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Geadas, quebra de safra e retenção de oferta elevam preços do feijão a máximas históricas no Brasil

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O mercado brasileiro de feijão vive um dos momentos mais tensionados dos últimos anos, impulsionado pela combinação entre redução de área plantada, atraso na colheita da segunda safra, impactos climáticos e retenção da oferta pelos produtores. O cenário já provoca disparada nas cotações do feijão carioca e acelera também a valorização do feijão preto nas principais regiões produtoras do país.

Segundo análise de Safras & Mercado, o ambiente atual é típico de forte estresse de oferta, especialmente diante da dificuldade crescente de encontrar lotes superiores com padrão exigido pelas empacotadoras.

Geadas e atraso da colheita sustentam alta do feijão carioca

O feijão carioca concentrou as maiores pressões de alta ao longo da semana. A comercialização passou a ocorrer, em muitos momentos, apenas por amostras, refletindo a baixa disponibilidade de mercadoria de qualidade no mercado físico.

As referências do feijão nota 9 EL oscilaram entre R$ 495 e R$ 510 por saca CIF em São Paulo. No interior paulista, negócios já começam a testar o patamar de R$ 500 por saca FOB na origem.

O principal foco de preocupação do mercado continua sendo o Paraná, principal produtor da segunda safra. O estado registrou redução de 37% na área cultivada, enquanto a colheita segue bastante atrasada em relação ao ano passado.

Até o momento, apenas 20% da área foi colhida, contra 45% registrados no mesmo período da safra anterior.

Além do atraso, as geadas ocorridas em importantes regiões produtoras ampliaram os temores sobre perdas qualitativas, redução do rendimento de peneira e escurecimento dos grãos, fatores que comprometem diretamente o padrão comercial do produto.

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O mercado avalia que o problema atual não se limita apenas ao volume produzido, mas principalmente à escassez de feijão de alta qualidade disponível para a indústria empacotadora.

Produtores seguram vendas e varejo opera com cautela

Mesmo com desaceleração das negociações nos últimos dias, o mercado segue sem pressão consistente de baixa.

As indústrias continuam comprando apenas para reposição imediata, enquanto produtores mais capitalizados mantêm postura firme de retenção da mercadoria, apostando em novas valorizações.

O varejo, por sua vez, monitora com cautela a capacidade de absorção do consumidor diante dos preços recordes nas gôndolas.

Ainda assim, analistas avaliam que a estrutura do mercado permanece amplamente altista no curto prazo, especialmente se houver novos problemas climáticos ou atrasos adicionais na entrada da safra.

Feijão preto ganha força e entra em novo ciclo de valorização

A forte disparada do feijão carioca também provocou mudanças importantes no mercado do feijão preto.

Com a migração parcial do consumo para alternativas mais acessíveis, o feijão preto registrou avanço significativo da demanda, reduzindo estoques e elevando a agressividade dos compradores nas principais praças produtoras.

As referências FOB subiram de forma expressiva ao longo da semana. No interior de São Paulo, os preços romperam os R$ 260 por saca. No Paraná, os negócios oscilaram entre R$ 235 e R$ 250 por saca, enquanto o Oeste de Santa Catarina já registra valores acima de R$ 230.

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Em alguns negócios envolvendo lotes superiores, o mercado já começa a testar pedidas próximas de R$ 300 por saca.

Oferta apertada amplia preocupação com abastecimento

O mercado também passou a incorporar risco crescente de escassez futura para o feijão preto.

Assim como ocorre no carioca, o Paraná enfrenta retração de área, atraso na colheita e impactos provocados pelas geadas recentes.

Além das perdas de produtividade, cresce a preocupação com a qualidade final dos grãos, especialmente em áreas atingidas por frio intenso seguido por excesso de umidade.

Apesar do ritmo mais lento das negociações nos últimos pregões, o viés segue claramente positivo.

Corretores continuam elevando gradualmente as pedidas, enquanto produtores demonstram pouca disposição para vendas imediatas.

Ao mesmo tempo, o varejo tenta administrar os impactos da alta do feijão carioca, movimento que favorece parcialmente o avanço do feijão preto nas gôndolas e em ações promocionais.

Mercado monitora consumo e possibilidade de novas máximas

A percepção predominante entre agentes do setor é de que o mercado do feijão entrou em uma nova fase de valorização estrutural, sustentada por fundamentos físicos cada vez mais apertados.

Com oferta restrita, estoques reduzidos e riscos climáticos ainda presentes, o setor acompanha atentamente a reação do consumidor e a evolução da colheita da segunda safra.

Caso ocorram novos problemas climáticos ou atrasos adicionais no avanço da safra, o mercado poderá registrar novas máximas históricas nas próximas semanas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Falta de chuva ameaça milho safrinha em Goiás enquanto etanol de milho acelera demanda pelo cereal

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A diminuição das chuvas em Goiás desde abril acendeu o alerta no setor produtivo e aumentou a preocupação com o desenvolvimento do milho segunda safra no estado. Em um momento decisivo para o enchimento de grãos, a redução da umidade do solo já começa a impactar lavouras e coloca o clima no centro das atenções do mercado.

As informações constam na edição de maio do informativo Agro em Dados, divulgada pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás. O levantamento mostra que boa parte das áreas cultivadas no Brasil atravessa fases altamente sensíveis ao déficit hídrico.

Na primeira semana de maio de 2026, cerca de 33% das lavouras brasileiras de milho estavam em fase de floração, enquanto 54,2% se encontravam em enchimento de grãos — estágios que exigem maior disponibilidade de água para garantir bom potencial produtivo.

Clima preocupa produtores e mercado

Em Goiás, a irregularidade climática ampliou as incertezas sobre a produtividade da segunda safra, especialmente diante da persistência do tempo seco nas principais regiões produtoras.

O milho safrinha representa atualmente a maior parcela da produção nacional do cereal e possui forte peso na formação da oferta brasileira. Por isso, qualquer perda causada pelo clima pode impactar diretamente o abastecimento interno, os preços e o ritmo das exportações.

A preocupação ocorre justamente em um cenário de maior disponibilidade global do cereal, fator que já vinha pressionando as cotações ao longo das últimas semanas.

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Preços do milho recuam com oferta elevada

Segundo o relatório, os preços do milho registraram queda de 4,2% em abril na comparação com março.

A pressão veio tanto do mercado internacional quanto do ambiente doméstico.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou as projeções de produção e estoques globais para a safra 2025/26, fortalecendo a percepção de ampla oferta mundial do cereal.

No Brasil, o ritmo mais lento das negociações e os estoques disponíveis também contribuíram para limitar reações mais fortes nos preços.

De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), os estoques finais brasileiros da safra 2025/26 devem alcançar 12,8 milhões de toneladas, volume acima da média das últimas cinco temporadas e próximo ao registrado no ciclo anterior.

O cenário reforça a expectativa de maior disponibilidade de milho no mercado interno ao longo do ano.

Etanol de milho ganha força em Goiás

Apesar do ambiente de pressão sobre os preços, o consumo doméstico continua sustentado pelo avanço da indústria de etanol de milho, segmento que vem expandindo rapidamente em Goiás.

O estado consolidou-se como um dos principais polos de crescimento da produção do biocombustível no país.

Dados da Conab mostram que a fabricação de etanol de milho em Goiás saltou de 190,8 milhões de litros na safra 2018/19 para 841,6 milhões de litros na temporada 2025/26.

O crescimento superior a quatro vezes em poucos anos reforça a importância crescente da agroindústria na absorção da produção estadual de milho e ajuda a sustentar a demanda interna pelo cereal.

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Além do etanol, o setor também impulsiona a produção de coprodutos utilizados na nutrição animal, ampliando a integração entre agricultura, energia e pecuária.

Exportações de milho perdem ritmo, mas derivados avançam

No mercado externo, Goiás registrou retração nas exportações de milho entre janeiro e março de 2026, tanto em valor quanto em volume embarcado.

Entre os fatores que explicam o desempenho está a redução do número de países compradores no período.

Em contrapartida, os produtos derivados do milho apresentaram crescimento expressivo nas exportações.

Itens como amido, farinha, óleo e milho doce preparado atingiram o maior valor exportado da série histórica para o primeiro trimestre.

O avanço foi impulsionado pela ampliação do número de mercados compradores, que chegou a 25 países, além do crescimento das aquisições por destinos como Países Baixos, Argentina, Bélgica e México.

Mercado acompanha clima e demanda interna

Com o avanço da colheita da segunda safra se aproximando, o mercado deve continuar monitorando de perto as condições climáticas em Goiás e em outras regiões produtoras do Centro-Oeste.

Ao mesmo tempo, o fortalecimento da indústria de etanol de milho mantém perspectivas positivas para o consumo interno, ajudando a equilibrar parte da pressão provocada pelo aumento da oferta global e pelos estoques mais elevados no Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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