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IGP-DI dispara em abril com pressão do petróleo e inflação se espalha pela economia, aponta FGV
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A inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) acelerou fortemente em abril e registrou alta de 2,41%, segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE). Em março, o indicador havia avançado 1,14%.
Com o novo resultado, o IGP-DI acumula alta de 2,92% no ano e avanço de 0,78% nos últimos 12 meses. Em abril de 2025, o índice havia subido apenas 0,30%, acumulando elevação de 8,11% em 12 meses.
De acordo com a FGV, o principal fator de pressão inflacionária foi a escalada dos preços do petróleo no mercado internacional, que passou a impactar de maneira mais ampla diferentes setores da economia brasileira.
Petróleo pressiona indústria, logística e construção civil
Segundo o economista Matheus Dias, do FGV IBRE, o choque nos preços dos combustíveis deixou de afetar apenas os derivados de petróleo e passou a contaminar toda a cadeia produtiva.
“O aumento do preço do petróleo no mercado internacional começou a contaminar de forma mais ampla a estrutura dos índices de preços em abril. O choque deixou de atingir apenas combustíveis e passou a pressionar insumos industriais, custos logísticos, materiais de construção e parte da cadeia de alimentos”, destacou o economista.
A avaliação do mercado é de que a inflação pode ganhar caráter mais disseminado e persistente nos próximos meses, elevando a preocupação sobre custos de produção, transporte e consumo.
IPA acelera e mostra pressão forte no atacado
O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que representa o atacado e possui maior peso dentro do IGP-DI, avançou 3,09% em abril, acima da taxa de 1,38% registrada em março.
Entre os estágios de processamento, os destaques foram:
- Bens Finais
- Alta de 0,79% em abril
- Em março, a variação havia sido de 1,04%
Já o índice de Bens Finais “ex”, que exclui alimentos in natura e combustíveis para consumo, acelerou de 0,21% para 0,86%.
Bens Intermediários
O grupo registrou forte aceleração:
- Março: 0,69%
- Abril: 3,27%
O indicador de Bens Intermediários “ex”, sem combustíveis e lubrificantes para produção, passou de 0,65% para 2,78%.
Matérias-Primas Brutas
As matérias-primas apresentaram uma das maiores pressões inflacionárias:
- Março: 2,11%
- Abril: 4,57%
O resultado reforça o aumento dos custos ao longo da cadeia produtiva, especialmente em setores ligados ao agronegócio, indústria e construção civil.
Inflação ao consumidor também ganha força
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,88% em abril, acelerando frente à alta de 0,67% observada em março.
Entre as oito classes de despesas analisadas, três grupos apresentaram avanço relevante:
- Saúde e Cuidados Pessoais: de 0,05% para 1,33%
- Educação, Leitura e Recreação: de -0,97% para 0,32%
- Habitação: de 0,36% para 0,46%
Por outro lado, cinco grupos registraram desaceleração:
- Despesas Diversas: de 1,70% para 0,10%
- Vestuário: de 0,48% para 0,02%
- Alimentação: de 1,31% para 1,19%
- Comunicação: de 0,10% para 0,00%
- Transportes: de 1,51% para 1,47%
Mesmo com desaceleração em alguns segmentos, o índice segue mostrando inflação disseminada no consumo das famílias.
Núcleo da inflação indica persistência dos preços
O Núcleo do IPC, considerado um dos principais termômetros da inflação estrutural, avançou 0,42% em abril, acima dos 0,37% registrados em março.
O Índice de Difusão — indicador que mede a proporção de itens com aumento de preços — ficou em 64,19%, ligeiramente abaixo dos 65,48% registrados no mês anterior.
Na prática, isso significa que mais da metade dos produtos e serviços pesquisados continua registrando alta de preços, reforçando a percepção de inflação espalhada pela economia.
Impactos no agronegócio preocupam produtores
Para o agronegócio, o avanço do IGP-DI acende alerta sobre aumento nos custos de produção, especialmente em:
- fertilizantes;
- combustíveis;
- defensivos;
- fretes;
- energia;
- materiais de construção rural;
- e insumos industriais.
A pressão sobre combustíveis e logística pode afetar diretamente margens do produtor rural, principalmente em cadeias dependentes de transporte de longa distância, como soja, milho, carnes e café.
