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Exportações de Café Caem, mas Receita Sobe: Mercado Oscila com Clima e Perspectivas da Safra Brasileira

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Exportações Brasileiras de Café Têm Queda no Início da Safra 2025/26

As exportações brasileiras de café recuaram no primeiro semestre da safra 2025/26 (julho a dezembro de 2025), segundo dados do Cecafé analisados pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

O país embarcou 20,6 milhões de sacas de café arábica e robusta no período — uma queda de 21,3% em comparação com o mesmo intervalo da temporada anterior, registrando o menor volume desde a safra 2022/23.

Apesar da redução nas exportações, a receita aumentou 11,5%, alcançando US$ 8,05 bilhões. O resultado reflete a alta dos preços internacionais e o impacto do câmbio favorável.

Entre os destinos, a Alemanha superou os Estados Unidos como principal comprador, importando 3,01 milhões de sacas, cerca de 951 mil a mais que os norte-americanos. A diminuição dos embarques para os EUA está relacionada às tarifas impostas sobre o café brasileiro.

Mercado Futuro: Robusta Busca Recuperação, Enquanto Arábica Recuam em Nova York

Na manhã desta quarta-feira (21), os preços do café mostraram direções opostas nas bolsas internacionais. O robusta tentava se recuperar após dias consecutivos de queda, enquanto o arábica apresentava retração em Nova York.

O clima no Brasil segue sendo um fator determinante. De acordo com o portal Barchart, a previsão de chuvas nas regiões cafeeiras reduziu as preocupações sobre a próxima safra, pressionando as cotações do arábica.

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Já no mercado internacional, o robusta reage à expectativa de clima seco no Vietnã, o que deve favorecer a colheita no maior produtor global da variedade. Segundo a Bloomberg, as exportações vietnamitas cresceram 41% em dezembro em relação ao ano anterior, ampliando a oferta mundial e influenciando os preços.

Por volta das 9h20 (horário de Brasília), o robusta registrava movimentos mistos: queda de US$ 64, cotado a US$ 4.126/tonelada no contrato de janeiro/26, e leve alta de US$ 31 e US$ 32 nos contratos de março e maio, respectivamente. Já o arábica apresentava recuos de 240 a 300 pontos, com o contrato de março/26 negociado a 343,50 cents/lbp.

Clima Favorável Aumenta Otimismo com a Safra 2026/27

Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o café arábica encerrou a sessão de terça-feira (20) em forte queda, pressionado por um maior otimismo em relação à safra brasileira de 2026.

As condições climáticas mais favoráveis e as previsões de chuvas regulares no cinturão cafeeiro aumentaram a confiança do mercado, reduzindo os temores sobre possíveis perdas na produção.

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Segundo informações da Reuters, as estimativas para a safra 2026/27 do Brasil variam entre 70 e 80 milhões de sacas, o que representa um aumento significativo em relação à safra 2025/26, estimada em 64,25 milhões.

De acordo com levantamento da Safras & Mercado, a próxima colheita deve atingir 71 milhões de sacas, com destaque para o aumento da produção de arábica e leve redução do robusta (conilon). Esse volume representaria crescimento de 10,5% na comparação anual.

Nos contratos futuros, o vencimento de março/2026 fechou a 346,50 cents/lbp, queda de 8,80 centavos (−2,5%), enquanto o de maio/2026 terminou em 329,90 cents/lbp, baixa de 7,60 centavos (−2,2%).

Perspectivas para o Setor

O mercado de café segue sob influência direta do clima brasileiro, das condições produtivas no Vietnã e da demanda global.

Embora o primeiro semestre da safra 2025/26 tenha registrado queda nas exportações, a alta nos preços internacionais compensou parte das perdas. No curto prazo, o comportamento das chuvas no Brasil e o desempenho da colheita vietnamita serão determinantes para a direção dos preços nas próximas semanas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

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A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

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“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

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O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

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