uma fruta saborosa e de boa aparência.

Leia Também:  Crise no agronegócio tem movimentado os bastidores políticos em Brasília
Disponibilidade de Mudas e Expansão do Cultivo

O viveiro Petromudas, em Petrolina (PE), já está realizando a reserva de mudas da BRS 54 Lumiar para o plantio em 2025, atendendo aos viticultores da região do Vale do São Francisco. A Embrapa, por meio de viveiristas licenciados, disponibiliza as mudas para os interessados, seguindo um processo de oferta pública para novos pedidos.

O Significado do Nome “Lumiar”

O nome da nova cultivar, BRS 54 Lumiar, é inspirado na poesia do Sertão e no brilho do luar nordestino. As bagas da uva, de tonalidade amarela com leves toques esverdeados, refletem o brilho da lua cheia que ilumina o vasto horizonte do Nordeste brasileiro, uma referência à beleza e à tradição da região. Além de sua aparência delicada, a cultivar se destaca por seu sabor equilibrado e refrescante, perfeito para as condições climáticas do Semiárido.

O Legado do Programa “Uvas do Brasil”

O programa “Uvas do Brasil”, iniciado nos anos 1970 pela Embrapa, continua a ser um marco no desenvolvimento de cultivares adaptadas ao clima brasileiro. Com o sucesso de variedades como a BRS Vitória, a BRS Isis e a BRS Melodia, a Embrapa consolidou o Vale do São Francisco como um polo estratégico para a viticultura de uvas de mesa, com potencial para expandir ainda mais no mercado nacional e internacional.

A BRS 54 Lumiar é mais uma demonstração do comprometimento da Embrapa com o desenvolvimento de soluções inovadoras para o setor agrícola, especialmente para regiões como o Semiárido, onde a adaptação das culturas às condições locais é essencial para garantir a sustentabilidade da produção.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Propaganda

AGRONEGOCIOS

Crédito privado cresce e amortece recuo do Plano Safra

Publicados

em

O avanço dos instrumentos privados de financiamento está ajudando o agronegócio a cobrir parte do espaço deixado pela retração das linhas tradicionais de crédito rural. O estoque de Cédulas de Produto Rural (CPRs) chegou a R$ 576,4 bilhões em junho, crescimento de 12% em 12 meses, enquanto fundos e títulos ligados ao setor também ganharam participação.

Os saldos dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros) cresceram 81% em dois anos. No mesmo período, os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) avançaram 9%. A expansão mostra que o financiamento da produção está se tornando mais diversificado e menos concentrado nos bancos.

Essa alternativa ganhou importância porque a área financiada pelas linhas de custeio do Plano Safra diminuiu 25,8% em 12 meses. O total passou de 34,2 milhões de hectares em julho de 2025 para 25,4 milhões no mesmo mês deste ano, segundo dados do Banco Central compilados pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

O valor liberado caiu em proporção menor, de R$ 205,8 bilhões para R$ 181,1 bilhões, retração de 12%. O número de contratos recuou 10,3%, de 867 mil para 777,8 mil.

Na prática, o financiamento médio aumentou de aproximadamente R$ 6 mil para R$ 7,1 mil por hectare. Isso mostra que o crédito disponível está cobrindo uma área menor e acompanhando, ao menos parcialmente, o aumento dos custos de produção.

Leia Também:  Safra de laranja 2026/27 pode cair 13% e aliviar pressão sobre estoques globais de suco, aponta Cepea

As CPRs permitem ao produtor levantar recursos tendo como referência a produção rural, com pagamento em produto ou dinheiro. O instrumento pode ser negociado com bancos, cooperativas, tradings, fornecedores e investidores, ampliando as possibilidades além das linhas oficiais.

As emissões de CPRs somaram R$ 377,8 bilhões durante a safra 2025/26. Embora o estoque continue crescendo, o ritmo das novas operações perdeu força, sinal de que o crédito privado também sente os efeitos dos juros elevados e da maior cautela dos financiadores.

O acesso a essas alternativas ainda é desigual. Grandes produtores, cooperativas e empresas com maior capacidade de oferecer garantias conseguem chegar com mais facilidade ao mercado privado. Pequenos e médios agricultores continuam mais dependentes dos bancos, das cooperativas de crédito e das linhas subsidiadas do Plano Safra.

A maior seletividade está relacionada ao crescimento das operações rurais com algum grau de dificuldade. Em julho, 23,5% da carteira ativa estava classificada como problemática, somando R$ 207,5 bilhões. Esse valor não representa apenas inadimplência: inclui contratos em atraso, renegociados ou prorrogados.

Leia Também:  Mapa dialoga com o setor da cafeicultura para fortalecer a cadeia produtiva

As instituições financeiras também passaram a reconhecer antecipadamente possíveis perdas, conforme as regras da Resolução 4.966, aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Em vigor desde janeiro de 2025, a norma leva os bancos a aumentar as reservas quando identificam deterioração na capacidade de pagamento, o que reforça a cautela nas novas concessões.

No Rio Grande do Sul, onde sucessivas perdas climáticas elevaram o endividamento, a área financiada caiu 29,3%. O valor contratado recuou 18,3%, para R$ 23,1 bilhões, e o número de operações diminuiu 16,4%, para 189,6 mil.

Apesar da retração, os resultados atuais da produção, das exportações e dos preços dos alimentos permanecem sustentados por lavouras implantadas com recursos contratados anteriormente. O efeito da redução mais recente do crédito será conhecido com maior clareza durante a safra 2026/27.

O crescimento das CPRs, dos CRAs e dos Fiagros mostra que o setor encontrou novos caminhos para financiar a produção. Esses instrumentos ainda não substituem o crédito bancário, principalmente para pequenos e médios produtores, mas ampliam as fontes de recursos e reduzem parte da dependência do Plano Safra.

Fonte: Pensar Agro

Continue lendo

CUIABÁ

POLÍCIA

POLÍTICA MT

MATO GROSSO

MAIS LIDAS DA SEMANA