Além disso, a alta das matérias-primas e dos bens intermediários tende a elevar os custos industriais ligados ao processamento de alimentos e à agroindústria nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Custos da safra 2026/27 sobem para milho e soja em Mato Grosso, enquanto algodão registra queda, aponta Imea
Os custos de produção das principais culturas agrícolas de Mato Grosso devem apresentar comportamentos distintos na safra 2026/27. Levantamento divulgado pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostra aumento dos gastos para o cultivo de milho e soja, enquanto o algodão deve registrar redução nos desembolsos por hectare.
O avanço dos custos está relacionado, principalmente, às maiores despesas com fertilizantes, defensivos agrícolas e sementes, fatores que seguem impactando a rentabilidade das atividades e exigindo maior planejamento financeiro dos produtores.
Custo do milho sobe mais de 14% em Mato Grosso
De acordo com o Imea, o custeio do milho para a safra 2026/27 foi estimado em R$ 3.799,42 por hectare, alta de 14,46% em relação ao consolidado da temporada 2025/26.
O aumento foi impulsionado pelos maiores gastos com fertilizantes e defensivos, além da elevação nos custos das sementes, refletindo tanto o encarecimento dos insumos quanto a adoção de materiais genéticos mais tecnológicos.
Como consequência, o Custo Operacional Efetivo (COE) foi projetado em R$ 5.528,49 por hectare, avanço de 15,03% na comparação anual.
Já o Custo Total (CT) atingiu R$ 7.418,49 por hectare, crescimento de 10,30% frente à safra anterior.
Preço mínimo para cobrir os custos
Com os custos mais elevados, o produtor precisará de maior eficiência na gestão comercial da safra.
Considerando uma produtividade de referência de 120,28 sacas por hectare, o Imea estima que a saca de milho deverá ser comercializada a pelo menos R$ 45,96 para cobrir o COE da atividade.
O cenário reforça a importância da comercialização antecipada e do travamento de preços em momentos favoráveis do mercado para preservar margens de rentabilidade.
Soja também terá aumento nos custos de produção
Para a soja, as projeções apontam um cenário de cautela para a temporada 2026/27.
Segundo o levantamento elaborado pelo Sistema Famato, Senar-MT e Imea, o custeio da oleaginosa foi estimado em R$ 4.315,29 por hectare, alta de 3,21% em relação à safra 2025/26.
Os principais fatores responsáveis pela elevação dos custos foram:
- Fertilizantes e corretivos: aumento de 5,40%;
- Defensivos agrícolas: alta de 10,97%.
Além dos custos mais elevados, o setor continua atento às condições climáticas para a próxima temporada.
As incertezas relacionadas ao clima seguem sendo apontadas como um dos principais riscos para a produtividade das lavouras, podendo impactar diretamente o potencial produtivo e os resultados econômicos da atividade.
Crédito restrito preocupa produtores
Outro fator que preocupa o setor é a maior restrição ao crédito rural.
Segundo o Imea, a limitação dos recursos disponíveis para financiamento pode reduzir a capacidade de investimento dos produtores e provocar ajustes nos pacotes tecnológicos adotados nas propriedades.
Como reflexo desse cenário, o ponto de equilíbrio da soja para cobrir os custos de custeio aumentou 9,13% em relação à temporada passada.
Diante das margens mais apertadas, os produtores acompanham com atenção a compra dos insumos ainda pendentes e as oportunidades de comercialização da safra futura.
Algodão apresenta redução nos custos
Na contramão de milho e soja, o algodão foi a única das principais culturas analisadas a registrar queda no custo de produção.
O custeio da safra 2026/27 foi estimado em R$ 10.652,39 por hectare, redução de 1,14% em comparação ao consolidado da temporada anterior.
A diminuição foi influenciada principalmente pela redução das despesas com:
- Manutenção de máquinas e equipamentos;
- Operações mecanizadas;
- Defensivos agrícolas.
Apesar do alívio nos custos, a cultura continua exigindo elevados investimentos por hectare, mantendo-se entre as atividades agrícolas de maior intensidade de capital no país.
Produtores enfrentam cenário de margens mais pressionadas
Os dados do Imea mostram que a safra 2026/27 deverá exigir maior planejamento financeiro dos produtores mato-grossenses.
Com custos mais elevados para milho e soja e um ambiente marcado por incertezas climáticas, restrição de crédito e volatilidade dos mercados, a gestão eficiente dos insumos e a estratégia de comercialização ganham ainda mais relevância.
Nesse contexto, o monitoramento dos custos de produção e das oportunidades de mercado será decisivo para a manutenção da rentabilidade das propriedades rurais na próxima temporada.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio

